Paulo César Ribeiro Lima: A repressão e o golpe

Na década de 1970, muitos estudantes temeram por ataques de agentes do Departamento de Ordem Política e Social – Dops; no ano de 1995, muitos empregados da Petrobras temeram pela ação dos tanques do Exército estacionados na Refinaria Duque de Caxias – Reduc; nas manifestações de ontem, em frente ao Palácio do Planalto, muitos brasileiros temeram pela ação de facistas que estavam nos arredores do Congresso Nacional. Na realidade, são milhões de fascitas que, no dia a dia, reprimem a manifestação de não fascitas nos prédios residenciais, nos ambientes de trabalho, nas escolas etc. Talvez não sejam milhões de fascitas, mas milhões de pessoas que são conduzidas, até mesmo ingenuamente, por grupos fascitas. Esses grupos estão na mídia, nas associações, nas redes sociais etc. Ao contrário do que ocorre nas ditaduras explícitas, estamos sendo reprimidos por vizinhos e colegas de trabalho. Estamos diante de um “grande exército de repressores”, construído pela mídia golpista e por agentes públicos também golpistas. A divulgação ilegal de grampos, ocorrida ontem, foi um verdadeiro acinte aos direitos humanos mais elementares. Essa divulgação deveria causar repugnância e revolta a todos os brasileiros, mas foi aplaudida pelos repressores. Viu-se, também, uma aceitação pelos cidadãos comuns e alguma revolta contra os “grampeados”. Um Ministro do Supremo Tribunal Federal, em vez de condenar a ação ilegal, fez duras críticas a um cidadão que, em uma conversa pessoal, tem todo o direito de expressar sua opinião sobre a Suprema Corte. Um Senador da República, em vez de condenar a divulgação ilegal de conversas pessoais, disse que o fato já tinha ocorrido. Dessa forma, os efeitos desse fato não podiam ser desconsiderados. Para se evitar a consumação do golpe, é necessário sair da polarização entre os defensores do Partido dos Trabalhadores – PT e os contrários ao PT. Não se trata disso. Trata-se, simplesmente, de defender o Estado de Direito. Assim sendo, é fundamental que haja a mobilização da maioria do povo brasileiro, que não é fascista nem militante do PT. Nessa maioria, existem, com certeza, magistrados, juristas, cientistas políticas e autoridades governamentais que podem, sem paixão, condenar a ação de agentes públicos golpistas e dos grupos fascitas que estão dominando a cena nacional. Poderia ser formado um grupo apartidário de pessoas qualificadas e isentas para denunciar, tecnicamente, as grosseiras afrontas ao Estado de Direito que estão ocorrendo no País. O regime de exceção disfarçado de democracia precisa ser denunciado por pessoas de notório saber e reputação ilibada. Esse grupo poderia percorrer o Brasil numa verdadeira caravana cívica. Também poderia se buscar apoio de organismos internacionais. A própria imprensa internacional deveria ser procurada. Contra uma conspiração, são necessárias ações anticonspiratórias. O grande desafio é formar esse grupo e implementar ações concretas e coordenadas, pois temos diante de nós um “grande exército de repressores”.   (*) Paulo César Ribeiro Lima é engenheiro e especialista em Petróleo.

Na década de 1970, muitos estudantes temeram por ataques de agentes do Departamento de Ordem Política e Social – Dops; no ano de 1995, muitos empregados da Petrobras temeram pela ação dos tanques do Exército estacionados na Refinaria Duque de Caxias – Reduc; nas manifestações de ontem, em frente ao Palácio do Planalto, muitos brasileiros temeram pela ação de facistas que estavam nos arredores do Congresso Nacional.

Na realidade, são milhões de fascitas que, no dia a dia, reprimem a manifestação de não fascitas nos prédios residenciais, nos ambientes de trabalho, nas escolas etc. Talvez não sejam milhões de fascitas, mas milhões de pessoas que são conduzidas, até mesmo ingenuamente, por grupos fascitas. Esses grupos estão na mídia, nas associações, nas redes sociais etc.

Ao contrário do que ocorre nas ditaduras explícitas, estamos sendo reprimidos por vizinhos e colegas de trabalho. Estamos diante de um “grande exército de repressores”, construído pela mídia golpista e por agentes públicos também golpistas.

A divulgação ilegal de grampos, ocorrida ontem, foi um verdadeiro acinte aos direitos humanos mais elementares. Essa divulgação deveria causar repugnância e revolta a todos os brasileiros, mas foi aplaudida pelos repressores. Viu-se, também, uma aceitação pelos cidadãos comuns e alguma revolta contra os “grampeados”.

Um Ministro do Supremo Tribunal Federal, em vez de condenar a ação ilegal, fez duras críticas a um cidadão que, em uma conversa pessoal, tem todo o direito de expressar sua opinião sobre a Suprema Corte.

Um Senador da República, em vez de condenar a divulgação ilegal de conversas pessoais, disse que o fato já tinha ocorrido. Dessa forma, os efeitos desse fato não podiam ser desconsiderados.

Para se evitar a consumação do golpe, é necessário sair da polarização entre os defensores do Partido dos Trabalhadores – PT e os contrários ao PT. Não se trata disso. Trata-se, simplesmente, de defender o Estado de Direito.

Assim sendo, é fundamental que haja a mobilização da maioria do povo brasileiro, que não é fascista nem militante do PT. Nessa maioria, existem, com certeza, magistrados, juristas, cientistas políticas e autoridades governamentais que podem, sem paixão, condenar a ação de agentes públicos golpistas e dos grupos fascitas que estão dominando a cena nacional.

Poderia ser formado um grupo apartidário de pessoas qualificadas e isentas para denunciar, tecnicamente, as grosseiras afrontas ao Estado de Direito que estão ocorrendo no País. O regime de exceção disfarçado de democracia precisa ser denunciado por pessoas de notório saber e reputação ilibada.

Esse grupo poderia percorrer o Brasil numa verdadeira caravana cívica. Também poderia se buscar apoio de organismos internacionais. A própria imprensa internacional deveria ser procurada. Contra uma conspiração, são necessárias ações anticonspiratórias.

O grande desafio é formar esse grupo e implementar ações concretas e coordenadas, pois temos diante de nós um “grande exército de repressores”.

 

(*) Paulo César Ribeiro Lima é engenheiro e especialista em Petróleo.