Há 41 anos, Brizola retornava do exílio apesar da ditadura


Wellington Penalva
06/09/2020

A permissão para entrar no País veio no último momento, duas horas antes que o bimotor Piper pousasse em Foz do Iguaçu. A lei da anistia já vigorava, mas os generais do decadente regime militar ainda temiam aquele que era considerado o pior inimigo da ditadura. Às 17h25 do dia 6 de setembro de 1979, encerrava o mais longo exílio de um político brasileiro: Leonel de Moura Brizola retornava ao Brasil, 15 anos depois de ter sido obrigado a deixá-lo.

“Aqui chegamos com o coração cheio de saudade, mas limpo de ódios”, disse Brizola ao retornar. O trabalhista chegava ao país esperançoso pela atmosfera de redemocratização que crescia no Brasil. “Venho para tratar do ressurgimento da nossa causa”, proferiu se referindo a reformulação do trabalhismo que, no ano seguinte, seria abrigado na nova sigla: PDT – Partido Democrático Trabalhista.

Leonel Brizola se tornou o pior inimigo dos militares golpista antes mesmo de concluírem o golpe, em 1964. Por meio da Campanha da Legalidade, em 1961, ele impediu que tomassem o poder e garantiu a posse de João Goulart como presidente da República. Três anos mais tarde, quando depuseram Jango, Brizola teve de deixar o país para se exilar primeiro no Uruguai, depois nos Estados Unidos e, por último, em Portugal.

Veja abaixo registro do retorno de Leonel Brizola.