Darcy
Ribeiro
Segunda
Carta de Pero Vaz de Caminha, a El Rei,
Escrita da Novel Cidade de Brasília com
a data de 21 de Abril de 1960
Por
Darcy Ribeiro
Senhor:
Escrevo
esta carta para vos dar conta dos sucessos da terra de Vera
Cruz desde o dia de seu achamento até a construção
desta Brasília onde agora me encontro. Eu a tenho,
Senhor, por derradeiro feito e última louçania
da gente de cepa e me empenharei em bem descrevê-la,
nada pondo ou tirando para aformosear nem para enfear, mas
só praticando do que vi, ouvi ou me pareceu.
O
estar entre gentes que só têm olhos para o
amanhã, em que o destino é feito todo dia
e refeito ao amanhecer, talvez apicasse a veia profética
que me pulsava em quinhentos. Serão augúrios,
Senhor, nunca presságios, ou serão dificuldades
de testemunhar veraz em terra que já não distingue
o era do é e do será. Jardins vejo e me apontam
que não passam de terra revolta, avenidas monumentais
que são mais grama e macega e lagos portentosos onde
a águainda é bem pouca.
Este
é um mundo todo novo em que pouco reconheço
do que vi e experimentei outrora. Aquele que traçou
Tordesilhas, repartindo a criação, hoje é
pastor de ovelhas, contente do seu ofício. As nações
são muito outras, tanto brigaram e depuraram que
na verdade duas apenas restam da porfia. Uma assenta ao
Nascente, a outra ao Ocidente, ambas as duas voltadas de
costas disputando um rodeio de rojões. Os povos assuntam
com cautela, por saber soltará o rojão mais
medonho e nisto as duas muito se empenham.
Mas
o ofício de escrivão é tratar do que
vê , não do sente ou supõe . Portanto
, do que hei de falar começo e digo :
Porque
entre as gentes vejo uns quantos trigueiros que certamente
têm os mais dos seus avós enterrados em África
. Andam porém , tão indiferenciados entre
todos , tão seguros de si e tão bem falantes
de nossa língua que encanta vê-los Sobre tudo
a elas .Têm feições bem tostadas , assim
morenas , assim tisnadas , bons rostos e bons narizes ,
bem feitos . Andam lânguidas como se bailassem e com
tanta graça natural que suponho não haja nesta
terra maravilha que a elas se compare .
Creio
mesmo que o feito maior da gente lusitana foi essa misturação
de sangues , tanto pelo regalo que se houve em obrá-la
como e principalmente pelas criaturas que gerou . Só
elas , na verdade , perdoam sem haver gastado aquela indiana
louçã que topei pelas costas nos idos de quinhentos
louvei com tanto ardor .
Agora
todas se cobrem de telas , mas com tal arte e malícia
que mais despidas parecem . E se alguma cousa perderam da
inocência com que d`antes se mostravam com as vergonhas
tão nuas , muitos ganharam na desenvoltura e na graça
que usam , agora , para , embuçando-as , mais a revelar
.
É
de vê-las , Senhor meu Rei , pela manhã quando
acordam , ainda esgazeadas da noite . No correr do dia ,
gentis , luzindo em formosura , fazendo e desfazendo , falando
ou caladas, sem nenhuma esquivança .E à noite
, ó senhor meu Rei , à noite um homem carece
de muita vergonha para conter se na lei divina e só
cuidar da multiplicação.
Se
me alongo em matéria assim amena é porque
muito me compenetro da devoção vossa feito
pelos lusitanos e para que mais se avivente a memória
de quanto desta fartura de graça se deve a Portugal
E também porque entendo e quero se entenda o progresso
que a criação , mercê de Deus , experimentou
neste séculos . Por muito que puxe pela memória
, recordando as raparigas do Porto e as de Lisboa, então
aos meus olhos , força é convir que eram bem
pouco diante dessas moças moças brasileiras
. E aqui mesmo estão homens bons , maduros e velhos
, sobretudo estes a , a testemunhar comovidos que de geração
a geração mais elas se aldegaçam e
mais graças acrescentam sobre o despotismo de graça
que hão .
Já
ninguém aqui se usa adereços de penas , nem
quartejar o corpo com tinturas . Mas muita usança
do gentio , em lugar de perecer como soía , por toda
a terra se alastrou . Canudos esfumacentos que vi chupados
por bruxos índios andam hoje na boca de homem e de
mulher e todos rescendem à fumaça .As raízes
que cuidei fossem inhames são muito cultivadas para
delas se fazer uma farinha de pau que é o pão
dos pobres . Dos mesmos índios tomaram variedades
de plantas fruteiras e de grão , tralhas para todo
uso e até muito nome bárbaro que usam entremeando
na fala , pra desespero do meu entendimento.
Dos
presságios que fiz em quinhentos , nenhum desmereceu
.
Avezados
no vinho , a ele tão bem se acostumaram que hoje
machos e fêmeas se embriagam com muita porfia e deleite
. A cordura que neles vi ainda sobeja , hoje como antes
andam mui mansos e brandos
Mas
é de assinalar , como a obra mais de vantagem que
nesta terra se logrou , o alargamento de nossa santa fé
. Ninguém há pagão entre eles . Muitos
são até crismados e os amásios , podendo
, quase todos se casam . São contritos e mui devotos
. Mas , senhor ,este alargamento de fé fez com tamanha
misturação de idolatrias d´África
e abusões da terra que me enche o peito de piedade
e mor espanto . Se este povo continua crescendo ao passo
de agora , breve veremos em cruzadas a pregar pelo mundo
todos os nomes santos-homens emparelhados com outros de
mui baixa extração . Falsas santidades , antes
desconhecidas , como esta tocante Iemanjá , combinação
de Virgem , de santa e de sereia , trazem empós si
, atadas , inteiras multidões , nas quais vejo ,
contristado , muitos veros lusitanos . Neste lago de Brasília
, ainda nem bem formado , já os ritos de Iemanjá
abalam as noites e nem eu , Senhor , padeço não
vê-los , tanto encantam a olhos de velho navegador
.
Toda
a gente aqui tem por muito certo e provado ser esta Brasília
o prodígio dos tempos . Para provar quanto siso tem
este juízo devo contar a história de dois
homens de gênio e de um herói que implantaram
esta cidade no chão das coisas existentes .
O
primeiro é Lúcio Costa , riscador de ofício
e homem de muita arte . Segundo contam , cinco dias se fechou
ele numa grota , em jejum de tudo , para esquecer todas
as cidades jamais inventadas .
Cumprida
a penitência , comprou por doze mil réis uma
tira de papel e nela debuxou , displicente , a cidade que
não era , nem se supunha .
E
tão candidamente desvencilhou se que nuca obra tão
breve gerada a tantos a tão longamente ocupou e tanto
ocupará .
O
segundo gênio é um homem sagaz , um novo Israel
, doutor em dinheiros . Muita lição têm
seus serviços que não pode ser esquecido nesta
crônica . Sua invenção maior , batizada
NOVACAP , constituiu em tomar um, vasto chão despido
de um tudo , tirá-lo a seus donos , por força
da lei , em troca de trinta dinheiros , que era muito mais
do que valia . Depois , declarando o mesmo chão assento
de grande capital , passa a vender nesgas dele a preços
de Muita usura .Isto foi só o começo . Como
as vendas tardassem e fossem a prestação,
tendo a obra a construir e seu amo a resmungar . Israel
se lança à façanha mais ousada . Faz-se
homem de sindicâncias e logo descobre dívidas
enormes que não se deviam , mas o governo é
que devia .Endemoniado , sai no encalço dos credores
, promete mui pronto pagamento aos juros daquelas dívidas
todas , desde que o dinheiro lhe dessem para as obras de
Brasília . Troca , assim , o matreiro , dívidas
velhas caducas por dívidas novas em flor .
Tudo
somado deu , meu Rei ,deu dinheirama tamanha que careceu
fazer Israel um encanamento que da boca do tesouro desemboca
na Brasília . Diante dessa chuva de ouro que cai
de dia e de noite , nada são os por quintos que tantos
nos amargaram . O que nos faltou na , verdade , foi um Israel
como este , no tempo em que desmontávamos morrarias
e esgravatávamos grupiaras por estes brasis afora
.Sem suor , sem cativeiro , sem quintos e inconfidentes
, Israel inventou a maior mina que este país já
ouve , ganhou fama e será comendador , pois diz ventos
que seu gênio custeou sem gastos para o orçamento
, a construção dos palácios , das casas
das ruas , das praças e de tudo que faz Brasília
orgulho dos brasileiros .
Seria
injusto esquecer que de tudo isso , o maior culpado é
certo David Kubitschek , homem de muito engenho . Dele louvam
feitos de tantos que me contentarei com a menor parte ,
só vos dizendo do que vi ou foi me contado .
Qual
um segundo Golias , velho e descadeirado, ressonava este
país, deitado na praia de Copacabana . Bem que tinha
seu conforto , confiado que estava no provedor das vestes
dos lírios , gozando os dengos de Gudin , a lhe catar
os piolhos e o doca afago de Mc-Hower , a lhe fazer cafuné
. eis que surge o tal David , irmão de Macunaíma
, sem pedras nem fundas , só armado de febre , a
palavra fácil e um chuço de índio .
Cutuca que cutuca , até o gigante virar. Agora ,
de costas para o mar-oceano . Golias boceja para , voltado
para o mar do sertão . Qualquer nova cutucada o colocará
sobre os pés e , então os quatro grandes mundos
serão sete , dezessete ou nenhum.
O
primeiro gesto de Golias em sua nova postura foi reclamar
para pouso esta cidade impossível . Aqui a tenho
agora , desdobrada neste campo palma , levemente ondulado
, no planalto de Goiás . Por onde quer que me vire
e só mataria meã e enfezada , todo ano corrida
de fogo do campo .
É
de vê-la , Senhor , no deserto em que foi plantada
, como ilha perfeita no mar da miséria goiana . Bem
sei quanta ousadia gastamos por este mundão afora
e aqui mesmo quando edificamos a Bahia dos Santos e dos
pecados , de casa voltada pr´África , a preterida
cidade do Rio de Janeiro , a esquecida são Luiz do
Maranhão , a combalida Nossa senhora de Belém
do Grão Pará , na boca do rio mar . Todas
elas e muitas outras foram plantadas ali onde estão
por um ato de vontade, Mandando que fossem feitas para cumprir
destino deliberado. Esta Brasília, porém,
escapa às medidas de tudo que já foi feito.
Nasceu madura, sisuda e monumental., embora também
aprazível e até desvairada. E com a destinação
ambiciosa de desenraizar esse Brasil da praia e mudá-lo
para o sertão bruto.
Aqui
tenho ao meu lado o mestre Lúcio Costa a explica-la:
sua forma é a de uma cruz assentada no chão.
No topo, um terraplano triangular para ser a cabeça
desta urbs e do país. È a praça dos
Três Poderes. Nela se alevantam, altaneira, a casa
em que se fará a lei e nos vértices opostos,
acachapados, aquelas em que se dará cumprimento ou
se combrará o descumprimento dela. Tudo feito a capricho
para ter soberbia. Não se puseram bancos, nem encosto,
nem adornos para que todos ali estejam sempre de pé,
em prontidão, como convém.
Para
dar um tom brasileiro a cenáculo assim solene, plantou-se
um buritizal, proibindo-se, porém, a senadores gaúchos
aí amarrar seus corcéis e a deputados cearenses
entre os troncos estender suas redes. Tomou-se, também,
o cuidado de, ao pé de arrimo, onde se estende larga
campina, plantar grama intervalada de colonhão, para
que pasto não falte, em caso de necessidade.
Destacada,
como convém a um quaro poder, se alça a catedral,
excêntrica à Praça Maior. Não
há como vos dar uma imagem dela, tão inusitado
é o gosto e o capricho de Oscar, riscador de tudo
de bom, e responsável por tudo de ruim que aqui se
edificou. Deste homem tanto se houvera de falar que melhor
é calados que ficarmos no coro-e só dizer
que, arquiteto do ultimo Faraó, trabalhou pelo avesso,
pois, em lugar de construir túmulos de reis, plantou
aqui o futuro.
Mas
voltemos à cruz. A seus pés, oposta à
Praça dos Três Poderes, o juízo mandou
botar, num largo, a polícia, os bombeiros e, sobretudo,
um hospício espaçoso. Entre as duas praças,
corre, obra de meia légua, a Avenida Monumental,
aí desfilam hoje os ministérios e amanhã
se enfilarão os bancos, o grande comércio
e as casas de folgança.
Os
brcos da cruz, seu tanto arqueados, formam o venam da cidade.
Aí correrão, em louca disparad , veículos
motores em pistas que, para nunca se entrecruzarem, englananm-se
em laçadas francesas, investem no chão adentro
ou saltam em pontes sobre o vazio. Ao longo desta azáfama,
dispõem-se grandes quadrados, emoldurandos em cintas
de arbustos que serào árvores amanhã.Dentro
deles há de viver e morrer o comum da gente, engavetada
em escaninhos suspensos, mas tendo por consolo o chão
conquistado para espairecer sem temor dos monstros mecânicos.
Os
burocratas infantes, com menos de sete anos, terão
dentro das quadras arremedos de escolinhas para brincar
com o tio Augusto Rodrigues. Os mais crescidinhos, a um
passo da casa, quatro horas estudarão e mais quatro
folgarão, atravessada uma alameda, numa escola-oficina-gandaia
inventada por Anísio Teixeira para fabricar gente
que melhor suporte e sustente o progresso do Brasil. Aos
mais taludos, capazes de atravessar a rua dos loucos, prometem
uma escola-escada, pela qual cada um há de subir
segundo o peso de seu talento.
Devo
dizer, Senhor, que a meu pesar, tudo isto, como o mais,
são augúrios de monens de muita fé.
De
Brasília resta conta que é morada do Rei aqui
chamado de Presidente, quele que a si mesmo se escolhe para
dirigir o país após, peleja e ganha dos outros
que a si também se escolheram. Para conforto deste
personagem, Oscar edificou um palácio de alvorada,
táo improvável que apenas poisa no chão.
É de tal forma inconsútir, airoso e etéreo
que quem hojeo vê, cuida, amanhã, que sonhou.
Para as abluções senhoris e outras conveniências,
colocaram-se junto àsalcovas uns quarto de mármores
e ferros, com cisternas e borrigéis que já
não se podem gastar, tanto é o povo que acorre,
noite e dias a vë-los.
Esta
é, Senhor, a cidade-máquina para os homens
multidão deste século. Não cuidei que
eles sejam de engonço, mas tanto diferem da gente
do nosso tempo e tanto se obstinam neste descaminho que
breve não nos terão por avós.
Ignoro
como isto principiou. Suponho que sejam efeitos de umas
bolandeiras de ferro que os ingleses inventaram. Tanto estas
máquinas se multiplicaram, e com elas os homens,
que hoje há enorme fartura de gente no mundo. É
tanta e tãoesganada que para sustetá-la a
contento só entregando o serviço brutoà
maquinaria. Para abrigar tanto povo as cidades incharam,
o casario amontoou-se, casa por cima de casa, que hoje qualquer
delas faz sombra `Torre de Belém.
Este
Brasil, tão nosso no que fomos, fugiu quanto pôde
a tamanhabusversão.Mas a tempo vislumbrou que, crescendo
seu povo um Portugal a cada ano, se continuasse contido
no tyrabalho de duas mãos , breve teria apenas miséria
pra dividr entre tantos. Chegara-se já a um ponto
em que, com fartura, só havia mesmo gente de mui
triste condição. Como este é artigo
que americano não compra por dólar tratava-se
de empregá-lo no enricamento do país.Serviço
é que carecia, pois vaga mesmo só tinha na
carreira de padre e justamente para isto o Criador mal dotou
os brasileiros, gente de muita fé, mas de pouca compostura.
Daí
foi que surgiu o tal David, Dubsticheck, pregador muito
eloquente. Começou por dizer e fazer acreditar que
de dias faria meses, de meses, anos inteiros, e que dinheiro
fabricaria para encher todos os bolsos. Com tal afoiteza
de fala, ainda maior de andarilho e muita malícia
mineira, tirou deste povo o descanso. De suas obras muitas,
só bem poucas posso aqui enumerar. O rio mais comprido
desta terra, que se acabava em rego sestroso, êle
inflou de áquas vivias e transmudou em estrada sem
tamanho. Represou córregos e ribeirões, alagando
mundões de terra, depois sangrou e o salto das águas
fez trabalhar cativo para alumiar mil lugares e mover maquinaria.
Forjou ferrou com modéstia porque mineiro não
acredita nisto e por tamanha asneira tem sido muito xingado.
Mais
grava é o que êle não fez, por puro
temor de uma casta de maus donos que desgraça este
país. Desde os ermos de Brasília e pra diante
e pra trás há aqui terras sem dimensão,
mas são todas possuidas de denos tão ciosos
quão ociosos.Raros deles lavram as terras e uns poucos
dizem que criam. Uns e outros mentem porque nunca quem lavra
é o dono e os criadores daque na verdade são
é criados pelas alimárias do campo. Seu serviço
consiste tão-só em colher o fruto, quando
a chuva do céu engorda o pasto da terra e com ele
suas boiadas.
Nesta
terra de tal maneira graciosa que, querendo aproveitar,
dar-se-á nela tudo, periga o povo padecer de muita
fome por falta de um homem com disposi
ão de
recordar aos tais donos as condições em que
tanta terra se deu. Os títulos de sesmaria e aqueles
que elas geraram, entregavam terras para que se gastasse
com suor próprio ou encomendado. Segundo a mim me
parece, mas não ao tal David, Kubstschek,falta a
este Brasil uma lei de muito arrôcho que aos donos
detenha na firgura de senhores das suas terras pelo muito
que prezam aos títulos e porque este é o único
modo porque sabem possui-las. Mas com ordem mui severa de
que nenhum destes donos possa ninguém obstar o uso
das ditas terras que eles não queiram lavrar e que
disto não poderão haver fruto algum.
Este
David fez outras coisas tais e tantas, aos ricos tanto enricou,
aos pobbres tanto empregou que, hoje, muito o querem praRei.
Disto o Brasil está livre, diz lá ele, porque
só tendo filha mulher e sabendo da ojeriza deste
povo por genro, a tanto não se aventura.
Para
não romper uma tradição , esta carta,
como a primeira, encerra com um pedido, já não
pra meu genro, Jorge dÓsoiro, que no seu desterro
é mortoenterrado e esquecido e talvez até
perdoado de seus tantos pecados. Mas receberei com muita
mercë de V. Majestade,se alguma cousa meus serviços
vos merecem, a graça de intervir junto a J.K. para
que a esta Brasília não se negue uma Universidade
que seja nova como ela própria e capaz de difundir
pelo Brasil o espírito inovador que presidiu sua
construção. É pelos candangos que peço,no
temor de que cresçam como boçais, e pelo Brasil
que, depois de padecver tanto governo com mentalidade de
asfalto, não merece sofrer outros tantos com mentalidade
de capim. E também por Ciro dos Anjos, mortificado
no temor de voltar, na velhice, às conversas belo-horizontinas
, à porta da farmácia, sobre operações
de apendicite pelo espiritismo.
Estes
e maiores danos só se logrará evitar desatando-se
a vontade daquele que fez Brasília, mas parece querê-la
tacanha e incapaz de multiplicar-se por si mesma.
Desta
cidade-capital, no mês de Abril do Ano da Graça
de 1960, augura ao Rei Saude e Fraternidade, o cidadão
do Porto
Pero
Vaz de Caminha / pela cópia, DARCY RIBEIRO
*
Publicado no Jornal Fogo Cerrado - Novembro 2000 - Brasília
DF