Darcy
Ribeiro
O
Brasil como problema
Por
isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é, um moinho de gastar
gentes. Construímo-nos queimando milhões de índios. Depois,
queimamos milhões de negros. Atualmente, estamos queimando,
desgastando milhões de mestiços brasileiros, na produção
não do que eles consomem, mas do que dá lucro às classes
empresariais
Capítulo
do livro de Darcy Ribeiro, O Brasil como Problema, editado
em 1995, no Rio de Janeiro.
Ao
longo dos séculos, viemos atribuindo o atraso do Brasil
e a penúria dos brasileiros a falsas causas naturais e históricas,
umas e outras imutáveis. Entre elas, fala-se dos inconvenientes
do clima tropical, ignorando-se suas evidentes vantagens.
Acusa-se,
também, a mestiçagem, desconhecendo que somos um povo feito
do caldeamento de índios com negros e brancos, e que nos
mestiços constituímos o cerne melhor de nosso povo.
Também
se fala da religião católica como um defeito, sem olhos
para ver a França e a Itália, magnificamente realizadas
dentro dessa fé.
Há
quem se refira à colonização lusitana, com nostalgia por
uma mirífica colonização holandesa. É tolice de gente que,
visivelmente, nunca foi ao Suriname.
Existe
até quem queira atribuir nosso atraso a uma suposta juvenilidade
do povo brasileiro, que ainda estaria na minoridade. Esses
idiotas ignoram que somos cento e tantos anos mais velhos
que os Estados Unidos.
Dizem, também, que nosso território é pobre - uma balela.
Repetem, incansáveis, que nossa sociedade tradicional era
muito atrasada - outra balela. Produzimos, no período colonial,
muito mais riqueza de exportação que a América do Norte
e edificamos cidades majestosas corno o Rio, a Bahia, Recife,
Olinda, Ouro Preto, que eles jamais conheceram.
Trata-se,
obviamente, do discurso ideológico de nossas elites. Muita
gente boa, porém, em sua inocência, o interioriza e repete.
De fato, o único fator causal inegável de nosso atraso é
o caráter das classes dominantes brasileiras, que se escondem
atrás desse discurso. Não há corno negar que a culpa do
atraso nos cabe é a nós, os ricos, os brancos, os educados,
que impusemos, desde sempre, ao Brasil, a hegemonia de uma
elite retrógrada, que só atua em seu próprio beneficio.
O
que temos sido, historicamente, é um proletariado externo
do mercado internacional. O Brasil jamais existiu para si
mesmo, no sentido de produzir o que atenda aos requisitos
de sobrevivência e prosperidade de seu povo. Existimos é
para servir a reclamos alheios.
Por
isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é, um moinho de gastar
gentes. Construímo-nos queimando milhões de índios. Depois,
queimamos milhões de negros. Atualmente, estamos queimando,
desgastando milhões de mestiços brasileiros, na produção
não do que eles consomem, mas do que dá lucro às classes
empresariais
Não
nos esqueçamos de que o Brasil foi formado e feito para
produzir pau-de-tinta para o luxo europeu. Depois, açúcar
para adoçar as bocas dos brancos e ouro para enriquecê-los.
Após a independência, nos estruturamos para produzir algodão
e café. Hoje, produzimos soja e minério de exportação. Para
isso é existimos como nação e como governo, sempre infiéis
ao povo engajado no trabalho, sofrendo fome crônica, sempre
servis às exigências alheias do mercado internacional.
O mercado internacional, que nos viabiliza no plano econômico,
é a peia que nos ata ao cativeiro e à pobreza. É necessário
que seja assim? Por que outros povos que, no passado, foram
mais pobres e menos ilustrados, como é o caso dos Estados
Unidos, nos passaram à frente?
Qual
é a causa real de nosso atraso e pobreza? Quem implantou
esse sistema perverso e pervertido de gastar gente para
produzir lucros e riquezas de uns poucos e pobreza de quase
todos?
Como uma das principais nações pobres do mundo, estamos
desafiados, até internacionalmente, a buscar e encontrar
caminhos de superação do subdesenvolvimento autoperpetuante
em que fornos todos metidos pela política econômica das
potências vitoriosas no pós-guerra. Tanto mais porque não
há, em nenhum lugar da Terra, um modelo comprovadamente
eficaz de ação contra a crise político-econômica em que
estamos afundados.
O
mundo subdesenvolvido tem os olhos postos em nós. Espera
do Brasil alguma solução para nossos problemas comuns. Todos
já suspeitam que, persistindo no papel de proletariados
externos dos povos ricos, nos perpetuaremos na pobreza.
Todos perguntam: como romper com essa perversão econômica
e com a tragédia social que dela decorre para duas terças
partes da humanidade?
É
impossível nos isolarmos do mercado mundial, que nos viabiliza
economicamente. Mas se é impossível o isolamento, é pelo
menos suicida a postura dos que querem continuar regidos
tão rigidamente pelo mercado internacional, que torna inalcançável
uma prosperidade generalizável a todos os brasileiros.
O
desafio que enfrentamos é, pois, o de conquistar uma nova
forma de intercâmbio internacional, (que não seja tão onerosa
para nós. Isto importa em reordenar as forças produtivas
para que elas atendam primacialmente às necessidades nacionais
de prover nutrição, assistência, moradia, educação a toda
a população, e à necessidade, também imperativa, de produzir
divisas para atuarmos dentro do mercado mundial, comprando
tecnologias.
Queremos,
do capitalismo, o que ele deu à América do Norte ou à Austrália,
por exemplo, como economias situadas no mercado mas sabendo
tirar dele proveitos próprios. Nenhuma outra nação conseguiu
tanto quanto eles e, provavelmente, só o Brasil tem condições
de repetir a façanha, graças à nossa disponibilidade de
recursos naturais, de terras agriculturáveis e de mão-de-obra
qualificada.
A
tarefa deles foi bem mais simples que a nossa, porque são
meros transplantes sensaborões (1.1 Europa, que limparam
o seu território dos nativos e reconstituíram a paisagem
de onde vieram. No nosso caso, trata-se ele criar um Povo
Novo pela fusão de matrizes muito diferenciadas, que dará
lugar a tini novo gênero de sociedade. Nossas potencialidades
vêm sendo coactadas, de um lado, pela armadilha em que caímos
ao aceitar formas de intercâmbio internacional que nos empobrecem.
Isso era inevitável, porque partimos da condição de um proletariado
externo, cuja mão-de-obra não existia para si mas para produzir
gêneros exportáveis, Nossas classes dominantes só sabiam
mesmo fazer isso, porque eram, de fato, representantes locais
cio mercado internacional. De outro lado, vem sendo coactadas
pelo monopólio da terra e sua conseqüência principal, que
foi urbanização caótica, devida ao translado de 100 milhões
de brasileiros para a vida famélica das cidades. Essa massa
humana, que é a parte substancial de nosso povo, jamais
terá acesso aos bens da civilização enquanto nossa economia
estiver enquadrada nas diretrizes que as elites nos impõem.
Causas
e Culpas
Vivemos,
nós brasileiros, uma conjuntura trágica. 0 próprio destino
nacional está em causa e é objeto de preocupação da cidadania
mais lúcida e responsável. O aspecto mais grave e inquietante
da crise que atravessamos é de natureza política. Frente
a ela, as diretrizes econômicas, postas em prática por sucessivos
governos, se caracterizam por uma incrível teimosia na manutenção
de uma institucionalidade fundiária que condena o povo ao
desemprego e à fome, pela mais crua insensibilidade social,
por um servilismo vexatório diante de interesses alheios
e pela mais irresponsável predisposição a alienar as principais
peças constitutivas do patrimônio nacional.
Outra
característica é sua animosidade frente ao Estado, visto
como a fonte de todos os males. Será assim? Onde, nesse
mundo, uma economia nacional floresceu sem um Estado que
a conduzisse a metas prescritas? Onde estão esses empreendedores
privados cuja sanha de lucrar promoveria o progresso nacional?
Crerão esses fanáticos do neoliberalismo que o estado gerencial
das multinacionais - que são entre nós o setor predominante
das classes empresariais -se comove pelo destino nacional?
O
que cumpre fazer em nosso País não é nenhuma modernização
reflexa, dessas que atualizam um sistema produtivo apenas
para fazê-lo mais eficaz no papel de provedor ele bens para
o mercado mundial. É, isto sim, um salto evolutivo à condição
de economia autônoma que exista e viva para si mesma, isto
é, para seu povo. Para tanto, temos é que nos associar aos
outros povos explorados, para denunciar e por um termo à
ordem econômica vigente que faz os povos pobres custearem
a prosperidade dos povos ricos através de um intercâmbio
internacional gritantemente desigual.
Sobre
essas bases é que se tem, necessariamente, de formular nosso
projeto próprio de integração do Brasil na civilização pós-industrial,
sempre atentos aos interesses nacionais, priorizando sempre
o desenvolvimento social, ou seja, os interesses populares.
A via da modernização reflexa pelo desenvolvimento dependente
só nos faria fracassar na civilização emergente, tal como
fracassamos ao tios integrarmos, por este mesmo caminho,
à civilização industrial.
Só
nós brasileiros, podemos definir esse projeto do Brasil
que que ser. Não será, obviamente, o Brasil desejado pela
minoria próspera que esta contentíssima com o Brasil tal
qual é, e que só quer mais do que já tem. Mas o Brasil dos
explorados e oprimidos que o modelo econômico vigente já
levou a níveis incomprimíveis de miséria e desespero.
Somos
Todos Culpados
Nunca faltaram vozes de denúncia desse caráter cruel de
nossa sociedade. Inclusive vozes de reconhecimento de que
é à nossa elite que ternos de debitar o desempenho medíocre
do Brasil na civilização vigente. Cabe, agora, à nossa geração
perguntar que culpa temos, enquanto classe dominante, no
sacrifício e no sofrimento do povo brasileiro. Somos inocentes?
Quem, letrado, não tem culpa neste País dos analfabetos?
Quem, rico, está isento de responsabilidades neste País
da miséria? Quem, saciado e farto, é inocente neste nosso
País da fome? Somos todos culpados.
Nossos
maiores, primeiro, nós próprios, depois, urdimos a teia
inconsútil que é a rede em que nosso povo cresce constrangido
e deformado. A característica mais nítida da sociedade brasileira
é a desigualdade social que se expressa no altíssimo grau
de irresponsabilidade social das elites e na distância que
separa os ricos dos pobres, com imensa barreira de indiferença
dos poderosos e de pavor dos oprimidos.
Nada
do que interessa vitalmente ao povo preocupa de fato à elite
brasileira. A quantidade e a qualidade da alimentação popular
não podia ser mais escassa, nem pior. A qualidade de nossas
escolas, a que o povo tem acesso, é tão ruim, que elas produzem
de fato mais analfabetos que alfabetizados.
Os serviços de saúde de que a população dispõe são tão precários
que epidemias e doenças já vencidas no passado voltam a
grassar, como ocorre com a tuberculose, a lepra, a malária
e inumeráveis outras.
A
solução brasileira para a moradia popular, na realidade
das coisas, é a favela ou o mocambo. Não conseguimos multiplicar
nem mesmo essas precaríssimas casinhas de maribondo dos
bancos da habitação e das caixas econômicas.
Nossa
elite, bem nutrida, olha e dorme tranqüila. Não é com ela.
Desafortunadamente, não é só a elite que revela essa indiferença
fria ou disfarçada. Ela se espraia por toda a opinião pública,
como hedionda herança comum de séculos de escravismo, enormemente
agravada pela perpetuação da mesma postura ao longo de toda
a república.
A
triste verdade é que vivemos em estado de calamidade, indiferentes
a ele porque a fome, o desemprego e a enfermidade não atingem
os grupos privilegiados. O seqüestro de um rapaz rico mobiliza
mais os meios de comunicação e o Parlamento do que o assassinato
de mil crianças, o saqueio da Amazônia, ou o suicídio dos
índios. E ninguém se escandaliza, nem sequer se comove com
esses dramas.
A
imprensa só protesta mornamente e o faz quando ecoa o que
se divulga lá fora. Parece haver-se rompido o próprio nervo
ético da nossa imprensa, que nos deu, no passado, tantos
jornalistas cheios de indignação em campanhas imemoráveis
de denúncia de toda sorte de iniqüidade. Hoje, quem determina
o que se divulga, e com que calor se divulga qualquer coisa,
não são os jornalistas, é o caixa, é a gerência dos órgãos
de comunicação. E esta só está atenta as razões do lucro.
O
que foi feito para pôr cobro a essa situação de calamidade?
Na realidade dos fatos, nada foi feito. As vozes e o poderio
dos que defendem os interesses do privatismo e as razões
do lucro sobrepujam o clamor pelo atendimento das necessidades
mais elementares do povo brasileiro. Nada é mais espantoso
em nossos dias do que o fato de que quase ninguém se rebele
contra o horror da paisagem humana do Brasil. Estamos matando,
martirizando, sangrando, degradando, destruindo nosso povo!
O conjunto das instituições públicas e das empresas privadas
dessa nossa ingrata Pátria brasileira cios anos 90, o que
faz, efetiva e eficazmente, é gastar o único bem que resultou
de nossos séculos desta triste história: o povo brasileiro.
Somos, hoje, uma parcela ponderável da humanidade. Somamos
mais de cento e sessenta milhões de brasileiros. Seríamos
uma latinidade nova e louçã se alcançássemos coisas tão
elementares como todo brasileiro comer todo dia, toda pessoa
ter acesso a um emprego e toda criança progredir na escola.
Mas não há nada disso. Nem há qualquer perspectiva de que
isso se alcance em tempos previsíveis, pelos caminhos que
vimos trilhando.
O
lamentável é que temos tudo de que se necessita para que
floresça no Brasil uma civilização bela e solidária. Herdamos
uma das províncias maiores, mais belas e ricas do planeta.
Somos um povo movido por uma incansável vontade de viver
e de trabalhar, ativado pelo desejo mais intenso de felicidade,
animado por uma alegria inverossímil para quem enfrenta
tanta miséria. Contamos, ainda, com um corpo de empresários
e de técnicos motivados e qualificados para a empresa de
auto-superação que o Brasil tem que realizar.
Seremos
impotentes para realizar as potencialidades de nossa terra
e de nosso povo? É mesmo inevitável que continuemos enriquecendo
os ricos e empobrecendo os pobres? Existe, por aí, algum
projeto nacional alternativo, já formulado, que nos dê garantia
de redenção?
Reiterar
na rota política e no modelo de ação econômica que praticamos
só nos dá segurança de perpetuação do atraso e até mesmo
de genocídio, ou seja, de matança intencional do povo brasileiro,
que é o que está em curso.
A
ordem econômica vigente nada mais terna dar ao Brasil, senão
miséria e mais miséria. O modelo de capitalismo que se viabilizou
entre nós - aliás muito lucrativo - é impotente para criar
uma prosperidade generalizável a todos os brasileiros.
Genocídio
- estamos
matando nosso povo
A situação Brasil é tão grave que só se pode caracterizar
a política econômica vigente como genocida. Estão matando
nosso povo. Estão minando, carunchando a vida de milhões
de brasileiros. Desnutrida, desfibrada , nossa gente acabará
se tornando mentalmente deficiente para compreender seu
próprio drama e fisicamente incapacitada para o trabalho
no esforço de superação do atraso.
Vivemos
um processo genocida. O digo com dor, mas com o senso de
responsabilidade de um brasileiro sensível, ao drama de
nosso povo. O digo, também, como antropólogo habituado a
examinar os dramas humanos.
Vivemos,
com efeito, um processo genocida que faz vítimas preferenciais
entre as crianças, os velhos e as mulheres; entre os negros,
os índios e os caboclos.
Quantas
crianças brasileiras morrem anualmente de fome, de inanição
ou vitimadas por enfermidades baratas, facilmente curáveis?
Estatísticas estrangeiras, cautelosas, falam de meio milhão.
Estatísticas nacionais, menos cautas, contam mais ele oitocentas
mil. Quantas serão essas crianças que poderiam viver, e
morreram? Cada uma delas nasceu de uma mulher, foi amada,
acariciada numa família, deu lugar a sonhos e planos, nos
dias, nas horas, nas semanas, nos meses, nos breves anos
de sua vida parca. Seguindo a tradição, muita mãe chorou
resignada, achando que melhor fora que Deus levasse sua
cria do que a deixar aqui nesse vale de lágrimas.
Sobre
este drama tão brasileiro, se alça outro ainda maior. Impensável
há uns poucos anos. Indizível. Refiro-me ao assassinato
de crianças por aparatos parapoliciais. Uma vez, quando
chegava do exílio, vendo a miséria que se estendeu sobre
o País, multiplicando trombadinhas, previ, horrorizado,
que acabaríamos por ter uma guerra das Forças Armadas contra
os pivetes.
Essa
guerra atroz está em curso. Não é ainda uma operação militar
das Forças Armadas. Mas é já uma guerra cruenta contra a
infância e a juventude pobres, travada por organizações
paramilitares clandestinas. Consentidas pelo Governo. Ignoradas
pela Justiça. Apoiadas por pequenos empresários assustados
e por pessoas que se sentem inseguras, essas organizações
crescem, aliciando combatentes, vale dizer, criminosos,
para a triste tarefa de estancar a vida de milhares de crianças
e jovens vistos como perigosos.
Quantos jovens estamos matando a tiros cada ano? Ignoramos!
Os números internacionalmente difundidos e que nossa imprensa
repete falam de um pouco mais de quinhentos nas principais
cidades. Mas todos sabemos que seu número é muitíssimo maior.
Outras
vítimas desse genocídio são as mulheres brasileiras, mortas
em abortos malconduzidos. Também não sabemos contar os números
espantosos dessas brasileiras, morrendo ou se inutilizando
no esforço de não ter mais filhos. Quem assume a culpa de
suas mortes e do sofrimento de tantíssimas delas que, malcuidadas,
levam, vida afora, suas genitálias rotas e estropiadas?
Não há aqui um feio crime de conivência de quantos condenam
o aborto à clandestinidade?
Pior
ainda que esse genocídio, mil vezes pior para o destino
de nosso povo, é o caso daquelas mulheres, milhões delas,
induzidas a esterilizar-se em programas sinistros de contenção
da natalidade. Está em curso, em nossa Pátria, todo um enorme
e ricamente financiado programa internacional clandestino
de controle familiar pela esterilização das mulheres pobres,
sobretudo das pretas e mestiças. Seu êxito é tamanho que
se avalia já, oficialmente, com números do IBGE, em 44%
as mulheres brasileiras em idade fecunda já esterilizadas.
Castradas.
Esse número espantoso faz temer que já não sejamos capazes
nem mesmo de repor a população que temos. Acaso a população
brasileira excede aos recursos de nosso território? Não!
Decisivamente não. Nosso território fértil é maior que o
dos Estados Unidos e a população deles é o dobro da nossa.
Temos, portanto, ainda possibilidade de aumentar a nossa
participação no gênero humano. O que excede no Brasil é
a população marginalizada e excluída pela força de trabalho
pelo desemprego generalizado, provocado pelo sistema econômico
vigente, fundado na precedência do lucro sobre a necessidade.
Mas
há quem saiba muito bem quantos brasileiros, a seu juízo,
devem existir no ano 2050. Não só sabe, como atua para que
esse medonho número desejável deles se cumpra sobre nós.
Organizações estrangeiras e internacionais, atuando criminosamente
em nosso País, já esterilizaram mais de sete milhões de
brasileiras.
Fazem-no
através de médicos subornados que induzem suas clientes
a permitir que lhes seccionem as trompas no curso de partos,
realizados através de cesarianas. O Brasil, para escândalo
mundial e vergonha nossa, é o País em que mais se realizam
esses partos cirúrgicos. É, também, aquele em que mais vezes
se utiliza desse procedimento para esterilizar mulheres.
São
nacionais os tristes dinheiros desse suborno? Quem aprovou,
neste País, tal política demográfica? Que instituição suficientemente
autorizada e responsável decidiu quantos brasileiros existirão
no futuro? Alguém, clandestinamente, decidiu e esta aliciando
os capadores de mulheres Brasil adentro.
Quem
ponderou sobre os convenientes ou os inconvenientes de deixarmos
de ser uma população majoritariamente juvenil, para sermos
uma população majoritariamente senil? O que se está fazendo
ao esterilizar tão grande parcela de nossa população feminina
é forçar a optação por uma maioria de idosos.
Nosso
povo preservará, depois dessa drástica cirurgia, a vitalidade
indispensável para sair do atraso ou estará condenado a
afundar cada vez mais no subdesenvolvimento? Quem está interessado
em que o Brasil seja capado e esterilizado? Serão brasileiros?