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|Agenda|Partido|Brizola|Jango|Getúlio|Governo FHC|Parlamentares|Darcy|Programa|Juventude| Antes da vinda do Real II, é preciso saber o que foi o Cruzado II Os aumentos O Plano Cruzado, lançado pelo Governo Sarney, em fevereiro de 1986, foi o primeiro plano eleitoreiro de impacto com base na inflação zero. Sua duração foi breve (9 meses). Foi substituído pelo Plano Cruzado II, baixado seis dias depois de o Governo ter obtido a maior vitória eleitoral da história da República, no dia 15 de novembro daquele ano: a totalidade dos governadores, e quase dois terços da Câmara e do Senado e das Assembléias Legislativas (a eleição presidencial não estava em jogo). Com os salários congelados há nove meses, a população foi obrigada a arcar com os seguintes aumentos, num só dia: 60% no preço da gasolina; 120% dos telefones e energia; 100% das bebidas; 80% dos automóveis; 45% a 100% dos cigarros; 100% das bebidas. Como era de esperar, as reações populares ao Plano Cruzado II explodiram, tão logo o país percebeu que tinha sido vítima de um engodo eleitoral. E elas vieram de forma violenta e fulminante, seis dias depois da introdução do Plano Cruzado II;, a 21 de novembro de 1986. Uma manifestação em Brasília, que depois ficou nacionalmente conhecida como "Badernaço", no dia 27 de novembro daquele ano, degenerou em saques, depredações e incêndios, nas cercanias do centro do poder. Atônito, o Palácio do Planalto, até há pouco voltado para o cortejo das multidões, lança contra ela oito tanques de combate Urutu. Felizmente, não houve vítimas fatais, mas a revolta da multidão ficou marcada em dezenas de lojas e órgãos públicos depredados, vários ônibus incendiados e muitas prisões. O "mais popular dos presidentes da História da República brasileira", que tinha de assistir a uma missa na hora da manifestação, que se estendeu das 14 até às 22 horas, foi obrigado a recorrer aos Urutus e a outros efetivos do Exército, para fazer o trajeto do Planalto até Catedral. Cruzadinho - Na verdade, as desconfianças dos brasilienses começaram a se manifestar, desde a decretação do Cruzadinho, em fins de julho, quando houve o aumento dos preços dos carros e dos combustíveis em 30%, ao mesmo tempo que se alardeava uma Inflação Zero. Já naquela época, alguns manifestantes se concentravam no Palácio do Planalto, durante a Cerimônia da Rampa, chegada e saída do Presidente, para protestar, às vezes com xingamentos pessoais, contra a inflação sonegada. Os protestos foram tantos e expunham de tal forma Sarney, que a segurança do Palácio decidiu cancelar a cerimônia, sempre assistida pela família presidencial do meio da multidão, e que já se tornara uma atração turística em Brasília, toda quarta-feira. Ameaças ao Presidente - A explosão, entretanto, só foi ocorrer mesmo a partir do Pacote pós-eleitoral. O povo se sentiu revoltado e traído, porque, havia somente 12 dias, tinha dado a José Sarney a maior vitória eleitoral de todos os tempos. Era tal o grau de revolta do país, que o Presidente foi aconselhado a não mais comparecer a locais públicos. E sempre que não levava em conta essa recomendação, Sarney era vaiado, como ocorreu na viagem a Salvador e ao Nordeste, dias depois do Badernaço. A popularidade presidencial desceu a níveis mais baixos do que a de seu antecessor, o general João Figueiredo. Nunca mais, o Palácio do Planalto divulgou pesquisas sobre a popularidade de Sarney, que, segundo a pesquisa do Ibope;, divulgada na edição de O Globo, de três de julho de 1986, chegou a superar Deus, com 97,5%. A falta de rumos do governo da Nova República, o custo de vida cada vez mais insuportável e a absoluta falta de perspectiva de melhoras, irritou os empresários, que não se sentiam seguros para investir, e desesperou os trabalhadores, que além da perda real do salário, viam-se ameaçados de perder o emprego por causa da recessão, que passou a despejar milhares de desempregados nas ruas. Era este o caldo de cultura que estava por trás da
multidão que apedrejou o ônibus do Presidente nas ruas do Rio, a 25 de junho de 1987.
Uma massa enfurecida, abordou o Presidente, em frente ao Paço Imperial, na Praça XV,
centro da cidade. Isto foi o bastante para que o Palácio do Planalto denunciasse a manifestação como um atentado à vida de Sarney, por três do qual estaria o ex-governador Leonel Brizola, cujo partido, o PDT, juntamente com o PT e a CUT, tinha organizado a manifestação que descambara na agressão ao Presidente. Encontrou-se assim mais um pretexto para fustigar Brizola, sobretudo quando o Presidente brandiu a Lei de Segurança Nacional, que ele prometeu nunca usar e até revogar, logo que chegou ao governo. Numa atitude que foi aplaudida pelo PMDB, cuja cúpula considerou normal o uso da LSN, o governo da Nova República se valeu do que chamava de "entulho autoritário", para invadir residências e prender gente sem mandado judicial. Dois militantes do PDT;, Danilo Groff e Maurício Peres Pencak, foram presos e mantidos incomunicáveis, pela Polícia Federal, que invadiu e revirou suas residências, usando os mesmos métodos da ditadura e ressuscitando uma prática abolida pelos próprios militares, em 1981. Ou seja, quatro anos antes de eles entregarem o governo a Sarney. Os dois pedetistas foram presos com base em informações de, José Paulo de Abreu Herrera, conhecido dentro do PDT do Rio, segundo informa o Jornal do Brasil, edição de cinco de julho de 1987, "pelos golpes financeiros que aplicou em militantes e parlamentares do partido". A Rede Globo responsabilizou diretamente Brizola pelo episódio e fez dele o alvo de todo o seu noticiário sobre os incidentes e de um editorial, em pleno Jornal Nacional e em O Globo, jornal das organizações, não deixou por menos e atacou de cheio durante quase dez dias seguidos, indicando que Brizola estava por trás de tudo. - Agora já temos confirmado o que se pressentia - dizia o editorial de topo da primeira página, intitulado "A opção pelo crime", que verberava: "Fechados para ele os caminhos eleitorais, o ex-governador Leonel Brizola e seus novos 'onze' passaram à ação direta. Como no passado, o ex-governador, quando não consegue o poder pelas urnas, volta-se para a violência". Em seguida, o jornal pedia a cassação de Brizola, ao afirmar: "É inaceitável que tal retorno às origens do brizolismo feroz possua direito de atuação livre. Não confundimos simples manifestantes com criminosos. Em frente ao Paço (Imperial, local do incidente) estavam os dois tipos, os que apenas vociferavam em nome do PT e da CUT, e os que, armados até de picaretas, municiaram-se sob a bandeira do PDT para o atentado". O editorial de O Globo terminava com aquilo que depois se comprovaria, à luz dos fatos, como a mais bem elaborada peça de ficção: "Hoje, sã pedras e picaretas. Amanhã, a que armas recorrerão Brizola e seus parceiros, que audaciosamente se deixaram identificar, assinando a autoria do atentado?" Numa análise mais isenta, o Jornal do Brasil, de 27 de novembro, situava assim os acontecimentos: "Os episódios de anteontem na Praça XV partem o vidro da frágil redoma em que se vinha tentando esconder a realidade brasileira. É melhor refletir seriamente sobre o que aconteceu, antes que se passem ainda coisas mais desagradáveis... Estamos vivendo o anti-clímax de diversos "cruzados", num momento de alta insatisfação. E é neste momento que se programa uma "festa de cultura" para o antigo Passo Imperial... O clima das ruas não cheira a cultura, nem a oficialismo. Nesse contexto é que se programou um evento anunciadíssimo, sem que se tomasse a menor preocupação quanto a um policiamento prévio minimamente competente". O fato que lançaria por terra toda a encenação do atentado, contudo, viria a ocorrer menos de uma semana depois do incidente do Paço Imperial. Foi na terça-feira, dia 1o. de julho de 1987, quando o centro do Rio se transformou numa imensa labareda. 60 ônibus incendiados e outros cem com as vidraças e carrocerias destruídas. Desta vez não haveria "atentado" que conseguisse encobrir a fúria da multidão contra o Governo. É que naquele dia as passagens de ônibus foram aumentadas em 49%, em pleno congelamento de três meses, decretado 19 dias antes pelo presidente José Sarney, num novo pacote econômico, agora chamado Plano Bresser, ou, como pretendia o Presidente, o Novo Cruzado. Uma massa enlouquecida de 30 mil pessoas atacou os ônibus com pedradas, pedaços de pau, cadeiras e tudo o que estivesse a mão. Mais de cem pessoas foram presas e 50 saíram feridas nos choques com a Polícia. No fim daquela tarde enlouquecida, porém, houve uma vitória: os preços das passagens voltaram ao preço anterior e o governo federal nunca mais cogitou de decretar aumentos brutais para os transportes coletivos. O presidente José Sarney não estava mais no Rio naquele dia, mas as vaias continuariam. Na quinta-feira seguinte ao atentado do Rio, dia três de julho, ele novamente perseguido pela multidão, num local bem distante da cidade em que reside Leonel Brizola. Eis como a revista Veja, de oito de julho, descreveu o incidente: Aconteceu de novo, sem as pedradas e os vidros quebrados. Na quinta-feira passada, cercado por um aparato de 1.200 soldados do Exército;, policiais militares e federais, protegido por uma cerca de cordas, o presidente José Sarney passou outra vez pelo constrangimento de ouvir vaias e insultos. Estava em Rio Branco, capital do Acre. 'Acre também Brasil, ei, ei, ei, fora Sarney, o povo não agüenta Sarney até 90', gritavam os acreanos. O aparato de segurança, inaugurado para as viagens do Presidente, desta vez funcionou para protegê-lo do contato físico dos manifestantes, mas não das manifestações contra o seu governo. |Início| |Página de Apresentação| |
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