A
importância de Brizola no Senado
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Hélio
Fernandes, Tribuna da Imprensa, RJ, 19/06/2002 - Brizola
continua no centro dos acontecimentos. Em 1962 (há
40 anos) era governador do Rio Grande do Sul. 1 ano antes
garantira a posse de João Goulart, a impressão
era uma só: o próprio vice-presidente da República
não acreditava que pudesse chegar ao Poder. Brizola
resistiu, João Goulart assumiu e governou. Mas estabanadamente,
imobilizado. A convicção geral era de que Jango
não rimava com Presidência. João Goulart
assumiu fazendo todas as concessões, para desespero
daqueles que haviam se arriscado pela sua posse.
Entre
esses resistentes, acima de todos, em primeiro lugar, Leonel
Brizola. Sem este, que era seu cunhado, mas se voltava em
primeiro lugar para o interesse nacional. Sem Brizola e sua
atuação decisiva, João Goulart não
teria assumido. O então governador do Rio Grande do
Sul atraiu o comandante do III Exército, general Machado
Lopes, desbaratou a conspiração.
Os
outros generais golpistas recuaram, jogaram as ambições
para mais tarde. Sempre foi um lugar comum respeitado por
todos os generais: se os 4 Exércitos não estivessem
unidos e acertados, nada feito.
Com
o apoio de Machado Lopes à posse de Jango, os generais
partiram para a opção: Parlamentarismo. Mas
não era Parlamentarismo simples e sim com Tancredo
Neves como primeiro-ministro. João Goulart aceitou,
Brizola não, advertiu o cunhado: "Você já
ganhou, tomará posse com todos os Poderes". Jango,
ardiloso, insinuante, malicioso, disse para Brizola: "Vamos
tomar posse com o Parlamentarismo, Tancredo é nosso
amigo, foi o último ministro da Justiça de Getulio
Vargas, depois decidimos". Brizola se desesperou, mas
o que fazer?
Presidente
da República, João Goulart cometeu todos os
erros e equívocos possíveis e imagináveis.
Vejamos rapidamente alguns, os mais graves.
1
- Se entregou completamente à dominação
do senhor Roberto Marinho, (e do seu segundo Jorge Serpa,
do seu terceiro ACM, do seu quarto, qualquer um), abdicou
da própria vontade.
2
- O próprio Brizola disse na televisão: "Não
vou mais ao Palácio Laranjeiras, em todos os lugares,
até no quarto do presidente vejo o senhor Roberto Marinho
sentado na cama dele".
(Naquela
época os presidentes ficavam aqui mesmo no Rio, Brasília
só existia no papel e na miragem criminosa dos que
determinaram a transferência).
3
- Outro "dono e senhor" do governo João Goulart
era o embaixador Lincoln Gordon. Mandava tanto quanto Roberto
Marinho, agiam em dupla.
4
- Por sugestão desses dois, João Goulart nomeou
Embaixador do Brasil nos EUA, quem? Roberto Campos. Era um
representante da Matriz, como embaixador na própria
Matriz. Equívoco colossal. Assim que João Goulart
foi derrubado, Roberto Marinho-Lincoln Gordon mandaram buscar
Roberto Campos. Veio da Matriz para ser todo poderoso ministro
da Economia na Filial.
5
- As forças nacionais, em 1962, quando Leonel Brizola
deixou o governo do Rio Grande do Sul, apresentaram seu nome
para ministro da Fazenda.
6
- Era a nomeação certa e natural.
7
- Lógico, Roberto Marinho-Lincoln Gordon não
aceitaram, vetaram o nome de Brizola.
8
- Comunicaram para a Matriz, de lá veio a ordem: "Brizola
de jeito algum".
9
- A Matriz estava certa, não há dúvida.
10
- Se tivesse nomeado Brizola, João Goulart não
ficaria subjugado, não teria sido derrubado.
Foi
um retrocesso fatídico, para Jango e para o Brasil.
Deixemos
os fatos Históricos, (algum dia ainda contarei tanta
coisa, o que assisti, o que vi, as coisas das quais participei,
principalmente como repórter) passemos à realidade
dos dias de hoje. Brizola também cometeu muitos equívocos,
mas sempre contra ele. Os dois mais graves, me fartei de insistir
com ele.
1
- Em 1989, candidato a presidente da República, disse
várias vezes a Brizola: "Você tem que ir
morar em São Paulo. Se fizer isso, ganha a eleição
ou chega ao segundo turno". Não acreditou, não
foi para o segundo turno por 10 mil votos. Teria ganho de
Collor e da TV-Globo.
2
- Em 1998 fiquei horrorizado com a sua disposição
de ser vice de Lula. Insisti que isso não poderia acontecer.
E falei: "Com a tua História, Brizola, você
não pode ser segundo de ninguém. Além
do mais, essa eleição já está
decidida para FHC, que tem a máquina do Poder, não
perderá. Você tem que ir para o Senado, uma alavanca
de luta importantíssima".
A
última vez em que conversei com o Brizola sobre isso,
foi na Livraria do Museu, lançamento de um livro do
ex-presidente Mario Soares. Depois fomos para um jantar na
Rui Barbosa, continuei a pregação, Brizola me
disse: "Você está certíssimo, mas
não há nada decidido, ainda vamos conversar
muito sobre isso".
Era
maio de 1998, Brizola foi até à eleição
como vice sem chance de Lula, não me chamou mais.
Agora,
Brizola voltou à razão, decidiu, (acho que d-e-f-i-n-i-t-i-v-a-m-e-n-t-e)
disputar o Senado. Será uma reviravolta total. Brizola
no Senado é a continuação da luta, seja
quem for o presidente. Ele e um evangélico serão
os senadores, mudança completa no quadro eleitoral
do Estado do Rio.
PS
- Como eu disse há 15 dias, PMDB-PSDB-PFL do Estado
do Rio, podem fazer o que quiserem, "chorarão
lágrimas de sangue". Nenhum desses partidos elegerá
alguém para o Senado. Encontrei por acaso o secretário
geral do PSDB, Marcio Fortes, dei a notícia-furo a
ele. Ficou preocupado, embora não seja candidato ao
Senado.