BRIZOLA PROPÕE
FAZER PLEBISCITO CONTRA O GOVERNO JORNAL
JORNAL DE BRASÍLIA DATA: 05/07/96
Porto Alegre - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, anunciou ontem
o ínício de uma campanha para transformar as eleições
municipais num plebiscito contra o governo Fernando Henrique Cardoso, "num
choque de votos que vai fazer o Presidente tremer". A prioridade de Brizola
é derrotar candidatos do PSDB, PFL, PPB, PMDB E PTB nos grandes
centros, especialmente no tripé que sustenta politicamente o governo:
Rio, São Paulo e Minas Gerais e uma "derrota humilhante" do governo
federal no Rio Grande do Sul. O objetivo dessa campanha, segundo o líder
do PDT, não é derrubar o governo, mas que o povo dê
seu recado. "Que diga não ao governo e obrigue Fernando Henrique
Cardoso a mudar a sua linha de governo a favor da população.
Para que pare de vender o País, nesse governo de vendilhões
que só quer vender, vender", explicou Brizola, durante café
da manhã no hotel Plaza São Rafael. O ex-governador do Rio
foi à capital gaúcha apoiar a candidatura a prefeito de Porto
Alegre do deputado Vieira da Cunha (PDT). Brizola disse que "os trabalhadores
rurais, desempregados, arrozeiros, pequenos industriais e todos os setores
prejudicados por esse Plano Real não podem votar em candidatos de
partidos que apóiam esse governo que tanto os prejudicou". Vitórias
- Para Brizola, "tudo indica" que as prefeituras do Rio, São Paulo
e Belo Horizonte serão vencidas pelo PDT ou PT. "O Miro Teixeira
no Rio está muito bem e deve estar com uns seis pontos de vantagem
sobre o Sérgio Cabral", disse, menosprezando pesquisas que apontam
o pedetista em segundo lugar. Essa transformação das eleições
em plebiscitos na prática, segundo explica, "é de um voto
acima dos partidos". Brizola considerou "secundário" possíveis
problemas que sua campanha venha a criar nas coligações que
o PDT tenha feito com algum dos partidos situacionistas que condena, em
alguns municípios no País. "É a exceção,
não é a regra geral nas nossas coligações".
No caso de São Paulo, prevê a vitória do PDT ou do
PT no segundo turno.
Governo não faz reforma porque não quer
Ao assinar domingo, 21/04. a “Carta de Duque de Caxias”, manifesto dos
partidos de esquerda repudiando o massacre de pelo menos 19 sem-terra em
Eldorado de Carajás, o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola,
acusou o Governo Fernando Henrique Cardoso de usar subterfúgios
ao afirmar que não tem recursos para fazer a reforma agrária:
“Se o Governo tem dinheiro para entregar aos bancos falidos, como não
tem para os sem-terra?”, indagou Brizola. Ele ainda defendeu a colaboração
das Forças Armadas no processo de solução dos conflitos
de terra, afirmando que o Exército “é competente, tem técnicos
especializados e conseguiria manter a ordem, sem violência”, ao contrário
do que tem ocorrido com os policiais militares os quais, além do
despreparo, em geral tomam partido dos latifundiários. Brizola disse
que “falta vontade política" ao Governo para a reforma agrária.
- A questão agrária é uma das grandes prioridades
do Brasil. Democratizar a propriedade da terra, racionalizar e desenvolver
a produção agropecuária deveriam constituir as maiores
preocupações de um Governo coerente. Acho que o país
poderia destinar à sua população cerca de15 milhões
de novas propriedades, para moradia e para produção. É
um programa que se pode cumprir em etapas corajosas, sem destruir a produção
que temos. Exatamente o contrário do que faz o atual Governo, que
não está propiciando o acesso dos trabalhadores à
propriedade da terra, ao mesmo tempo que, com uma política econômica
desastrosa, destrói a produção que já existia.
Brizola ainda afirmou que a reforma agrária é “inadiável”
e que sua adoção, neste momento, seria um dos remédios
para o crescimento contínuo do índice de desemprego desde
abril do ano passado:
“O emprego agrícola é o mais barato para se criar, em termos
de investimento exigido, e pode ser uma saída para milhões
de pessoas que, hoje, vivem marginalizadas. "Basta que criemos as condições
e haja mobilização das populações vocacionadas
para a agropecuária e a economia rural de nosso país poderá
dar um salto de qualidade", frisou.
Brizola fala sobre candidatura de Lula
O ex-governador Leonel Brizola emitiu a seguinte declaração,
em 16/04/96, sobre seus conceitos em relação a Lula e à
sucessão presidencial de 1998:
"Tenho opinado sobre um problema que me preocupa muito: a unidade das forças
populares. Não discuti candidaturas presidenciais, até porque
não é este o momento. A esquerda, unida, fará oPresidente
em 1998 e sua candidatura poderá provir das fileiras tanto do PT
como do PDT ou de outro partido da grande aliança popular. Pessoalmente,
tenho reiterado que não sou candidato, mas não penso em deixar
a vida pública. Nosso Partido está apto a desempenhar o papel
que lhe cabe na escolha de nosso candidato comum, com a mesma determinação
e firmeza que está lutando pela unidade das forças populares,
inclusive nestas eleições municipais, em todos os locais
onde for possível."
Continua firme na política
No mesmo dia 16/04, o "Jornal do Brasil" publicou, na página 2,
a seguinte matéria sobre o assunto: "O ex-governador Leonel Brizola
negou ontem que esteja deixando a vida pública, mas voltou a reafirmar
seu apoio ao líder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como
o único nome capaz de, neste momento, promover "a unidade popular".
"Sequer ainda comecei a pensar num livro de memórias. Aí
sim é que o sujeito começa a se retirar", brincou. "Estou
é aplainando o caminho para a unidade popular", explicou Brizola,
reconhecendo, no entanto, que Lula é hoje uma "referência
maior" do que ele, no que diz respeito à unificação
da esquerda.
Em palestra aos alunos da Escola de Políticas Públicas e
de Governo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brizola alertou
os partidos de esquerda para não deixar as eleições
municipais atrapalharem esta pretensa unidade: "Podemos vencer as eleições,
mas sem grandes conseqüências. O importante vai ser vencer depois",
avisou.
"Não sou candidato, nem serei. Não tenho isso na cabeça.
Meu papel agora é unir estas duas entidades autônomas, que
tinham suas rixas, suas diferenças e que agora tratam de apagar
estas seqüelas para se unir", disse, referindo-se ao PT e ao PDT.
"Tenho esperanças também de atrair contingentes do PMDB,
além do PSB e do PC do B". Sem explicar seu apoio a Lula como futuro
candidato a Presidência, Brizola afirmou não ter dúvida
de que ele "é a expressão do povo brasileiro", com a origem
de quem tem. "É bem verde e amarelo, é bem a expressão
do povão, abandonado por suas elites", ensinou.
Segundo Brizola, sua referência a Lula não significa que esteja
passando o bastão. Mas ficou claro que Lula é hoje seu "ponto
de referência maior" como líder da oposição.
"Ele é uma figura mais jovem que nesses últimos anos representou
todos nós. O que não desejo é que ele se debilite.
Sua liderança não pode ser questionada".
Veja também:
Reforma Agrária de Brizola
Reformas de Base de João Goulart
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