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| Veja também: Perfil Juventude, aos 76 Pronunciamentos
O avanço das esquerdas
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Leonel de Moura Brizola SÍNTESE CRONOLÓGICA Por Carrion Jr 1922 NASCIMENTO Nasce em 22 de janeiro de 1922, às 22 horas, filho mais novo de agricultores pobre,de origem italiana (pai) e portuguesa (mãe) vindos da região de Sorocaba (SP), onde chegaram por volta de 1750, e há tempos estabelecidos próximos à estação de Cruzinha,Distrito de Carazinho, Município de Passo Fundo. O pai, José Brizola, morreassassinado no final da Revolução de 1923, após ser aprisionado por uma coluna governista. 1939 FORMA-SE TÉCNICO RURAL Alfabetizado pela mãe Oniva e pela professora Tereza, estuda na escolinha do Povoado de São Bento, matriculando-se depois no segundo ano da Escola Municipal Fagundes dos Reis, na cidade de Passo Fundo. Transfere-se aos 14 anos para Porto Alegre, onde se matricula no Instituto Agrícola de Viamão, município rural próximo a Porto Alegre, formando-se Técnico Rural aos 17 anos. Já tendo trabalhado como ascensorista e operário auxiliar de refinaria de óleo, faz concurso para o Ministério da Agricultura, passando para fiscal de moinhos. Assume, depois de participar em nova seleção, a função de jardineiro no Serviço de Parques e Jardins da Prefeitura de Porto Alegre, onde é eleito porta-voz da categoria. 1942 INGRESSA NA ESCOLA DE ENGENHARIA Estudando à noite na maior escola pública do Rio Grande do Sul (Colégio Júlio de Castilhos), faz o curso colegial supletivo. Presta serviço militar na Base Aérea de Canoas e forma-se piloto privado. Entre a carreira na Varig ou o curso de Engenharia, opta pelo vestibular e ingressa na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mas não irá abandonar a aviação, tendo presidido várias vezes o Aeroclube do Rio Grande do Sul e fundado a Federação dos Aeroclubes do RS. 1945 PARTICIPA NA FUNDAÇÃO DO PTB/RS Estudante de Engenharia, funda com sindicalistas o primeiro núcleo gaúcho do PTB, percorrendo o interior com lideranças maiores no esforço de consolidar o partido, participando nos primeiros comícios e recebendo o seguinte observação de Getúlio , no palanque na frente da Prefeitura de Porto Alegre: "botem este guri na chapa que ele vai muito longe". 1946 LANÇADO CANDIDATO A DEPUTADO Presidente da Ala Acadêmica, em dezembro é lançado candidato pelo PTB a Deputado Estadual, representando os estudantes, em ato público e com transmissão ao vivo pelo rádio, estando presente o candidato a governador Alberto Pasqualini. 1947 ELEGE-SE DEPUTADO ESTADUAL Elege-se, em janeiro, como um dos mais votados dentro da maior bancada da Assembléia Legislativa, a do PTB. Este partido, mesmo não elegendo o governador, faz 23 deputados, entre eles Fernando Ferrari e João Goulart, além de veteranos como Egídio Michaelsen e José Diogo Brochado da Rocha. 1949 FORMA-SE ENGENHEIRO CIVIL Em meio a intensa atividade de Constituinte, deputado e líder partidário, forma-se engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia da UFRGS, coroando esforço que começara, há quase 20 anos, na escolinha do povoado de São Bento. 1950 CASA-SE E REELEGE-SE DEPUTADO ESTADUAL Em 1o de março de 1950, com a presença de Getúlio Vargas, casa-se com Neusa Goulart, irmã de seu colega de bancada Deputado João Goulart, a quem conhecera como militante do PTB em Porto Alegre. Do matrimônio nasceriam três filhos e vários netos. Em julho entra na Executiva do Partido, dando-lhe nova dinâmica, e em 3 de outubro elege-se como deputado estadual mais votado de todos os partidos, assumindo a liderança da bancada e fortalecendo-se como uma das maiores lideranças políticas estaduais. 1951 CANDIDATA-SE A PREFEITO DE PORTO ALEGRE Na primeira eleição da Capital, que passava a Ter autonomia administrativa, candidata-se a prefeito, enfrentado a Frente Democrática formada por PSD-UDL-PL, e sofre revés por pouco mais de 1% dos votos. 1952 ASSUME A SECRETARIA DE OBRAS DO GOVERNO ESTADUAL Convidado pelo Governador Ernesto Dornelles, eleito pelo PTB, assume a Secretaria de Obras Públicas, passando inclusive a Ter uma presença hegemônica no Secretariado de Dornelles, especialmente pela sua visão administrativa e de planejamentos de médio e longo prazo, com projetos e estudos não só nas áreas técnicas e de engenharia, mas também de viabilidade econômica, no sentido de melhor aproveitamento dos recursos públicos. PRINCIPAIS OBRAS E INICIATIVAS COMO SECRETÁRIO (1952/1954)
1954 ELEGE-SE DEPUTADO FEDERAL Nas eleições de 3 de outubro elege-se deputado federal, com a maior votação até então alcançada no Rio Grande do Sul e torna-se um dos mais duros adversários dos setores retrógados e golpistas. Contesta Carlos Lacerda, já no ato de juramento deste, ao apartear: "esteve vai ser um juramento falso, Sr. Presidente, porque ele está pregando o golpe lá fora e vem jurar a Constituição aqui dentro". Foi um dos deputados que mais lutou pelo cumprimento da Constituição, em especial do calendário eleitoral, tendo contribuído para a efetivação da posse de Juscelino e Jango, respectivamente Presidente e Vice. 1955 ELEGE-SE PREFEITO DE PORTO ALEGRE Novamente enfrentando a coligação PSD/UDN/PL, Brizola elege-se pelo PTB com consagradora vitória, fazendo mais votos que todas as demais candidaturas juntas, e tendo como mais forte trunfo o Plano de Obras realizado na Secretaria de Obras, além do slogan: "nenhuma criança sem escola". A nova experiência administrava bem sucedida, na terceira maior cidade do país na época, reforçou sua marca empreendedora e nitidamente popular.
PRINCIPAIS OBRAS E INICIATIVAS COMO PREFEITO (1955/58)
1958 ELEGE-SE GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO SUL Aos 36 anos, com amplo respaldo popular (mais de 670mil votos contra 500mil de coligação PSD/UDN/PL), elege-se governador do Estado. Mesmo sem Ter alcançado maioria absoluta, constrói alianças que lhe dão respaldo à ação administrativa na Assembléia Legislativa. PRINCIPAIS OBRAS E INICIATIVAS COMO GOVERNADOR (1959/1962)
1962 ELEGE-SE DEPUTADO FEDERAL PELA GUANABARA Já com ampla projeção nacional, elege-se deputado federal, com quase 300mil votos: maior votação alcançada até então por um parlamentar na História brasileira (um terço dos votos do Estado da Guanabara). 1964 CASSADO PELO GOLPE DE 1964 Com marcada atuação em favor das Reformas de Base e da profunda reformulação na polícia econômica e social, constituindo-se em um dos maiores líderes nacionais por estes avanços, é incluído na primeira lista de cassados pelo golpe de 1964. Tenta resistir em Porto Alegre, em nome da ordem constitucional, mas é dissuadido diante da posição diversa do Presidente João Goulart. Diante da impossibilidade de permanecer no País com atuação pública, sendo procurado vivo ou morto, exila-se em maio no Uruguai. 1965 CONFINADO NO BALNEÁRIO DE ATLÂNTIDA, NO URUGUAI Em abril, o exílio, até então apenas vigiado, transforma-se em confinamento no Balneário de Atlântida, (distante quase 400km da fronteira com o Brasil), por pressões do Ministro do Exército brasileiro. 1970 RELAXAMENTO DAS RESTRIÇÕES NO EXÍLIO A partir de 1970, o Governo Uruguaio relaxa o isolamento do exílio, o que permite mais adiante a transferência de Brizola e sua família para Montevidéu, onde fixará residência e atividades, restabelecendo contatos mais estreitos como Brasil. 1977 EXPULSO DO URUGUAI, VAI PARA OS ESTADOS UNIDOS Em setembro, ao voltar do interior, recebe intimação para sair do Uruguai em cinco dias. Depois de difíceis gestões para obter a documentação brasileira, consegue embarcar para Argentina e Estados Unidos, com autorização direta do Presidente Jimmy Carter, que promovia na época política em defesa dos direitos humanos. 1978 e 1979 FIXA-SE EM PORTUGAL E AUMENTA CONTATOS INTERNACIONAIS Completam-se dois anos de intensas atividades internacionais que, depois de Nova Iorque, passam a Ter como centro Lisboa, onde fixa-se a convite de Mário Soares. Passando a participar ativamente dos encontros da Internacional Socialista, estreita relações com lideranças como Willy Brandt, François Mitterrand, Felipe Gonzalez, Carlos Andrés Perez e o próprio Mário Soares. Em junho de 1979, no momento de crescimento do movimento pela anistia, promove o Encontro de Trabalhistas no Brasil e no Exíli, em Lisboa, com o objetivo de reorganizar o PTB no Brasil. É de lá que sai a Carta de Lisboa, a principal peça de constituição daquilo que veria ser o PDT. 1979 VOLTA DO EXÍLIO No final da tarde do dia 6 de setembro de 1979, mais de 15 anos depois de ter saído do Brasil, volta ao país o ex-Governador Leonel Brizola. Do aeroporto de Foz do Iguaçu, por onde ingressa em território nacional, segue roteiro que terminará em Porto Alegre. Depois passa a fixar residência no Rio de Janeiro. 1980 TSE NEGA SIGLA DO PTB A BRIZOLA No início do ano, o Tribunal Superior Eleitoral, sob pressão do Governo e setores conservadores, dá a Ivete Vargas, que representava segmento pouco significativo do trabalhismo, a sigla PTB, bloquenado desta forma o crescimento rápido do PTB nas mãos de Leonel Brizola. 1981 REGISTRO DO PDT Em novembro o TSE registra a sigla PDT, depois de uma longa discussão para a definição da nova sigla e um difícil processo, registro este obtido às portas das eleições para governadores e deputados. 1982 ELEGE-SE GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO Após as dificuldades com a sigla, a candidatura de Leonel Brizola é lançada, coincidindo com a divulgação de pesquisas extremamente desfavoráveis, onde aparecei com 3% das intenções de voto, enquanto a sigla era desconhecida. Apesar disso, vence a eleição, alcançando 34% do eleitorado, 4% acima do segundo colocado e distante dos demais candidatos. Mas estes resultados só são alcançados graças à descoberta e denúncia da fraude montada na programação do computador a serviço da Justiça Eleitora carioca, que em programa viciado lançava parte dos votos de Brizola para outros concorrentes. PRINCIPAIS OBRAS E INICIATIVAS COMO GOVERNADOR DO RIO (1983/86)
Assessoria do PDT 1989 CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA PELO PDT Perde a eleição, em primeiro turno, a 15 de novembro, por uma diferença mínima para o segundo colocado, Lula, do PT, graças a uma manipulação federal que fez parar a contagem dos votos em Belo Horizonte, durante mais de cinco horas. No segundo turno, o candidato governista, Fernando Collor, que já havia ganho por larga margem na primeira rodada, vence a eleição de Lula e se torna Presidente. 1990 ELEGE-SE EM PRIMEIRO TURNO GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO Eleito pela segunda vez como governador do Rio de Janeiro, Brizola enfrenta a hostilidade do poder econômico e da mídia eletrônica e impressa, que desatam a maior campanha de desmoralização já experimentada por um homem público. Não obstante, Brizola ainda consegue fazer três grandes obras: O término dos 500 CIEPS, escolas integrais de alto nível para crianças pobres, constrói a Linha Vermelha, via expressa de cerca de 40 quilômetros, que vai do centro da cidade do Rio, passando pelo Aeroporto do Galeão e terminando na Baixada Fluminense. E a duplicação do sistema de abastecimento de água do Guandu, outra velha aspiração da população carioca e fluminense. 1994 CANDIDATO A PRESIDENTE PELA SEGUNDA VEZ A formidável hostilidade da mídia, comandada pelo poder econômico, impede que Brizola sequer faça campanha, cortando-lhe praticamente todas as formas de comunicação. Por causa disso e da desunião dos partidos de oposição, sobretudo de esquerda, ele se vê colocado num dos últimos lugares. O poder novamente vai para um escolhido das elites, dessa vez um ex-militante da própria esquerda, o professor e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que, ao passar para o outro lado, pediu ao país que "esquecesse tudo o que escrevi". 1995 - COSTURA POLÍTICA PARA UNIR A OPOSIÇÃO Convencido de que as forças populares, em debandada, por causa da acachapante derrota de 1994, só se prestavam a "servir de degraus para a direita subir", Leonel Brizola lança-se a um paciente trabalho para unir as esquerdas, que só vai apresentar resultado concreto, quando os dois maiores partidos, o PT e o PDT, reúnem-se, em 16 de janeiro de 1998, no Rio de Janeiro, para anunciar uma composição dos dois partidos com vistas à Presidência da República. Esse esforço é coroado em 06 de julho, quando PT, PDT, PSB, PCB e PCdoB, reunidos numa só chapa, lançam Lula para Presidente da República e Leonel Brizola para Vice-Presidente. 1999 - CAMPANHA PELA RENÚNCIA A reeleição do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que resultou num grande escândalo nacional, desde a aprovação da emenda constitucional respectiva, em 28 de janeiro de 1997, envolvendo inclusive compra de votos de deputados, e o fato de o Presidente ter comandado o maior processo de desnacionalização em 500 anos da História do Brasil, levaram Leonel Brizola a uma nova cruzada: a mobilização do povo brasileiro pela renúncia do atual Presidente. Desde o início de janeiro, quando o Real, a moeda nacional criada pelo Sr. Fernando Henrique, quando ministro da Fazenda, em 1994, como parte de sua campanha pela primeira eleição como Presidente, desmoronou diante do dólar, Brizola vem percorrendo o país em pregação pela renúncia do Presidente. A Marcha dos 100 mil sobre Brasília, realizada, em 26 de agosto, constituiu um dos pontos altos dessa mobilização, agora envolvendo todos os partidos de oposição. |
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