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Veja também:
A
concepção dos Cieps
Dossiê
da crise
Perfil
de Brizola
Governo
FHC
A
família presidencial
A
história do PDT |
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Aqueles que ficam na estrada
| Entrevista à Rádio CBN |
Durante
40 minutos, segunda-feira, 04/09/2000, Leonel Brizola foi
entrevistado pelo repórter Sidney Rezende, da Rádio CBN. "Então, quando vejo que um ou outro me abandona,
como o Lerner, Dante, esse Marcello, o próprio Cesar
Maia, Garotinho isso aí... são companheiros de viagem, não são
companheiros de destino. Eles se aproximaram para ver se
iam de uma estação até outra. Estávamos numa viagem
com destinos diferentes. E o destino deles era
desaparecer, principalmente aqueles que saem sem ética,
como o Lerner, o Dante, que traíram e como é o caso de
outras pessoas que estão por aí
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Apresentação
Brizola: Em primeiro
lugar quero me congratular pela oportunidade que dão aos
candidatos porque ela enriquece o processo eleitoral, é
um serviço público que a CBN presta. Congratulações.
Eu me considero mais do rádio do que da TV, e que
qualquer outro meio de comunicação. Boa parte da minha
vida política fiz através do rádio. Tive programa da rádio
Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que as outras emissoras
não conseguiam vender aquele espaço, então resolveram
todas elas transmitir. Era às sextas, os adversários
apelidaram de "programa lobisomem". Eu tinha uma
audiência massiva, naquela época.
Há o perigo do rádio. O sujeito que atua muito no rádio,
sendo político ou homem público, tende muito ao auditório.
E ele é muito perigoso no rádio, porque a pessoa acha
que pode resolver tudo no rádio... É ou não é, é um método
fascista... |
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Não
é indireta??
Brizola: Não, estou falando
em doutrina. Rigorosamente o Mussolini fez a sua carreira
no rádio. E o Hitler também. Naquele tempo não existia
televisão, apenas cinema. Acho que há o perigo do
sujeito querer facilitar tudo através... É uma
centralização, a rigor é um monólogo... |
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Pergunta
do ouvinte Edmé David: gostaria de saber do mais
experimentado político do Brasil qual foi o motivo do
desgaste ao longo dos anos. Antigamente, Brizola era um
mito, um sinônimo de reserva moral, bravura e
honestidade. Será que o fato de ter a língua solta, de
falar o que as pessoas não gostam de ouvir, provoca esse
lamentável desgaste?
Brizola: Nos últimos decênios
a política brasileira ficou muito revestida de cor, de
propaganda, entrou a chamada mídia e tudo isso são
fatores novos, por anos e anos soterram político ou
encobrem falso político, homem publico, com cores que ele
não tem. Eu tornei-me candidato movido pelo processo
social; eu não tinha intenção pessoalmente, não tinha
a menor idéia, nem plano, não podia estar querendo
colocar um degrau a mais na minha vida política, já
estou naquele plano final, de ir para os pensamentos
conclusivos e nada mais, mas ocorre que um problema
interno do nosso partido me empurrou parta isto, porque
ocorreu uma ameaça de divisão do nosso partido, que nos
custou muito. O nosso partido é uma força histórica,
talvez a força histórica mais importante que tem o
Brasil hoje, ainda é o trabalhismo, o PDT. Eu estava
vendo esta ordem de perigo e pensei que o partido tinha
toda razão em querer candidatura própria. Saiu a
candidatura própria, o partido começou a se voltar para
mim e eu achei que não podia fugir a este dever e comecei
a pensar no conjunto de aspectos que me aconselhavam a ser
candidato. Acho que o Rio de Janeiro está vivendo uma
encruzilhada, seu povo, todo este complexo aqui que o
Darcy Ribeiro dizia ser o lugar mais lindo do mundo. Deus
quando fez o mundo, parou e trabalhou com uma arte
especial para construir o Rio de Janeiro. O Darcy usava
uma expressão – Deus fez o Rio à mão – com muita
felicidade, porque não há lugar mais lindo no mundo. Eu
partindo destas idéias com aquele amor que Darcy e eu
sentíamos pelo Rio, porque eu vim do exílio e vim
caminhando, cheguei aqui, parei e me matriculei no Rio. O
Rio me ganhou quando me elegeu deputado, em 62, com a
maior votação da história do país. Acontece que fui
entendendo que o processo social me empurrava. |
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Eu
queria que o senhor aprofundasse um pouco mais seu
programa de governo, com quem o senhor está contando, na
medida em que o senhor já não tem mais muitos
companheiros do passado - Doutel de Andrade já morreu,
Darcy se foi, Brandão Monteiro e outros tantos. O seu
grupo mudou, o PDT mudou.
Brizola: Isto não tem importância:
três gerações passaram pela liderança de Vargas,
aquele pessoal de 30, depois o pessoal do Estado Novo e
depois a turma da eleição de 50. Foram 3 gerações. E
quando ele voltou ao poder, foi sua mais fecunda gestão.
Retornou em 1950 e várias gerações passaram. A de 30,
mais conservadora, se foi, depois a do Estado Novo, era
daquele jeito. Eles estavam ali dando cobertura pro Getúlio,
engolindo aquelas reformas, tanto que quando Getúlio
caiu, todos eles foram para a direita, ficaram com o
Dutra. Então, quando vejo que um ou outro me abandona,
como o Lerner, Dante, esse Marcello, o próprio Cesar
Maia, isso aí... são companheiros de viagem, não são
companheiros de destino. Eles se aproximaram para ver se
iam de uma estação até outra. Estávamos numa viagem
com destinos diferentes. E o destino deles era
desaparecer, principalmente aqueles que saem sem ética,
como o Lerner, o Dante, que traíram e como é o caso de
outras pessoas que estão por aí.
Seria o caso do governador atual?
Brizola: Não há dúvida de
que ele está procedendo sem ética, como um ingrato,
considerando que ele próprio declarava que eu
pessoalmente matei a fome dele e da família. Eu não fiz
isto, mas patrocinei sempre a carreira dele. Mas deixa eu
voltar ao tema principal, porque estes casos ficam à
margem da estrada. A linha adotada pelo Garotinho não é
inteligente. Ele tinha que ser coerente, ser um bom
governador. Eu acho que ele tem sido, até agora, um bom
marqueteiro. Marketing, tudo pra ele é marketing. A Polícia
está matando, da mesma forma que matava no tempo do
Marcello Alencar com aquele general. A polícia está mais
violenta ainda. Está matando jovens! Será que são todos
traficantes? Em matéria de relacionamento, tenho vários
doutorados, não me preocupa isso. Você se recorda que
Collor e eu na eleição nos chamávamos de isso e aquilo.
No entanto, tivemos um relacionamento correto, ele foi
correto comigo e eu também com ele. Sem promiscuidade. As
relações administrativas foram boas. Eu tive presidente
inimigo, tive presidente amigo, irmão como o Jango, tive
presidentes de todas as posições e até aqueles que
melhor se relacionaram comigo, foram os mais adversários,
como Figueiredo. Jânio Quadros, foi excelente. Collor,
tivemos um bom relacionamento administrativo. Agora,
quando chegavam os mais ligados, como Juscelino e Jango,
eram bons amigos, almoçávamos, tomávamos cafezinho, e
pediam "tu é de casa, Brizola, agüenta a mão, que
agora não dá..." O fato de ter um governador como o
Garotinho e eu prefeito, primeiro, vou guardar distância,
vou fazê-lo respeitar o governo da cidade, como
respeitarei sua missão. Nos respeitando mutuamente, não
devemos nos preocupar com nada, mas sem provocações,
porque como dizia o velho Artigas lá do Uruguai,
"quem não provoca não teme". Então este é um
relacionamento superior em torno do interesse público. Não
precisamos estar de almocinhos e festinhas, mas ele vai
ver o que é um relacionamento austero, de trabalho. Ele
vai ver que trabalhar comigo não é brincadeira. Em vez
de ir pro rádio às 6 e meia, vou querer que ele vá às
obras às 6 e meia. |
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Leonardo
Vasconcelos, de Realengo: Para diminuir a miséria quais
serão as suas ações?
Brizola: Não é só para
diminuir miséria, mas para enfrentar os problemas de
natureza social e humanos, como é o caso das crianças na
idade pré-escolar, a adolescência, enfrentar a situação
dos idosos, de quem tem deficiências físicas e a pobreza
em geral. E a violência, a criminalidade, o trânsito, a
falta de desenvolvimento, de renda, tudo isto que o Rio de
Janeiro apresenta como um quadro de degradação. A Barra
se desenvolve e o resto do Rio não. Eu tenho o esquema básico,
porque não adianta vir o Conde, o César Maia, quem seja,
dizendo que vai fazer isto e aquilo, sem um esquema básico
que crie uma perspectiva para o Rio de Janeiro. Com este
quadro, vamos ter mais criminalidade, mais violência. Não
adianta o prefeito ficar viajando e indo pedir uma
verbinha pro governador. Vão os dois pedir um convênio
ao governo federal. Isto não resolve. Eles não têm força
política para conter o processo de degradação. Basta
encarar a questão da poluição, o apodrecimento de tudo.
Nós não temos mais meios para encarar isto. E por que? O
Rio de Janeiro - vamos buscar a história, vamos às
causas. O Rio de Janeiro, por séculos foi a plataforma
com que os portugueses fizeram o Brasil. Aqui era o centro
estratégico. E durante os séculos houve uma ocupação
de natureza predatória. Só fizeram a Central do Brasil.
Tudo mais é para o país inteiro: forças armadas,
estradas, portos, a energia que era parte da
operacionalidade nacional para administrar o país. Para o
povo do Rio de Janeiro foi só acumulação de problemas.
Transformaram uma área como esta, a baía, numa espécie
de cloaca, a poluição já está em Angra! Não adianta o
pessoal do PV dizer que precisamos fazer isto e aquilo. Nós
não temos, com nossas próprias forças, mais condições
para conter a poluição, com estes sistema econômico
federal. E nem temos condições de restaurar algumas
fontes de trabalho! O RJ precisa de justiça. Nós
precisamos ter uma conversa, colocar sobre a mesa as
nossas questões com o governo federal. O Rio de Janeiro
tem direito a grandes créditos compensatórios. E mais: o
Governo Federal continua ocupando áreas imensas no Rio,
que estão bloqueando seu desenvolvimento. Precisamos
fazer um acerto, a inserção do Rio de Janeiro na federação. |
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Pergunta sobre as críticas que
fazem aos seus governos anteriores
Brizola:
Porque, de tudo que me acusavam, não conseguiram
resolver, com os governos de direita, primeiro o Moreira
Franco, que era um empregado deste pessoal. Diziam: "Moreirinha,
abandona estes CIEPs" e lá ia o gato angorá. Miau,
miau, pronto. Depois entrou nosso amigo Marcello, hoje
reduzido a nada, a pó de mico, nem dois por cento. Aliás
é o destino deste pessoal. E este Garotinho que se cuide,
porque a mídia ama a traição e depois abomina e
despreza o traidor. Às vezes eles se escondem e têm um
tempinho maior, como o Lerner, mas este já entregou o
Calabar dele que era o gordo, o Rafael Greca, este está
liquidado. E o Lerner está liquidado. Nós vamos imprimir
uma derrota a ele lá em Londrina, que vocês vão ver. |
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Pergunta
sobre o problema entre comerciantes e camelôs
Brizola:
Os lojistas hoje chegam para mim e dizem "tempos bons
aqueles que nós brigávamos contra os camelôs, porque
eram visíveis e a população até nos apoiava. Mas agora
quem está acabando conosco são os shoppings. O Conde
criou impostos absurdos". Nós não podemos mais nem
estacionar uma caminhonete para descarregar a mercadoria
em nossas lojas que logo aparece uma empresa privada para
nos multar. Já desempregamos muita gente". Olha, em
todos os centros de comércio por onde tenho andado – Méier,
Madureira, centros maravilhosos, tradicionais - ouvi esta
queixa: os lojistas estão com Leonel Brizola. Eles sabem
que não vou aumentar impostos, vou defendê-los, vou
criar sistemas de estacionamento para favorecer os
lojistas. Eles não estão contra os camelôs, o que
querem é que o governo organize, como já está sendo
feito em muitos lugares e eu vou organizá-los. A população
gosta de comprar em camelôs. Eu ando pelo mundo, até em
Nova York, gosto de comprar neles e a população também.
Agora vamos organizá-los, e eles querem até pagar
imposto, mas que o governo nos garanta uma situação.
E esta questão de violência também deve ser combatida
com a educação. Eu descobri que sou o sujeito que mais
fiz escolas em todos os tempos. E vou para o Guiness... |
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Rômulo
de Oliveira, da Penha, pergunta: o CIEP, em tempo
integral, diminui mesmo o número de alunos em sala de
aula?
Brizola: O CIEP oferece uma
educação de qualidade. Nós temos que preparar as novas
gerações para os novos tempos, o da competição, da
qualidade.
Leonardo Pirobano, do Rio Comprido:
O senhor pretende implantar o projeto Nova Escola nas
escolas municipais?
Brizola: Eu não o conheço
bem, vou examiná-lo. Eu continuei até os "moreirinhas"...
Eram 25 escolas que ele chamava de "moreirinhas".
E eu quis saber como estavam. Estavam inconclusas. Eu as
concluí e coloquei a funcionar.
Jesus
Nascimento, do Centro quer saber sua opinião sobre
racismo no Brasil
Brizola: Existe discriminação
racial no Brasil, tanto que vai olhar quem está sendo
morto. Já no governo Garotinho, um Governo evangélico,
como ele faz questão de dizer. Como é que pode estar
matando, sem identificar? Estão matando, já executaram,
a maioria com tiro na nuca, sem nem identificar os cadáveres.
Mataram mais do que nós perdemos na Segunda Guerra. Este
ano duzentos e tantos já foram mortos. Quer dizer:
examinando os registros, NEGROS. Então existe a
discriminação, marquei posição contra ela e vou
prosseguir. |
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Luiz
Arruda, da Ilha do Governador, quer saber o que o senhor
pretende fazer com relação ao transporte de vans.
Brizola: Eu acho que as vans
foram uma explosão, por que? Devido à deficiência do
sistema de transporte. Então as vans explodiram como uma
solução. Eu pretendo regulamentá-las, vou trabalhar com
eles, mas quero preservar o serviço de táxi, porque este
é o cartão de visita de uma cidade. Qualquer cidade
organizada – e olha que eu caminhei por este mundo - tem
um bom serviço de táxi. Só dentro dos Estados Unidos,
fiz 50 mil quilômetros de carros. Então, o que acontece?
O cartão de visita de uma cidade é o seu serviço de táxi.
Vou trabalhar com os proprietários, com os diaristas, com
as cooperativas. E vou tratar de evitar que o serviço de
táxi seja motivo de exploração do homem pelo homem. Nós
vamos procurar entrosar o transporte alternativo no
sistema geral de transporte. Vamos regulamentar, vamos
trabalhar juntos e, etapa por etapa, vamos avançar,
evitando decisões em cima do joelho, anárquicas, como
fez o meu amigo e ex-companheiro Garotinho. |
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Eleonora
da Costa, Jacarepaguá: o que o senhor pretende fazer com
o estacionamento da cidade, o ex-vaga-certa?
Brizola: Eu pretendo rever
especialmente a questão da arrecadação, para onde vão
estes recursos, assim como também este serviço
particular que é quem diz o que deve ser rebocado ou não.
Então, pretendo reexaminar, com lupa, este problema, para
facilitar, para que a multa não seja uma indústria, mas
uma medida de natureza educativa e não uma fonte de renda
abusiva como está sendo na gestão Conde. Aliás, quero
dizer que já tive simpatia pelo Conde, mas agora, vejo
que ele está usando demais a máquina, num processo de
reeleição, gastando esta dinheirama aí. Francamente, eu
acho que vai ser uma coisa censurada pela população.
Nossa gente tem alto nível político e não vai tolerar
esta abuso fernandista, porque isto é conseqüência da
reeleição do Fernando Henrique. Nós nunca tivemos aqui
um caso destes. E o prefeito, no exercício do cargo, e as
coisas acontecendo, como é o caso dos apart-hotéis.
Quero prevenir tudo aquilo vai virar motéis e não
apart-hotéis.
A propósito, o candidato Cesar
Maia disse exatamente isto e disse também que Conde
estaria gastando 70 milhões de reais na campanha. O
senhor dispõe desta afirmação também?
Brizola: Olha, eu acho que
está gastando mais. Só na televisão ele está gastando
uns dez milhões de dólares. É a mesma equipe do FHC que
está aqui, apresentando tudo azul, tudo bonito. Até o Pão
de Açúcar, o Corcovado, tudo já é obra do Conde... Ele
apresenta tudo como se fosse obra dele. Gastando de uma
maneira... Aliás, esta divisão de televisão não está
boa. Acho que quando chegasse um ponto determinado, a lei
deveria impedir, devia aplicar um "diferencial
Delta" - lembra? Você estava lá. Chegou a um certo
ponto, tem que redistribuir o tempo. |
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Agora
uma outra indagação também com relação às pesquisas:
aqui mesmo nestes espaços o senhor fez críticas a elas,
em outros momentos em que o senhor julgava que ali, por trás,
estavam escondidos interesses poderosos. As pesquisas hoje
apontam o senhor estacionado em 10%, e o candidato Conde,
que o senhor citou, liderando as pesquisas no momento...
Brizola: Estão me agarrando
pelo pé, estão me segurando. Como é que a Benedita pode
ter mais do que eu? Você anda pelas ruas e não vê
Benedita. Este pessoal está me segurando, porque sabe que
se eu passo da Benedita, arrebento o alambrado lá na
frente. Eu passo dos outros. Então estão me segurando,
como estão mantendo o Cesar e o Conde lá em cima, para
ver se fazem a polarização. Então estas pesquisas não
vogam. Não é o que está nas ruas. Querem induzir a
população, mas ela já está muito prevenida. As agências
estão cartelizadas. Eu não sei em que hotel de cinco
estrelas por aí, em que beira de piscina ou de que
restaurantes, eles conversam. Tem lugar que uma não faz
pesquisa e outras fazem. Eu sou curioso para ver o que estão
fazendo. Eu já acreditei em pesquisas. Eu fui o primeiro
político a usar pesquisas, quando governador do Rio
Grande do Sul. Era o pai deste aí, do Montenegro,
fundador do Ibope, meu amigo pessoal. Depois, ele evoluiu
para este plano aí que levou as agências ao cartel. As
agências vão mudar, as pesquisas vão mudar uns dez dias
antes das eleições, vão procurar se ajeitar vão apelar
para as reservas técnicas, os indecisos... Você vê o
caso de São Paulo. Eu acho que eles vão derrubar a
Marta. Claro que ali eles estão induzindo. Mas o mais
grave é que isto aí está interligado com a insegurança
do sistema de urnas eletrônicas. Olha, nos Estados Unidos
não tem urna eletrônica, por que a Alemanha – aquele
povo atrasado, não é? – não adota a urna eletrônica.
E na Suécia, Noruega, França, a maioria é no papel,
porque o voto precisa ser conferido. E no Brasil, com este
sistema, não há maneira de fazer recontagem. Não
havendo recontagem, desaparece a segurança do sistema
eleitoral.
Quero agradecer a sua participação.
Se me permite, outro dia o senhor fez uma referência
elogiosa ao nosso trabalho, que eu agradeci no dia, e acho
que o senhor é uma personalidade da vida brasileira que não
vou esperar que daqui a 15, 20 ou 30 anos o senhor já, na
história em que está, eu venha lhe dizer isso. Acho que
é importante dizer isso pessoalmente: acho que o senhor
presta um serviço quando diz o que pensa, mesmo quando
vem isso vem a ser motivo de discordância.
Brizola: Eu tenho este
esquema básico, que é o de provocar uma discussão, um
ajuste de contas com o governo federal. Acho que ele deve
cem bilhões de dólares ao Rio de Janeiro, é o meu
estudo. E agora mais ainda, pelo petróleo que fornecemos
ao país. Estamos fornecendo 80% do petróleo. Jamais eu
cometeria o erro que cometeu o governador atual de
entregar o petróleo que é dinheiro vivo, por dívida
podre, com foi o caso. Partir deste esquema geral de
discussão, nós vamos tratar de conter a degradação, a
poluição, a violência, a criminalidade, temos que
recuperar as vocações do Rio, como o turismo. Nós temos
que fazer fluir recursos. O Rio de Janeiro precisa de
grandes investimentos. E investimentos compensatórios. E
então aí se abre todo um leque de trabalho, que resumo
em três palavras: educação popular, saúde –
precisamos dar um choque de saúde - e, depois,
desenvolvimento e a cidadania que temos de cuidar. Eu não
vou decepcionar. |
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