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Respeitem a História. Respeitem Brizola!

Nenhum adversário ousa sua honradez. Já pertenci ao PDT. E lá aprendi a admirá-lo

Antero Paes de Barros

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Toda a minha solidariedade a Leonel Brizola. O que mais irritou, indignou e até revoltou na matéria publicada pela Veja desta semana é que não fez nenhuma acusção objetiva contra o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Apenas procurou induzir o leitor à crença de que Brizola multiplicou sete vezes o patrimônio pessoal, ao longo dos últimos 40 anos, assaltando os cofres públicos ao ocupar importantes cargos da República. A revista, definitivamente, errou. Quis jogar Brizola na vala-comum dos escândalos que pipocam todas as semanas contra políticos e poderosos. Com Brizola podemos ter toda e qualquer divergência. Mas jamais poderemos duvidar de sua conduta honrada e ética. Brizola faz parte de uma estirpe de políticos que insiste em sobreviver neste país: a dos honestos.

Leonel Brizola foi um dos homens mais investigados desde que se instalou neste país aquela "longa noite de horror", em 31 de março de 1964. Foi, aliás, lutando contra a violação do Estado de Direito e da Constituição que se pretendia naquele momento, que Brizola cravou fundo o seu nome na recente história política do Brasil. E, por isso, foi perseguido e teve de abondonar o país, transferindo parte de seu patrimônio para o Uruguai. E isso não configurou nenhum crime. Crime foi o que fizeram com Brasil durante quase 30 anos, período em que Brizola não pôde pisar neste chão. Brizola foi voz ativa contra a ditadura militar. É isso que precisa ser ensinado às nossas crianças e jovens.

A evolução patrimonial de Brizola em quase meio século poderia até ser considerada pífia. Não dá para comparar com outras figuras carimbadas da política e da economia que ostetam riquezas que surgem "do nada" e constroem impérios fabulosos em curtíssimo período de tempo, posando até de "símbolos do sucesso" mas que vivem sob o constante risco de cair na execração pública porque roubaram, corromperam ou simplesmente locupletaram. Não é justo fazer esta comparação porque, em 20 anos, Brizola apenas quadruplicou o rebanho bovino em suas fazendas no Uruguai. Não dá para dizer que isso é coisa de gente que rouba. A Veja, simplesmente, errou.

As críticas que dirijo a Brizola são de caráter muito mais elevado. E sempre estarão vinculadas à paixão com que ele defende as suas idéias. Nenhum adversário ousa atacar sua honradez. Já pertenci ao PDT. E lá aprendi a admirá-lo. Saí do partido em solidariedade ao governador Dante de Oliveira, que teve um desentendimento com Brizola - e isso é de amplo conhecimento público. Nada me impede, entretanto, de fazer justiça à sua biografia política. Creio até ser justificável o combate ideológico a Leonel Brizola. Mas o ataque à sua honra é inaceitável. É preciso que estas notícias que redundam em potenciais escândalos, quando feitas pela imprensa, sejam mais serenas e menos afobadas. E, principalmente, não se pautem na maledicência ou em interesses políticos escusos.

Faço com tranquilidade esta defesa porque conduzo o meu mandato pautado na ética e na moralidade pública. Faço com tranquilidade esta defesa porque votei contra José Roberto Arruda, mesmo sendo ele um amigo de bancada tucana - para Arruda, certamente sou um ex-amigo e este é o preço que pago por ter seguido minha consciência. Faço com tranquilidade esta defesa porque defendi o acordo com o PMDB para fazer de Aécio Neves presidente da Câmara e, mesmo assim, não hesitei em votar contra o peemedebista Jader Barbalho. Faço com tranqüilidade esta defesa porque sou tucano e Brizola, um aguerrido opositor ao governo do PSDB.

Leonel Brizola merece respeito à altura de sua importância na história política brasileira. Este homem pode ser combatido, repito, pela paixão com que defende suas idéias. Mas não por ter desonrado o exercício de um mandato público.

Respeitem a história. Respeitem Brizola!

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ANTERO PAES DE BARROS É SENADOR E ESCREVE EM A GAZETA AOS DOMINGOS ANTEROPE@SENADO.GOV.BR

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