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Brizola faz 79 anos articulando Frente para 2002
Veja também: Hélio Fernandes:"Brizola, uma vida, 79 anos de lutas e convicções" Entrevista: "Estamos limpando o PDT"
Reportagem de Oswaldo Maneschy e Antônio Oséas Fotos: Paulo Muniz
Leonel Brizola celebrou o seu 79º aniversário dia 22 de janeiro em plena atividade política articulando a frente nacional contra o neoliberalismo; inaugurando nova sede do PDT na Zona Oeste do Rio de Janeiro e, em Niterói, lançando a candidatura do prefeito Jorge Roberto Silveira filho de Roberto Silveira a governador do Estado em 2002.
As celebrações começaram no sábado, dia 13, com o almoço na casa do ex- Embaixador José Aparecido, oportunidade em que Brizola reiterou a Itamar a sua disposição de, ano que vem, acompanhá-lo numa possível candidatura presidencial. No dia 18, à convite do prefeito Jorge Roberto Silveira, Brizola esteve em Niterói onde participou de almoço que reuniu mais de mil militantes do PDT no Clube Rio Cricket, em Icaraí. Saudado com uma grande queima de fogos logo na entrada, Brizola levou cerca de meia hora para se deslocar da entrada do clube até o salão principal, tal a quantidade de pessoas que fizeram questão de abraça-lo e cumprimenta-lo. No sábado, dia 20, Brizola participou da inauguração da nova sede do partido na Zona Oeste e, na segunda-feira dia 22, reuniu-se com a militância do PDT, na sede da Fundação Alberto Pasqualini de Estudos Políticos, do PDT, na rua do Teatro na Praça Tiradentes, também pelo seu aniversário.
Brizola, tendo ao lado Jorge Roberto da Silveira
DISCURSO DE BRIZOLA - Íntegra do discurso de Leonel Brizola: Querido companheiro Jorge, a minha saudação, meu abraço, e minha estima a todos vocês. Muito obrigado por este momento de carinho fraterno, cheio de vida e também de esperança. Nós olhamos o futuro e olhamos com esperança. Nós temos um país que não vai morrer nunca e temos uma causa que também não vai morrer nunca. Especialmente quando nós fixamos nossos olhos em Niterói onde a bandeira trabalhista não caiu nunca. Jamais este povo jogará esta bandeira no chão. Agora mesmo estamos olhando o futuro com esperança. "Nós quase que não recordamos nossa história, porque somos mentes jovens, nós olhamos muito mais aquilo que desejaríamos para nossos filhos e netos, para nosso povo, do que aquilo que conseguimos fazer. Olhamos mais o futuro que o passado. Cultuamos, honramos o nosso passado. Nós ficamos confortados quando recordam nosso passado de coerência, de honradez. Nós não negamos nunca nossos compromissos. Nós jamais negamos os interesses do nosso povo, do nosso país, da nossa gente e da nossa nação. Então nós olhamos agora que saímos de uma crise, sacudimos nossas vestes, derrubamos o pó que nos ficou de toda esta briga que tivemos. "Já estamos olhando o futuro, já estamos todos preocupados em colocar o Jorge Roberto no comando deste Estado. Ao chegar aqui fui abraçado por uma companheira de Bom Jesus de Itabapoana. Olhei para ela e disse: Nestas próximas eleições, na próxima campanha, nós vamos alcançar em Bom Jesus, por uma questão de símbolo, porque lá nasceu o Roberto da Silveira, vamos alcançar a maior vitória municipal com a candidatura do Jorge, porque ele é o símbolo de todas as lembranças profundas que nos deixou o Roberto da Silveira. Sabem que eu o conheci bem. Ele era governador do Estado do Rio e eu era governador lá do Rio Grande. Trabalhamos juntos em muitas questões. Tínhamos mais ou menos a mesma idade (ele era mais moço que eu um ano). "Então, vivemos intensamente aquele tempo tempo. Aquilo que o Estado do Rio sentiu naquele dia desastrado, eu também senti lá no meu Rio Grande. Então, nós estamos unidos com esta tradição. Vocês vão ver o que vai acontecer na cidade do Rio de Janeiro. Já há um lugar preparado, esperando o Jorge Roberto. Se não fora isso, um homem aguçado, vivo, conhecedor daquela realidade como o César Maia, não estaria declarando já, agora, que vai apoiar o Jorge Roberto da Silveira. Ele me disse: Brizola, me presta um favor. Você com sua amizade, com seu companheirismo de partido, me traga, se possível todas as semanas, o Jorge Roberto por aqui que eu faço questão, me sentirei honrado em andar com ele por toda parte. "Então, nós vamos ter um duplo sentimento nestas próximas eleições. Primeiro, nosso coração vai bater forte de alegria com a vitória do Jorge. Segundo, nós também vamos sentir o conforto de ter derrotado a direita e os traidores que estão lá com ela. Obrigado, um abraço a todos vocês, porque vocês sabem que eu estou aqui para estarmos juntos, porque eu não comemoro mais o meu aniversário. Vocês recordam que houve um tempo em que por toda parte tinha mais quebra-mola do que caminho. Houve um abuso naquele tipo de sinalização. Agora estão tirando os quebra-molas e eu também estou tirando o meu aniversário. Já está liso e não há porque, mas no ano que vem, e no próximo, nós vamos estar juntos, se Deus quiser. Meu abraço e felicidade a todos vocês.
Brizola com Jorge Roberto, João Sampaio e Carlos Lupi
Estamos limpando o PDT com escova de aço Íntegra da entrevista coletiva de Brizola: P. Como o senhor vê a saída do governador Garotinho do PDT? R - Olha, a saída já era um fato consumado. Ele foi expulso do PDT porque ele nos traiu. Agora, quanto ao acolhimento dele no PSB, é uma situação que nos impactou. Porque existiu uma aliança entre nós e o PSB de meio século. Que nós estávamos lutando juntos, sempre fomos solidários ao PSB e elegemos muitos quadros do PSB. No Governo João Goulart, que sustentamos de arma na mão, eles foram tudo. Até primeiro-ministro. E agora eles viram as costas para esta aliança, para acolher um aventureiro. Uma pessoa sem ética, um político sem moral que traiu as suas origens. Esta foi uma atitude do PSB que nos afasta. Estamos hoje a uma grande distância deles, porque quem acolhe nosso inimigo, pelo menos, nosso amigo não é. Eu acho que eles vão dar com os burros nágua como se diz em linguagem camponesa, porque eles colocaram dentro do quarto uma cascavel e eles não vão dormir daqui por diante. Primeiro, pelo guiso, vão estar sempre ouvindo o guiso da cascavel e segundo, receosos do beijo da morte que a cascavel dá. Agora mesmo já perderam um quadro, um de seus melhores, senão o melhor quadro, que desempenhava alta função pelo partido, que era o prefeito Célio Castro, de Belo Horizonte, que saiu no fundo desgostoso pelo que ocorreu. P. Como o senhor faz uma avaliação hoje do PDT com tantas modificações? R - O PDT é como uma árvore que tem raízes muito profundas e estava ficando cheia de parasitas, de ervas de passarinho. Então o processo social nos levou a esses acontecimentos que representam uma poda. Alguns galhos estavam muito comprometidos e nós trabalhamos com moto-serra e agora, depois da poda, estamos limpando com escova de aço. O partido vai ressurgir pelo Brasil inteiro, extraordinariamente revitalizado. Tomem nota do que estou dizendo. Nós temos pedidos de ingresso no partido vindos de toda parte. O partido deu uma prova de autenticidade, de energia vital na hora que expulsa um governador de um estado como o Rio de Janeiro, na hora que tem independência e capacidade de julgá-lo como um desertor, como alguém que traiu a palavra empenhada. P. Governador, em relação a 2002 e ao Jorge Roberto: ele é o melhor candidato? R - Sem dúvida, o de melhor procedência, de melhor origem. Suas raízes são profundas. Garotinho é fogo no canavial perto dele. Ele tem a tradição do Roberto da Silveira, que é muito profunda na vida do Rio de Janeiro. Ele vai ser uma candidatura amplamente vitoriosa. P. Mas como o PDT pretende derrotar a popularidade do Garotinho? R - Ele não tem popularidade, ele tem auditório. E pensa que aquilo é popularidade. Ele vai ser derrotado pela população. É um artista de auditório, vocês vão ver. Sua candidatura é frágil, é oca.
BRIZOLA EM NITERÓI - No Clube Rio Cricket, em Icaraí Íntegra do discurso de JORGE ROBERTO SILVEIRA Estamos reunidos aqui hoje para homenagear o homem chamado Leonel Brizola que está completando 79 anos de vida. Muita gente pergunta: afinal, quantos anos o Brizola tem? É que poucos acreditam que o nosso líder maior já esteja com 79 anos de idade por conta de sua vitalidade, de sua disposição e de sua coragem. Estamos hoje aqui em Niterói para comemorar os 79 anos de história, de luta e de coerência política de Leonel Brizola. Para celebrar os seus 79 anos de lealdade ao povo brasileiro. Esta é a história de Brizola e me orgulho muito de estar aqui, na minha cidade, para esta homenagem. Porque Niterói é símbolo de tudo porque Brizola tem lutado e, sobretudo, é símbolo da lealdade. Talvez os companheiros de outros municípios não tenham entendido bem este adesivo com um coração que a nossa querida Eva, daqui do PDT de Niterói, criou. Este pequeno coração com a palavra sempre, no centro, foi usado durante nossa última campanha eleitoral. Fizemos uma campanha para cima, sem gastar muito e mostramos que nós, do PDT, queremos o melhor para o nosso país, para o nosso estado e para a nossa cidade. É por isso que durante a campanha, no centro deste coraçãozinho, estava o número12. Foi uma mensagem direta, rápida e extremamente simples. Agora, o coração com a palavra sempre quer dizer sempre com Brizola, com o PDT, com o nosso povo. E para encerrar, quero dizer aos companheiros de todas as cidades que estão hoje aqui, aos meus companheiros de Niterói, aos meus amigos e as minhas amigas; e, sobretudo, a Brizola: os seus 80 anos também serão comemorados em Niterói porque nesta cidade não se joga a bandeira do PDT no chão! Nesta cidade tenham certeza empunhamos a bandeira do trabalhismo e do socialismo com orgulho; empunhamos a bandeira do PDT com o coração e por ideologia jamais por oportunismo! Em nome dos presentes quero dar os parabéns ao nosso comandante Leonel Brizola pelos seus 79 anos de história. E dizer apenas: parabéns, estamos orgulhosos. |
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