O
SR. VIVALDO BARBOSA (Bloco/PDT-RJ.
Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, aqueles que acompanham a vida pública brasileira
ficaram chocados e estarrecidos diante de matéria da revista Veja,
que procura, por meio de ilações, atribuir ao Governador
Leonel Brizola aumento de seu patrimônio ocorrido em período
que ocupou funções públicas.
A
revista Veja tem grande ressonância nacional. Sua
editoria conta com profissionais altamente respeitados e
qualificados. Por isso torna-se inacreditável, como, em meio
a tantos profissionais tão qualificados tenha procurado tirar
ilações sem apontar fato ou ato material algum que impute ao
Governador Leonel Brizola ato ilícito, amoral ou não
recomendável a qualquer cidadão, muito menos a alguém que
faz parte da vida pública.
Leonel
Brizola está há mais de cinqüenta anos na vida Pública. É
imensa, intensa e longa sua carreira. Durante todo esse período,
sua conduta sempre foi ilibada e jamais foi arranhada. Teve
sua vida vasculhada pelo regime militar, que fez o que podia e
o que não podia em torno de sua vida pessoal e do seu patrimônio.
Nunca encontraram irregularidade alguma. Pelo contrário.
Leonel
Brizola foi Secretário de Obras Públicas, Prefeito de Porto
Alegre, Governador do Rio grande do Sul, importante e poderoso
Estado da Federação. Foi também, por duas vezes, Governador
do Estado do Rio de Janeiro e, em alguns momentos, teve influência
política sobre a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Foi
gestor de imensas quantias orçamentárias e responsável pela
execução de orçamentos de grande importância no País e em
diversos momentos. Agora, a revista Veja procura, por
deduções e ilações, dizer que Leonel Brizola praticou ato
reprovável por ter triplicado seu patrimônio no último período
de vinte anos.
Como
governador do Rio de Janeiro, Brizola construiu 500 escolas de
tempo integral, os CIEPS, 49 Ginásios Públicos, a
Universidade do Norte Fluminense, a Universidade da
Tecnologia, iniciou o processo de saneamento da Baixada
Fluminense, construiu estradas, o Sambódromo/Escola, enfim inúmeras
obras que, para se ter uma idéia, consumiu mais cimento e
ferro do que a construção de Brasília no período do
Presidente Juscelino Kubitschek.
Sem
apontar qualquer ato ilícito ou imoral praticado por Brizola,
a revista faz referência ao aumento de patrimônio pela ocorrência
de acréscimos de alguns hectares de terras uruguaias. Como é
que alguém, já tendo ocupado tantos cargos de tamanha
responsabilidade e já tendo gerido e executado volumosas
verbas do Tesouro dos Estados dos quais foi Governador, iria
ferir sua conduta moral apenas para acrescentar, em seu patrimônio,
alguns hectares de terras uruguaias? Ora, era de se esperar de
alguém que fosse capaz de se apropriar para si de bens públicos,
tendo a seu dispor, centenas de milhões de reais iria auferir
bens muito mais valiosos e em outros lugares e não em terras
de pastagens , terras uruguaias, ou brasileiras, dessas
desvalorizadas áreas da América Latina.
Apelo
aos jornalistas e profissionais de imprensa, especialmente aos
valorosos e qualificados profissionais da revista Veja
para que reflitam. Que façam um cálculo simples: se os
recursos auferidos por Brizola e D. Neuza na venda dos seus
bens no Brasil para fugirem ao confisco do regime militar
fossem aplicados na poupança ou em qualquer outra aplicação
financeira nacional ou internacional, como estariam hoje?
Teria muito mais do que triplicado. Ou façam o cálculo nos
últimos 20 anos, como sugere a revista. E reflitam que
Brizola comprou, vendeu, produziu. Só poderia crescer seu
patrimônio. Porque jogar maldade nisto?
Há
indicações de que está disponível na Internet dados do FED.-
O Banco Central Americano, que indicam que qualquer aplicação
financeira feita em 1967, estaria, hoje, oito vezes e meia
mais elevada.
Procuraram
dizer que seu filho João Otávio é hoje próspero empresário
nos Estados Unidos. Tomara que o seja. Aliás é o que
acontece com os brasileiros que para lá vão, quer como
engraxates, na limpeza, motoristas ou outros: naquela economia
próspera, só conhecem prosperidade. Mas quero dizer que me
lembro que João Otávio foi trabalhar como calculista de
risco de seguro para entidades privadas e para o Judiciário.
Depois, soube que, munido da parte da herança recebida da mãe,
passou a se dedicar na compra e reforma de casas velhas, com
financiamentos de bancos americanos. Fiquei feliz em saber
que, assim como a economia americana, seu trabalho também
hoje é próspero.
Conheço
esses imóveis, essa fazenda e esses locais que a reportagem
procura apresentar como suntuosos, pelo privilégio de privar
da intimidade de Leonel Brizola. Posso afirmar que são
instalações simples, correspondentes ao padrão de classe média
elevada, diferentemente das instalações suntuosas de
qualquer pessoa da elite brasileira.
Sr.
Presidente, estão assacando essas questões para enxovalhar a
imagem, a dignidade e a honra de um homem de mais de 50 anos
de vida pública exatamente porque sabem que Brizola tem muito
a oferecer à vida pública brasileira, especialmente nas próximas
eleições, mas o povo brasileiro e todos nós que
acompanhamos sua trajetória política somos testemunhas de
sua vida pública honrada, inatacável e ilibada.
Topo
O
SR. SALOMÃO GURGEL (Bloco/PDT-RN. Pela ordem. Sem
revisão do orador. ) – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, V.Exas. que integram esta Casa conhecem muito bem
minha luta contra a corrupção em todas as esferas do poder
desde que ocupo a cadeira de Deputado. Nacondição
de suplente de Deputado, tenho sofrido até ameaças por isso,
mas ocupo a tribuna para manifestar indignação com
reportagem publicada na revista Veja
desta semana que faz uma série de ilações contra o Dr.
Leonel de Moura Brizola, Presidente do PDT e uma das figuras
mais ilustres da história contemporânea do País, como se os
homens públicos que fazem a história do Brasil estivessem
sempre sujeitos a ser atingidos na sua dignidade e
igualados aos que se aproveitam da função no Estado
brasileiro para praticarem a corrupção, Sr. Presidente. A
manchete da revista Veja
tem o intuito de liquidar figuras importantes da vida pública
brasileira e que simbolizam o que há de melhor em prol da
libertação do Brasil. Pretende levá-las para a vala comum
onde estão corruptos e ladrões. Independentemente de partido
político, há brasileiros patriotas que defendem o País e
lutam contra a invasão estrangeira e a entrega de nossas
riquezas. Sr.
Presidente, há na cultura da elite brasileira o pensamento de
que aquele que não presta para exercer a medicina ou a
engenharia, quem não é bem- sucedido no Direito, que vá
fazer carreira na política, porque pode ficar rico. A revista
Veja faz ilação
de que, durante a sua vida, o Dr. Leonel de Moura Brizola
construiu patrimônio de 15 milhões de reais, o que quer
dizer que S.Exa. teria se aproveitado das funções públicas
que exerceu para constituir esses bens. Em momento algum, a
reportagem da revista diz que todo o patrimônio de Leonel
Brizola foi adquirido de forma corrupta ou saqueado dos cofres
públicos, comose
o cidadão não pudesse construir fortuna pela competência,
trabalho e heranças. O Sr. Leonel Brizola tem condições de
provar que tudo o que conseguiu foi de forma lícita e de
processar os caluniadores. É o que neste momento, Sras. e
Srs. Deputados, a Nação exige. Não podemos admitir que essa
lançada contra o presidente do nosso partido passe em branco,
como se Brizola fosse um Pitta ou um Maluf da vida. Esses,
sim, não têm condições de provar na Justiça o patrimônio
que adquiriram. Milhões de admiradores de Leonel Brizola vão
salvar a reputação desse brasileiro ilustre, a quem todos
devemos muito por tudo o que fez em defesa dos trabalhadores.
Diante disso, deste PDT que luta contra a corrupção e pela
ética, quero prestar solidariedade ao nosso Presidente Leonel
de Moura Brizola atacado na sua honra, na sua dignidade de
grande brasileiro por reportagem na qual não se comprova
acusação alguma em relação ao seu patrimônio. Cadaum
de nós, Parlamentares, quando lutamos pela ética dentro do
Congresso, devemos estender também a nossa luta em defesa de
todos aqueles brasileiros que, como Leonel Brizola, têm uma
vida inteira dedicada aos combate aos espoliadores do povo
brasileiro, em defesa dos trabalhadores, pela ética e pela
dignidade na política. Sr. Presidente, muito obrigado.
Topo
O
SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO (Bloco/PDT-SP. Pela
ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, compareço a esta tribuna na tarde de hoje para
tratar de assunto que afeta, de maneira muito profunda, nós
todos que temos vida pública. Refiro-me à matéria veiculada
na revista Veja,
edição desta semana, a respeito do presidente nacional do
meu partido, o engenheiro Leonel de Moura Brizola.
Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sei que outros colegas de
bancada já ocuparam esta tribuna para se manifestar sobre o
tema, mas nãoposso
me furtar ao dever cívico de nesta Casa comparecer para
examinar alguns aspectos desta matéria, que merece de todos
quantos tenham consciência cívica, neste País, o mais
profundo e integral repúdio. Imaginem que a revista Veja
acusa o ex-Governador Leonel Brizola de, no período de 20
anos, ter promovido o aumento de seu patrimônio pessoal em
quatro vezes.
Tomo
como exemplo, para cotejo, para conferência, a matéria
veiculada na revista ISTOÉ
desta mesma semana. Segundo esta revista, um cidadão que
recorreu a 100 reais em seu cheque especial em 1993 deve hoje,
com encargos e correções, cerca de 160 mil reais. Quantas
vezes teria o banqueiro que emprestou esses 100 reais ao pobre
trabalhador, que usou o seu cheque especial, multiplicado o
seu capital? Mil, 10 mil, 1 milhão de vezes? Isso é
permitido ao banqueiro que empresta, através de cheque
especial, a juros de 10% ou 12% ao mês, mas não o é ao
Governador Leonel Brizola, que herdou de sua digníssima e
pranteada esposa nada menos que quase uma dezena de
propriedades rurais, número
hoje limitado a uma única.
Sr.
Presidente, quem, em vinte anos,
por crescimento inercial, não conseguir aumentar seu patrimônio
não está sequer credenciado para dar sua contribuição à
vida pública deste País por declarada incompetência.
O
engenheiro Leonel Brizola foi Governador três vezes e é um símbolo,
uma referência do comportamento ético na vida pública deste
País. Assim, não aceitamos que seu nome seja enxovalhado por
pessoas interessadas em tornar todo mundo igual. Alguns
partidos que compõem a base do Governo estão mergulhados em
acusações de corrupção, mas agora, para que não se
consiga separar o joio do trigo, querem também tingir de joio
quem, na verdade, é trigo.
Sr.
Presidente, o patrimônio do Governador Leonel Brizola, desde
1993, era composto – pecuarista que é – por muitas cabeças
de gado. A revista Veja
supõe que nenhuma das vacas de propriedade do Sr. Leonel
Brizola tenham procriado. Seria uma criação de vacas
solteiras que não aumentam o rebanho? Como é possível tanta
ignomínia, tanta solércia a serviço de um establishment
que quer nivelar por baixo os demais partidos que o apóiam?
O
povo, porém, não se deixa enganar. Se o dinheiro ficar
apenas depositado durante vinte anos, como o salário mínimo
de José da Silva, na caderneta de poupança a 0,78% de juros
ao mês, contra os
10% que o banqueiro cobra no cheque especial, em 20 anos este
dinheiro terá sido multiplicado por muito mais de 4 vezes.
Sr.
Presidente, estamos assistindo o Congresso Nacional e a vida pública
sendo sitiados permanentemente por matérias desta natureza.
Gostaria de lembrar à Casa que uma direção fraca e um
Presidente fraco fazem fraca a forte instituição. Basta, Sr.
Presidente! Não temos juizes públicos para fazer juízos e
julgamentos de superfície. Não aceitamos essa equiparação
por baixo, feita por alguns órgãos de imprensa deste País.
Os que têm dignidade na vida pública têm o dever de
protestar e falar em favor dos inocentes, dos corretos e
aqueles que não são querem enxovalhar para confundir a opinião
pública, uma vez que, sendo todos iguais, não há por que
escolher o melhor.
Topo
O
SR. JOSÉ GENOÍNO (PT-SP.
Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o
assunto é importante. Queremos associar-nos à bancada do PDT
nessas manifestações de solidariedade ao Governador Leonel
Brizola. Podemos divergir, mas não questionar a seriedade e o
seu comportamento correto ao longo da vida, principalmente
quanto ao trato da coisa pública. Sr. Presidente, queremos
deixar claro que não temos nada a ver com essa denúncia
apresentada pela revista Veja, à qual alguns meios de
comunicação vêm tentando vincular o PT, particularmente o
do Rio Grande do Sul. Através do Presidente do PDT de São
Paulo, transmito minha manifestação de apoio e solidariedade
a Leonel Brizola e à bancada do PDT.
A
SRA. ZULAIÊ COBRA (PSDB-SP.
Pela ordem. Sem revisão da oradora.) -Sr. Presidente, quero
falar em nome do PSDB e cumprimentar o Presidente do PDT de São
Paulo, Deputado José Roberto Batochio, pelo brilhante
discurso proferido há pouco. Estamos realmente vivendo um
processo muito difícil. A imprensa acusa sistematicamente
pessoas públicas, como ex-Governadores, ex-Prefeitos,
ex-Deputados Federais e Estaduais, inclusive Deputados em
exercício. A culpa disso não é só da situação política,
mas da Justiça deste País. Deixo registrado um protesto:
nossa Justiça precisa ser mais ágil e dinâmica para punir
seja quem for, a fim de que haja independência e liberdade
neste País. Cumprimento mais uma vez o Deputado José Roberto
Batochio, representante do meu Estado, que preside o grande
PDT.
Topo
O
SR. AVENZOAR ARRUDA (PT-PB.
Pela ordem. Sem revisão do orador.) -Sr. Presidente, Sras. e
Srs. Deputados, antes de ingressar no tema que me traz à
tribuna, quero associar-me às manifestações de
solidariedade ao ex-Governador Leonel Brizola e dizer que
concordo com o importante discurso do Deputado José Roberto
Batochio, que foi extremamente corajoso ao se pronunciar sobre
questão com a qual é preciso ter muito cuidado. Do contrário,
ficaremos o tempo todo respondendo questões que não têm a
menor consistência. Infelizmente, o estrago já está feito,
na medida em que ganha uma dimensão pública como essa
reportagem.
O
SR. VIRGÍLIO GUIMARÃES (PT-MG.
Pela ordem. Sem revisão do orador.)
-
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de entrar no
assunto que me traz à esta tribuna, não poderia deixar de
registrar que, como autor de um requerimento da Câmara
Municipal de Belo Horizonte que concedeu ao Presidente do PDT,
o ex-Governador Leonel Brizola, o título de cidadão honorário,
reafirmo as razões que me fizeram concordar com a concessão
daquele título. Não conheço o valor do patrimônio de
Leonel Brizola, mas S.Sa. merece a confiança do País,
portanto, a minha também. Assisti à defesa feita em favor de
sua honra pelos seus companheiros de partido. Gostaria de me
incorporar a ela juntamente com o Deputado José Genoíno. Faço
isso tranqüilamente. O Brasil precisa de figuras confiáveis,
e tem tido, ao longo de muitas décadas, o engenheiro Leonel
Brizola. S.Sa., o Governador Olívio Dutra e tantas outras
figuras gaúchas têm marcado suas trajetórias políticas,
com divergências com este ou aquele, mas sob o manto da
conduta ética, visando aos interesses nacionais.
Topo
O
SR. POMPEO DE MATTOS (Bloco/PDT-RS. Sem revisão do
orador.) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, venho à
tribuna para fazer coro aos meus colegas da bancada do Partido
Democrático Trabalhista — PDT —, exatamente para
questionar matéria referente ao ex-Governador Leonel Brizola
publicada pela revista Veja nesta semana.
Começo
fazendo uma pergunta: a quem interessa enxovalhar o nome do
Dr. Leonel de Moura Brizola? Em nome de quem fala a Veja?
A revista não fez nenhuma acusação, não apresentou nada
que envolvesse o nome do Dr. Brizola em falcatrua, desvio de
verba ou maracutaia, absolutamente nada. Só fez ilação. Fez
fumaça para que os desavisados, pensem que há fogo. A Veja
está fazendo fumaça.
Pergunto
a mim mesmo: se o Dr. Brizola não é candidato a nada —
como ele mesmo tem dito —, a quem e a quê está se
prestando a Veja nesse momento? Faço uma interpretação
O
Sr. Leonel Brizola, político honrado, foi Governador do Rio
Grande do Sul. S.Exa. sempre teve mãos limpas, não porque as
tivesse lavado, mas porque nunca as sujou com o dinheiro
imundo da corrupção. Perseguido pela ditadura, foi obrigado
a deixar o País. O regime militar fez de tudo para descobrir
alguma coisa que o desabonasse. Nada encontrou.
Leonel
Brizola foi Governador do Rio de Janeiro duas vezes. Teve suas
contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e pela Assembléia
Legislativa do Estado. Nada, absolutamente nada foi encontrado
contra sua pessoa.
A
Veja vasculhou a vida do Sr. Brizola. Investigou-o de
todo o jeito e nada encontrou. A única coisa que a revista pôde
dizer foi que S.Exa. quadruplicou seu patrimônio ao longo dos
últimos vinte anos. Ora, isso pode acontecer com qualquer um
que souber aplicar seu dinheiro.
A
Veja, entretanto, faz a matemática da política suja,
na qual dois mais dois podem ser 27, 33, 45; enfim, qualquer
coisa que não quatro.
E
aproveito o ensejo para lançar à revista um desafio: examine
o patrimônio do Sr. Roberto Civita, que, aliás, veio da
Argentina.
Não
sei em que condições ele se instalou no Brasil e enriqueceu.
Duplicou, triplicou, quadruplicou, quintuplicou seu patrimônio.
Isso é crime? Não. Crime é não fazer cresceu o próprio
patrimônio. O Sr. Brizola recebeu de herança vários bens
depois da morte dos pais de sua esposa, Sra. Neuza Goulart
Brizola. Administrou-os muito bem. Isso é crime? Não.
Não
tem fundamento o que a revista Veja está publicando.
Apenas uma coisa me faz compreender tudo isso: os grandes
figurões da política nacional do País — Antonio Carlos
Magalhães, José Roberto Arruda, Jáder Barbalho, juiz
Nicolau, Luiz Estevão, Celso Pitta e Paulo Maluf — foram
denunciados. E o que aconteceu com eles todos sabemos: nada.
Estava sobrando o Sr. Leonel Brizola. Homem limpo, contra quem
não há nada a dizer.
Leonel
Brizola governou o Rio Janeiro durante oito anos. Todas as
suas contas foram aprovadas. Não há nenhuma denúncia quanto
a desvio verba. Apenas podem dizer que está bem de vida.
Aproveito para dizer à revista Veja que S.Exa. está
bem de saúde também, para desgraça de alguns. Leonel
Brizola foi a única pessoa a doar terras para a reforma agrária
no Rio Grande do Sul.
Talvez
estejam duvidando do que disse. Não sei da existência de
qualquer outra pessoa nesta Casa que tenha doado pelo menos
dez hectares para reforma agrária. O Sr. Leonel Brizola doou
mil hectares das terras herdadas da família de sua esposa,
Neusa Goulart Brizola, para a reforma agrária. Leonel Brizola
é símbolo de dignidade, possui carisma e respeito. Por isso,
o povo gaúcho o admira e o tem como referência de ética,
dignidade e moral.
A
Veja emparelhou todas as figuras públicas como se
fossem farinha do mesmo saco. Nivelou todos por baixo. Não
obteve êxito. Errou. O povo não é bobo, sabe fazer conta e
não vai fingir que não o sabe. O Dr. Brizola possui seu
patrimônio, produziu, gerou, gerenciou e administrou seus
bens. Mereceu tê-los. Soube gerenciá-los.
A
Veja possui muito mais do que o Dr. Brizola. Isso,
contudo, não é dito. Pimenta nos olhos dos outros é o mesmo
que colírio nos olhos da gente. Querem falar bobagem para ver
se colhem asneiras dos outros.
Topo
O
SR. EURÍPEDES MIRANDA (Bloco/PDT-RO.
Sem revisão do orador. ) – Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, inicialmente gostaria que fosse dado como lido
pronunciamento onde falo da importância da EMBRAPA, da CEPLAC
e da EMATER para o Brasil, especialmente para o meu Estado que
tem vocação muito forte para a agricultura, muito embora os
nossos produtores rurais sejam muito penalizados nos últimos
tempos, mas precisamos investir maciçamente em um órgão da
mais alta relevância para o País e para o meu Estado, como
acabo de dizer, como é o caso da EMBRAPA, da CEPLAC e da
EMATER.
Sr.
Presidente, em meu modesto pronunciamento gostaria de tornar
minhas as palavras dos companheiros José Roberto Batochio e
Pompeo de Mattos. E dizer que como pedetista do Estado de Rondônia
temos orgulho de sermos representados em âmbito nacional pelo
companheiro Leonel Brizola. E a partir do momento que se
verifica a grande insatisfação da nossa população nos dias
atuais o desespero começa a crescer para que não ocorram
mudanças substanciais no pleito do ano que vem. Estamos
verificando com naturalidade o que está acontecendo em âmbito
nacional, porque no meu Estado, o Estado de Rondônia, esse
tipo de atitude acontece há seis meses.
quando
aqueles que detêm o poder, que não conseguem fazer nada de
positivo para a população, começam a denegrir a imagem
daqueles que fazem com veemência uma oposição responsável
no Estado de Rondônia.
Se
no Estado de Rondônia esse tipo de crítica irresponsável já
vem acontecendo, talvez haja uma decisão deliberada, em nível
nacional, para que isso venha a ocorrer em todo o País. Não
tenho dúvida disso. Porque o nome de pessoas honradas como o
de Leonel Brizola, e a de outros brasileiros, como o do
Governador do Rio Grande do Sul, e até do Governador do Ceará,
Tasso Jereissati não têm sido poupados ultimamente. Será
que não é com a preocupação das eleições que vão
acontecer ano que vem? Então precisamos agir com muita
seriedade, com muita serenidade para não nivelar as pessoas
de bem com os corruptos, com aqueles que verdadeiramente
colocaram a mão no dinheiro do povo, que tiraram o dinheiro
do remédio, da merenda escolar, dos postos de saúde, da
manutenção das estradas. Não podemos admitir, de maneira
alguma, que pessoas de bem venham a ser niveladas com esse
tipo de pessoas que não têm autoridade, nem (ininteligível)
para criticar cidadãos que fizeram a história deste País.
No caso do Governador Leonel Brizola, temos uma pessoa que está
há muitos anos com uma posição clara, transparente, tranqüila,
e que age com veemência em defesa dos interesses nacionais.
O
mesmos foi dito pelos meus companheiros Deputado Pompeo de
Mattos e Deputado José Roberto Batochio. Brizola é um homem
que sempre agiu com transparência. Temos orgulho em dizer que
estamos em um partido presidido por ele.
S.Exa.
é a nossa bandeira: da transparência e honestidade. E isso só
nos dá mais força de tranqüilidade para sabermos que o Sr.
Leonel Brizola não faz parte da SUDAM, dos precatórios, não
está envolvido na podridão daqueles que pegaram o dinheiro
do povo. Hoje procuram de todas as formas nivelar todo mundo
por baixo.
Sr.
Presidente, andamos de cabeça erguida, com tranqüilidade e
serenidade. E aqueles, como foi dito na novela, do pererecário,
será que andam com essa mesma tranqüilidade e serenidade? Não
temos nada a ver com o ranário nem com pererecário: estamos
absolutamente tranqüilos e despreocupados, procurando levar
melhorias para o povo do nosso Estado e do nosso País.
Era
o que tinha a dizer e muito obrigado, Sr. Presidente.
Topo
O
SR. FIORAVANTE (PT-RS. Sem revisão do orador.) –
Sr. Presidente, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares,
venho a esta tribuna com o primeiro objetivo de registrar
minha solidariedade ao ex-Governador do Rio Grande do Sul,
Leonel Brizola, diante das acusações, a meu ver, injustas,
difamatórias e, sem dúvida nenhuma, caluniosas que recebe em
manchetes feitas nos jornais do Brasil, em especial pela
revista Veja.
Embora
tenhamos muitas divergências, por participarmos correntes de
pensamento político diferentes, reconhecemos o ex-Governador
Leonel Brizola como um símbolo da ética na política do
Brasil. Durante muitos anos, mesmo no tempo de ditadura
militar, não conseguiram tirar da sua pessoa essa marca da
seriedade, da ética, da honestidade. Tenho certeza de que
essas acusações são difamatórias e caluniosas.
Aproveito
esta oportunidade para chamar a atenção dos dirigentes
nacionais do PDT e também do Estado do Rio Grande do Sul,
onde nosso companheiro Olivio Dutra está sendo vítima de uma
série de atentados difamatórios e injuriosos à sua pessoa.
Fez-se no Rio Grande do Sul uma CPI que roda como uma máquina
giratória há muitos anos para apurar os problemas da segurança
pública.
para
apurar os problemas da segurança pública no Rio Grande do
Sul e foi chegar nos financiamentos de campanha, e, de uma
forma maquiavélica, cruel, procura denegrir a imagem do nosso
companheiro Olívio Dutra, Governador do Rio Grande do Sul,
uma das principais lideranças, das principais marcas da ética
na política neste País.
O
Governador Leonel Brizola é acusado de ter multiplicado em
quatro vezes o seu patrimônio, hoje, para a quantia de
aproximadamente 15 milhões. Isso, sem dúvida nenhuma, é uma
acusação infundada, injuriosa, maldosa. E, no Rio Grande do
Sul, o nosso companheiro, o Governador Olívio Dutra, que foi
Prefeito de Porto Alegre, depois de ter governado a cidade de
Porto Alegre, voltou humildemente a exercer sua função de
bancário, trabalhar no caixa de banco, até garantir o seu
direito à aposentadoria, andava de ônibus enquanto Prefeito
de Porto Alegre, praticamente não possui patrimônio e,
agora, vê o seu único patrimônio - o mais rico do nosso
partido, dos nossos militantes - a sua honestidade hoje sendo
atacada pela Direita local, por aqueles que querem transformar
o debate eleitoral deste País, que vai acontecer no ano que
vem num debate onde todos são iguais, onde a roubalheira que
acontece no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso de
forma maquiavélica, através do sofisma, quero dizer, que
pode também estar presente dentro do PT, dos Governos de
Esquerda, dos Governos democráticos e populares.
Portanto,
o Governador Leonel Brizola é um símbolo da ética na política,
mostrando que é possível se fazer política com ética, com
seriedade, o que muitos não admitem.
Queremos
dizer que nós, do PT, temos a maior honra, o maior orgulho,
de ter à frente uma Liderança como a do nosso companheiro Olívio
Dutra, que hoje vem sendo difamado numa CPI que vem falar das
questões de financiamento de campanha através do jogo do
bicho. Se vamos abrir aqui os partidos que fazem parte da base
do Governo e ver quem recebeu financiamento de campanha do
jogo do bicho, aí vamos ver onde está o problema.
Finalmente,
Sr. Presidente, que não é a primeira vez que nós, do PT,
somos vítimas de injúrias e difamações. Caso Lula, Caso
Nubeca, Caso do Leme — o "três em um", aquele
aparelho de som —, transformou-se no maior instrumento de
denúncia contra o nosso companheiro Lula naquela eleição
com o Collor.
E
no ano que vem, não há dúvida de que aqueles que querem ir
por esse caminho já começaram a armar suas baterias contra nós
porque sabem que é a vez da esquerda governar o Brasil.
Topo
O
SR. DR. HÉLIO (Bloco/PDT-SP. Sem
revisão do orador.) – Sr. Presidente, em primeiro lugar,
gostaria de me solidarizar com os demais companheiros que nos
precederam nesta Casa, como o nosso Presidente estadual do PDT
paulista e demais companheiros com relação à figura do
nosso Presidente Nacional do PDT, Leonel Brizola.
Essa
situação não surge de forma simples a partir do sentimento
arguto de um determinado jornalista em busca de uma matéria
que possa produzir vendagem. Surge no bojo de uma discussão
política maior que são os destinos do governo do País no
ano que vem.
Se
formos fazer uma pesquisa popular, veremos que a primeira
preocupação do brasileiro, do Norte ao Sul do País, é com
relação à honestidade do candidato, no sentido ético da
política. Não existe nenhum político vivo participante da
história republicana que tenha passado pelas dificuldades e
perseguições políticas e construído um marco de honradez,
seriedade e ética neste País como Leonel de Moura Brizola.
É
importante situar o povo brasileiro na história pregressa de
um homem político que tem uma família, mas é obrigado, por
força de suas convicções, a deixar seu País e a ter uma
relação familiar difícil. Como subproduto disso, surge uma
série de problemas comportamentais, exposição de fraquezas
em família, alterações de caráter, tudo isso no jogo do
vale tudo da política, que pode e é usado pelo poder econômico
nesse jogo político com "p" minúsculo. Essa
realidade mostra, muitas vezes, vítimas familiares do
processo político histórico deste País, tendo como marco o
Sr. Leonel de Moura Brizola. O jogo político e econômico do
País, às vésperas de decisões, não perdoa.
É
capaz de se utilizar das formas mais perversas para colocar em
evidência e tentar destruir a figura política de Leonel de
Moura Brizola. Mas, o passado de um homem que foi Prefeito,
que fora Deputado, Governador por três vezes, essa figura,
esse passado está acima de suposições aventadas por
quaisquer que sejam as histórias contadas por uma revista,
por um jornal ou por qualquer meio de comunicação. Está
acima de interesses menores, de falsas interpretações e,
certamente, não comprometerá a sua história de mais de cinqüenta
anos de vida pública, que completa, em janeiro próximo,
oitenta anos de idade.
Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, iniciou-se a disputa política
no País. O sentimento da população aponta em 87% para
honradez, para ética, e não são pequenas páginas de uma
revista, no sabor dos interesses econômicos e políticos, que
possam pôr um ponto final à história política desse grande
homem. Existem coisas que se escrevem e se crê. Agora,
existem coisas que se escrevem e que só servem para lê; não
se têm fundamento, credibilidade, conteúdo de crédito e não
poderá, de forma nenhuma, manchar a história de um homem,
cuja vida se confunde com a própria história da vida democrática
brasileira.
O
SR. MIRO TEIXEIRA (Bloco/PDT-RJ.
Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, na
edição desta semana, a revista Veja faz alentada matéria
sobre a evolução do patrimônio do Presidente do PDT,
ex-Governador Leonel Brizola.
Por
conta do feriado, a revista circulou na quinta-feira da semana
passada. Passaram-se alguns dias — sexta-feira, sábado,
domingo e segunda-feira — somente na terça-feira os jornais
nacionais deram segmento à história, fizeram suíte da história,
provocados por uma entrevista coletiva convocada por Leonel
Brizola para ontem no Rio de Janeiro.
O
dado é relevante porque mostra o reconhecimento da imprensa
diária à inconsistência da matéria publicada na revista Veja,
que não faz qualquer acusação a Leonel Brizola. Diz apenas
que seu patrimônio evoluiu quatro vezes em 20 anos, o que
pode ser muito e pode ser pouco. Puxado na ponta do lápis,
poderia ser o ex-Governador Leonel Brizola acusado de má gestão
porque, caso se dedicasse a aplicações financeiras, seu
patrimônio estaria multiplicado por pelo menos oito vezes e
meia.
De
qualquer maneira, lá está a reportagem, que nos coloca a
navegar no pior dos mares: aquele em que não há ondas.
Aparentemente, não há acusações, mas há, porque não é
notícia dizer que o patrimônio de uma pessoa, ainda mais se
tratando de personalidade pública de destaque, cresceu quatro
vezes em vinte anos, exceto se embutido na reportagem qualquer
ponto revelador de desvio de dinheiro público, de falta de
exação no cumprimento do dever, de atendimento a qualquer
interesse escuso. Não há isso na reportagem, nem poderia
haver. A matéria ganhou repercussão em função da
entrevista coletiva que ontem concedeu Leonel Brizola.
Sr.
Presidente, não precisa S.Exa. que eu venha à tribuna
hipotecar-lhe solidariedade, mas faço questão de dizer que nós
do PDT estamos juntos em qualquer circunstância, porque
Leonel Brizola tem a nossa confiança.
Não
somos um partido que se entregue levianamente a acusações.
Quando percebemos acusações levianas, manifestamos nossa
discordância com elas, como aqui fizemos à época do
surgimento do Dossiê Cayman. Na ocasião vim à tribuna e
falei da inconsistência da documentação exibida pelos
jornais.
Recentemente,
foi apreendida agenda de um lobista, na qual constavam nomes
de pessoas sérias. Não se sabe por que lá foram parar: se
para confundir ou comprometer.
Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos diante de algo
muito sério: a demolição do que existe de referência pública.
Uns mais, outros menos, mas todos que fizeram parte desses
episódios são referências públicas.
Recebi
telefonema da Deputada Zulaiê Cobra, e ela me dizia que
estava abrindo seu sigilo bancário. Opus-me à atitude da
Deputada. Disse-lhe que não era suspeita de nada e que tinha
a confiança de seus companheiros. Pedi à Deputada que não
se autoflagelasse.
Quem
imaginar que Leonel Brizola vai se autoflagelar estará
equivocado. Ele é homem acostumado às perseguições do
regime militar, aos embates da vida pública, e sempre em
condições muito adversas. Às vezes, políticos que não têm
ainda trajetória que fala por si só sentem-se compelidos a
vir perante seus pares dizer que é inocente.
Leonel
Brizola não tem o que dizer sobre sua inocência porque de
nada é acusado.
Não
existe qualquer referência a qualquer ilicitude. Não existe
nada além da perversidade da insinuação, da afirmação
velada e sem a determinação de qualquer fato.
Restou
a suspeita de que a matéria teria sido estimulada pelo PT do
Rio Grande do Sul. Entretanto, tal suspeita não me atingiu.
Hoje, celebro o fato de que recebemos palavras de
solidariedade por parte de Parlamentares do PT, como Chico
Alencar, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, e, aqui
na Câmara dos Deputados, de José Genoíno, Fioravante,
Aloizio Mercadante e muitos outros.
Devo
dizer aos nobres colegas que este mau momento pode significar
um bom momento. Tal afirmação pode ser verdade se nos
revelar a necessidade de união entre os democratas, entre os
homens de bem, entre aqueles que não temem. Isso é necessário
para que possamos fazer da democracia um instrumento da
verdade. Afinal, a verdade deve ser de todos e dever de todos.
A
teoria da prova, que foi utilizada pelo nazismo, não pode
existir no Brasil. Tal teoria pregava que, em vista das acusações,
os acusados é que deveriam fazer as provas negativas.
Mas
qual a prova negativa que pode fazer Brizola, se não foi
acusado de nada? Fará uma auditoria de sua vida. Irá à
barra dos tribunais e a verdade haverá de se tornar explícita.
Agradeço
aos diversos partidos as manifestações e àqueles que
conhecem a história de Brizola. Chamo a todos à reflexão,
para que nos livremos da possibilidade das intrigas que nos
separam, para que nos livremos da desconfiança que não deve
existir entre pessoas do bem. Devemos procurar saber por que
isso está se passando.
Não
é possível que em uma democracia estejamos sujeitos à
dissabores muitas vezes piores do que as cassações impostas
pelo regime militar, quando era notória a injustiça e a
repulsa popular contra a arbitrariedade.
A
imprensa livre tem que ter um objetivo a ser mantido. A
imprensa tem o dever de fiscalizar e, acima de tudo, o dever
da responsabilidade.
Sr.
Presidente, solicito que faça parte de meu discurso as
entrevistas publicadas hoje no Jornal O Globo
e no Jornal do Brasil, em que Brizola dá as explicações
que julguei dispensáveis neste momento.
Para
nós não é necessário, mas é preciso que pensemos nos
efeitos políticos do que se está passando contra as
personalidades públicas do Brasil. (Palmas.)
Topo
O
SR. WALTER PINHEIRO (PT-BA. Sem revisão do
orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero
aqui, em nome da bancada do Partido dos Trabalhadores, trazer
mais do que solidariedade ao ex-Governador Leonel Brizola.
Para
nós fica muito claro e evidente ser uma campanha, uma marcha
em curso, para atacar-se figuras públicas, reconhecida ao
longo da sua história exatamente pela vida austera, pelo
combate à corrupção, marcada ao longo dos anos como figuras
que contestaram toda e qualquer sorte de manobra e maniqueísmo
adotado principalmente num confronto estabelecido na história
de vida, como tem Leonel Brizola, contra a ditadura militar
neste País, pela construção da democracia.
Não
compreendemos, em hipótese alguma, mesmo, deixando claro, até
as divergências, Deputado Miro Teixeira, que, porventura,
temos tido no último período com o ex-Governador Leonel
Brizola, essas divergências não podem, em hipótese alguma,
permitir que assistamos manchar uma vida marcada ao longo de
toda uma luta política neste País como a vida do Sr. Leonel
Brizola.
Não
podemos admitir, em hipótese alguma, que variação
patrimonial de um homem, que já numa etapa, que diria avançada
da sua vida, que todos tenham a oportunidade de construir essa
variação patrimonial, possa ser utilizada de forma
inescrupulosa, como se fosse um ganho, um acúmulo
acrescentado ao patrimônio por formas levianas, ou tentando
associar a esta variação patrimonial, o fato do Sr. Leonel
de Moura Brizola, ter desempenhado cargos públicos ao longo
da sua vida.
Portanto,
quero deixar muito claro, que não só nos solidarizamos, como
repudiamos veementemente esta tentativa de pegar figuras públicas
e tentar carimbar no momento da essência do debate, da essência
da política para a transformação, principalmente, do
chamado embate nacional e escolher figuras emblemáticas, símbolos
desta luta, como elementos que poderiam ser atacados com um
objetivo muito claro. Ainda que tentem atacar Leonel de Moura
Brizola, ou qualquer outra figura da nossa história política,
a intenção muito clara não é de atingir o cidadão, mas é
atingir o que esse cidadão representa.
E
nesse particular atingiu o Partido Democrático, o Partido dos
Trabalhadores, o Partido Comunista do Brasil, o Partido
Socialista Brasileiro, o PPS, enfim, atingir partidos da nossa
estrutura, como se fosse possível, através de uma destruição
de figuras públicas, a destruição de toda uma linhagem política
e a consolidação de uma campanha.
Na
realidade quero aqui deixar muito claro, o Deputado Miro
Teixeira tocou nesse ponto, é óbvio que repudiamos talvez de
forma muito clara a tentativa de alguns associarem essa denúncia
a atitudes que poderiam ser patrocinadas por companheiros do
Rio Grande do Sul.
Portanto,
repudiamos essa tentativa de colar no PT o fato de a denúncia
partir exatamente do episódio que se tem vivenciado no Rio
Grande do Sul com a mesma linhagem de buscar atingir uma
figura pública como Olívio Dutra, que todos conhecem não só
o seu passado mas de forma intensa a sua vida presente e sabem
dos seus compromissos.
Portanto,
quero aqui, Deputado Miro Teixeira, dizer que esse episódio
pode vir em um momento importante da nossa história, para que
a esquerda reflita nesse exato ponto qual a necessidade de
buscar a unificação da sua frente, das suas campanhas e da
sua jornada, para exatamente derrotar aqueles que nesse exato
momento da democracia buscam atingir de forma ampliada todos
os setores da esquerda do País.
É
importante que reflitamos agora quais as nossas tarefas e as
nossas responsabilidades, como deveremos enfrentar esse
momento. Creio que não estou aqui para dar nenhum tipo de
indicativo ou de caminho, mas a esquerda aprendeu que nos
momentos mais duros a sua unidade falou mais alto, a
capacidade de somar as suas forças trouxe-nos a possibilidade
real de vitória em confronto com o projeto da ditadura como
vivenciamos no passado.
Deputado
Miro Teixeira, deixo a V.Exa. e a Leonel Brizola, em nome do
Partido dos Trabalhadores, nossa solidariedade.
Não
podemos aceitar, em hipótese alguma, que esse tipo de
campanha seja utilizado como marco de processo eleitoral. Eleição
disputa-se no marco da eleição, e não inventado pantomimas,
ou surgindo das cinzas, ou levantando histórias de patrimônios
pessoais, tentando associá-los a benefícios auferidos ao
longo do mandato.
Ficam
a lição e o ensinamento para que todos tenhamos oportunidade
de discutir de que forma essas campanhas são feitas e quais
os seus objetivos. Teremos muito o que aprender. Nesse momento
de aprendizado o melhor a fazer é a Oposição tentar aplicar
a lição que ao longo da vida aprendeu: a unidade. Essa
unidade é que restabelecerá nossas forças para enfrentarmos
de forma vigorosa toda a campanha sórdida travada contra
figuras públicas como Leonel de Moura Brizola.
Topo
O
SR. INÁCIO ARRUDA (Bloco/PCdoB-CE.
Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados, peço a palavra em nome do meu
partido, o Partido Comunista do Brasil. Funcionamos num Bloco,
juntamente com o PSB. Mas esse momento exige a palavra dos
partidos, separadamente, do seu posicionamento político. E
queremos expressar aqui, meu caro Deputado Miro Teixeira e a
bancada do PDT, a nossa solidariedade, a solidariedade dos
comunistas no Brasil, a figura do Sr. Leonel de Moura Brizola,
com quem é evidente que temos opiniões diferentes na condução
da batalha política, às vezes até em momentos dificílimos
da nossa história. Mas temos mais pontos em comum, há uma
longa história de convivência entre nós, entre os
comunistas, os socialistas, os democratas, e os nacionalistas,
que querem a nossa Nação no topo, que querem a nossa Nação
desenvolvida, a nossa indústria funcionando adequadamente,
que querem, efetivamente, a reforma agrária, que toparam fazê-la
quando dirigiam seus Estados, que abriram claramente os seus
Governos nos seus Estados. É por essa razão que, mesmo sem
acusação, porque não há uma acusação, mas há uma
tentativa de enxovalhar a imagem de uma liderança política,
de escopo nacional, de porte, referência para o povo mais
simples do nosso País, que é o Sr. Leonel de Moura Brizola.
Por
isso, não em nome do Bloco, mas em nome do Partido Comunista
do Brasil, dizemos que é preciso, porque Brizola é o homem
do debate político, das idéias e discussões sobre o Brasil.
É uma tentativa de diminuir esse espaço de discussão que
V.Exa. tem exigido nesta Casa, no Parlamento. Ao invés de se
discutir amplamente, como fizemos há pouco, no seminário da
ALCA, o debate sobre o interesse do Brasil nesse tipo de
acordo, sobre os rumos da economia política brasileira,
discute-se a mesquinharia, digamos assim, a sarjeta imunda do
Parlamento brasileiro e a cena política nacional. O objetivo
é deixar de lado a grande política, o grande debate
nacional. Sem nenhuma acusação sequer tentam enxovalhar a
imagem de Leonel Brizola.
Desde
os idos de 1961, em Porto Alegre, onde estava militando e
dirigindo o nosso Partido o camarada João Amazonas, no
instante que Brizola disse: "Vamos resistir à Direita,
vamos resistir ao golpe, vamos defender a democracia, a
liberdade e a causa do Brasil", nós nos alinhamos. É daí
que vem sua história, esse é o seu berço.
Querem
encontrar um meio para enxovalhar a Esquerda de modo geral. Se
a Esquerda elevar a discussão política neste Parlamento, nos
seus Governos e em todos os cantos deste País,
pode
ter certeza, teremos não só a unidade, mas teremos um
programa efetivamente ligado aos interesses do povo
brasileiro. Acho que é esse sentimento que une na hora da
solidariedade e que nós precisamos para enfrentar o debate no
Brasil, porque se arma e se planeja o continuismo na nossa Pátria.
O continuismo do projeto que está demonstrado não dá certo
para o Brasil, não interessa ao Brasil. E a Esquerda e a
Oposição têm a chance de reverter esse e é preciso, então,
diminuir a sua força atingindo personalidade de vulto como
Brizola e dirigentes nacionais, como é o caso de Olívio
Dutra também no Rio Grande do Sul.
Meu
caro Miro, receba a nossa solidariedade e transmita ao grande
brasileiro Leonel de Moura Brizola.
Topo
O
SR. RUBENS BUENO (PPS-PR. Sem revisão do
orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o nosso Líder
do PDT, Deputado Miro Teixeira, vai à tribuna e fala com a
clarividência que o momento exige tudo aquilo que se está
falando a respeito da denúncia publicada pela revista VEJA,
do último domingo, que não é uma denúncia. Tentou-se
fazer uma denúncia. E, na verdade, a matéria não está
qualificada para esse tipo de denúncia. O que traz a
reportagem são dados, números que mostram a evolução de um
patrimônio, que nada mais é do aquilo que pode justificar
diante da vida de qualquer cidadão neste País. O que não
está em jogo é a discussão se há efetivamente algum ilícito.
Se há, nessa reportagem, algo que condene a vida pública de
Leonel Brizola, então, cabe a nós
Cabe
a nós, em especial da bancada do PPS, vir a esta tribuna
dizer, perante esta Casa e o País, o que a figura histórica
de Leonel Brizola representa para nós. Inclusive para mim na
minha juventude, nas faculdades, nas escolas, por onde passei
nas lutas estudantis, sempre tendo-o como um símbolo, como
uma referência política, especialmente da política do
debate, pelos grandes embates que passou e viveu.
Temos
que voltar a discutir neste Plenário e no Brasil a grande política.
E, com certeza, Leonel Brizola tem muito ainda a oferecer para
esse grande debate. Quando se apresenta uma reportagem como
esta, resta saber quais os interesses que estão por trás
desse tipo de jogo. Sabemos quais sejam, a começar pela
desqualificação do debate político, que não se eleva ao
seu devido lugar — como coloca aqui o Líder e Deputado Inácio
Arruda — para mostrar à Nação que o debate político é
qualificado para o grande e grave momento que estamos vivendo.
De
repente, esta pode ser uma crise de onde saia o debate para
começar um novo momento, que ponha no seu devido lugar o
debate político deste Parlamento e da Nação brasileira.
Por
isso, o PPS, Deputado Miro Teixeira, a bancada do PDT, o
Parlamento, e, com certeza, falo em nome da bancada do PPS e
também em nome daqueles que se solidarizam com Leonel
Brizola, com a bancada do PT, e que querem mostrar que o
momento exige a volta do grande debate político neste País.
Topo
O
SR. EDUARDO CAMPOS (Bloco/PSB-PE. Pela Ordem.
Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, em meu nome, em
nome da bancada do PSB e do seu Presidente, Miguel Arraes,
trago aqui o abraço do nosso partido ao eminente brasileiro
Leonel Brizola.
Brizola
não deve se sentir tocado por este tipo de matéria. Isso é
sinal de que está vivo, que está mexendo na vida nacional
num momento importante.
Isso
deve enchê-lo da energia necessária para contribuir com este
momento importante da Nação brasileira. Ele sempre esteve ao
lado do povo, das grandes massas excluídas do Brasil em
outras ocasiões importantes.
Todos,
não só a Esquerda e a Centro-Esquerda, devem refletir na
necessidade de que o debate político no Brasil se faça na
política, em cima das questões que interessam o povo. A
politização da sociedade é fundamental num momento como
este. Na hora em que percebemos que Brizola e Olívio Dutra são
atacados, que Parlamentares renomados são atacados, que a
isso se misturam outras pessoas, sentimos que existe uma
tentativa de gerar no meio do povo a falta de esperança de
que a política pode conduzir a Nação a outro patamar.
Fica
registrada a nossa palavra de solidariedade. Mais do que isso,
de certeza de que esse tipo de coisa não ataca homens como
Leonel Brizola, que, com firmeza, já passaram por momentos
muito mais duros.