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Juventude FAP Brizola

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Brizola - Confronto com a mídia

Brizola responde à Globo no Jornal Nacional
Um instantâneo da história   |   Resposta de Brizola   |   Noticiário sobre o acontecimento
Juiz saúda liberdade de informação   |   Reação de Roberto Marinho

Instantâneo da história

"O Jornal Nacional ainda esboçou uma reação. Entrou em seguida anunciando que 'o Rio de Janeiro atravessa uma nova onda de violência', usando como desculpa um seqüestro do dia anterior. Não funcionou. Nada funcionaria. Não contra um instantâneo da história".

Pela primeira vez, em muito tempo, na grande imprensa, um jornalista conseguia expor os truques da Globo para escamotear e distorcer o noticiário. Falar mal da Globo sempre deu demissão, dentro de redação. Ainda que a empresa respectiva não tenha nenhuma relação de dependência jurídica ou comercial. É que o poder de Roberto Marinho é tão avassalador, que acaba submetendo as empresas menores do ramo. Esse jornalista é Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que captou com maestria esse raro e fugidio momento de liberdade de opinião dentro da mídia. E retratou, como ninguém, o momento histórico da transmissão da resposta de Brizola a apenas um dos ataques traiçoaeiros que sofre, diuturnamente, da Globo, há mais de 20 anos.

Foi na edição de 16/03/94, pg. 1-11, um dia após a leitura da resposta por Cid Moreira, o locutor do Jornal Nacional, que, ao longo dos 25 anos do principal e mais ouvido telejornal do Brasil, com cerca de 70% em média de audiência, transmitiu os principais comunicados da ditadura e os recados de Roberto Marinho para ludibriar e amedrontar a população: cassações de mandato, fechamento do congresso, prisões de ativistas políticos, confissões de "arrependidos" contra o regime, criação do mito do "milagre brasileiro", pacotes econômicos dos militares, arrocho salarial, Plano Cruzado de Sarney, Plano Collor, violência no Rio, seqüestros, fabricação de escândalos, manipulações das CPIs, Plano FHC etc.

Nelson de Sá, que asinava na época uma coluna diária embutida na seção política da Folha, escreveu naquele dia:

"Cid Moreira, a voz do dono, a voz do Grande Irmão, a voz que surgiu do AI-5, voltou-se contra si mesma. Foi um daqueles momentos que servem como símbolos, como instantâneos da história. Cid Moreira falou, e falou e falou, contra Roberto Marinho. Foram três longos minutos, contra a Globo, no Jornal Nacional. O redator era Leonel Brizola, que ganhou direito de responder ao ataque que havia recebido do mesmo Jornal Nacional, que o chamou de senil.

"Tudo na Globo é tendencioso e manipulado", disse Cid Moreira.

"(A Globo tem uma) longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de vinte anos que dominou nosso país", disse Cid Moreira.

"A ira da Globo não tem relação com posições éticas: é apenas o temor de perder o negócio bilionário que é a transmissão do carnaval", disse Cid Moreira. "Dinheiro, acima de tudo".

"Servis, gananciosos e interesseiros", disse Cid Moreira.

"Parecia inacreditável que o poder da TV Globo - ainda capaz de vergar alguns dos principais candidatos a presidente - estivesse sendo vergado pelo próprio" .

Brizola tinha levado dois anos, um mês e nove dias em peregrinação pelas instâncias judiciais, enfrentando a má vontade, o terror e a submissão de juízes tementes ou coniventes com o poder absoluto da Globo. Um juiz chegou a engavetar o processo durante mais de seis meses. Como as evidências do direito de resposta de Brizola fossem muito contundentes e não houvesse maneira de indeferi-lo, a ação era sempre vitoriosa nas diversas instâncias. Os jornais chegavam mesmo a anunciar em primeira página a transmissão da resposta. Mas o poder da Globo era tão fantástico, que sempre havia um recurso, um jeitinho, para protelar e matar pelo cansaço qualquer veleidade de justiça.

Brizola, no entanto, não desistiu. Juntamente com seu advogado, Arthur Lavigne, arrostou os conformistas, derrotistas e medrosos de todos os matizes, muitos dos quais dentro do próprio PDT. Para estes, "é suicídio brigar com a Globo". A tenacidade, que sempre constituiu um marco desse gaúcho de origem campesina, acabou sendo compensada.

Justamente num dos momentos mais críticos de sua candidatura, quando o temor das pesquisas e dos ataques da Globo mais pareciam afetar o eleitorado e o PDT, a intrepidez do velho Brizola ressurgia intata na voz de Cid Moreira em pleno horário nobre. Como disse Nelson de Sá, era "a voz do Grande Irmão que se voltava contra si". Como que de repente, a população e as suas lideranças, se davam conta de que ainda era possível reagir contra o poder absoluto, totalitário, da telinha. Alguém do contra conseguia se fazer ouvir.

Não foi à toa, que Roberto Marinho, o homem habituado a ter sob o seu tacão todo o espectro político, empresarial e intelectual brasileiro, achasse aquilo "uma calamidade", como afirmou à Folha de S. Paulo naquela mesma edição de 16.03.94. Possesso, o dono da Globo decretava mais uma vez - a enésima - a morte política de Brizola: "Isso vai acabar com a saída de Brizola. do governo, é o seu fim". Brizola começava ali a derrubar aquele mito e a arrebatar a nação da letargia purgada durante todos aqueles anos - 20 de regime militar absoluto e 10 de ditadura da mídia - para a obra da grande construção social.
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A resposta do Governador

Eis a íntegra do direito de resposta do governador Leonel Brizola no Jornal Nacional da TV Globo. O texto foi redigido em 1992:

"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

"Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na Quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros’.
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Globo veicula resposta de Brizola no ‘JN’
Por ordem judicial, Cid Moreira lê texto em que o governador
ataca a emissora e seu presidente, Roberto Marinho

A Rede Globo colocou ontem no ar durante o "Jornal Nacional" direito de resposta obtido pelo governador do Rio, Leonel Brizola, após dois anos de disputa judicial. Durante cerca de três minutos, o locutor Cid Moreira leu texto assinado por Brizola contendo ataques ao presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, e à própria emissora. Na seqüência, o "Jornal Nacional" veiculou reportagem sobre o aumento do número de sequestros no Rio nos últimos dias.

Brizola entrou na Justiça contra a Globo em 92, depois que o "Jornal Nacional" de 6 de fevereiro daquele ano divulgou trechos do editorial que seria publicado no dia seguinte pelo jornal "O Globo", intitulado "Pare entender a fúria de Brizola". O governador do Rio, que queria impedir a emissora de transmitir o desfile carioca das escolas de samba daquele ano era acusado pelo editorial de "O Globo" de sofrer "declínio da saúde mental" e de "deprimente inaptidão administrativa".

Na resposta que foi ontem ao ar, Brizola diz que não reconhece na Globo "autoridade em matéria de liberdade de imprensa" e diz que a emissora teve "longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou nosso país".

Brizola diz ter sido "apontado como alguém de mente senil". Na seqüência, argumentava: "Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, que tem 86 anos. Se é este o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si". Escrito há dois anos, o direito de resposta não foi atualizado. Hoje Brizola tem 72 anos, e Marinho 88.

Segundo dados preliminares do DataIbope, o "Jornal Nacional" de ontem obteve audiência média de 50 pontos na Grande São Paulo, o que equivale a cerca de 2 milhões de domicílios. Nas últimas semanas, a média alcançada pelo telejornal vem sendo de 45 pontos (cerca de 1,8 milhão de domicílios).

O advogado de Brizola, Arthur Lavigne, considerou que a leitura do documento ontem foi "um fato importante" pelo significado que tem o programa. Segundo ele, o texto lido não sofreu qualquer tipo de corte.

O direito de resposta percorreu um longo caminho no Judiciário até ser veiculado. Brizola entrou com ação na Justiça Criminal por ofensa à sua honra e ganhou. A Globo recorreu ao Tribunal de Alçada Criminal (Tacrim), que confirmou a decisão de 1ª instância.

A Globo voltou a recorrer, desta vez diretamente ao STI (Superior Tribunal de Justiça). O juiz relator, Luiz Vicente Cernicchiaro, manteve a decisão do Tacrim. Na semana passada, a emissora recorreu da própria decisão do STJ. Perdeu novamente. O STJ nunca chegou a apreciar o mérito da decisão da Justiça do Rio, apenas examinou o recurso da Globo.

O advogado de Brizola disse que há outro processo para conseguir que o teto seja publicado pelo jornal "O Globo".
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Juiz vê consagração do direito
Ediana Balleroni

"Foi, sem dúvida a consagração do direito do cidadão à resposta", disse à Folha o ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, 61. Ele disse que a resposta de Brizola ficará limitada à TV. A ação não mencina o jornal "O Globo", onde o editorial foi originalmente publicado.

Paulistano, formado pela USP (Universidade de São Paulo), o ministro fez pós-graduação em direito penal e criminologia na Universidade de Roma. É casado e tem uma filha.

Um dos mais antigos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Cernicchiaro mudou-se de São Paulo para Brasília em 1961. Trabalhou como advogado criminal, ingressou no Ministério Público local, foi desembargador do Tribunal de Justiça do DF (Distrito federal) e, finalmente, passou a integrar o STJ. É professor titular de direito penal na UnB (Universidade de Brasília) e membro do CDDPH (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana).

Cernicchiaro é favorável ao controle externo do Judiciário. Defende a criação de uma ação própria – a exemplo da ação popular – que poderia ser movida por qualquer cidadão que quisesse questionar o Judiciário.
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‘Uma calamidade’, diz Marinho
Da Sucursal do Rio

O presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, disse ontem que será uma "calamidade" a Rede Globo ser obrigada a levar ao ar direitos de resposta a cada reportagem sobre o governador Leonel Brizola. Ele concedeu entrevista à Folha por telefeone:

Folha – O que lhe pareceu o direito de resposta de Brizola?

Roberto Marinho – Isso vai acabar com a saída de Brizola do governo e o seu fim. Que nunca mais se reproduza isso. O direito de resposta teve o tom de Brizola.

Folha – Como o sr. Viu a decisão da Justiça de conceder o direito de resposta?

Marinho – Faço bom juízo da Justiça. Mas será uma calamidade a Rede Globo ser obrigada a levar ao ar direitos de resposta a cada reportagem sobre Brizola.

Folha – Como o sr. Pretende proceder em caso de novos pedidos de direito de resposta?

Marinho – Não tenho muito tempo para pensar nisso. Tenho o tempo muito ocupado. Não tenho tempo para estar com advogados.

Folha – Em seguida ao texto do governador, foi exibida reportagem sobre o crescimento do número de sequestros no Rio. Foi uma resposta a Brizola?

Marinho – Não foi revide. Não posso revidar porque o direito de resposta foi decisão da Justiça
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