Um Partido cresce em movimento. As motivações para a mobilização nascem das necessidades das pessoas no dia a dia. As mobilizações podem acontecer por diferentes razões, basta interpretar as necessidades que o povo tem e buscar as formas para que este se organize e participe. As mobilizações podem ser apenas esporádicas e temporárias, a organização deve ser permanente.
A organização se faz através de uma estrutura orgânica, que dê forma e "corpo" a este movimento. Portanto, a organização não toma forma espontaneamente, é um processo que se vai construindo e desenvolvendo de maneira às vezes rápida, às vezes lenta. A mobilização é o elemento fundamental para organizar, mas não pode ser o único.
1 - O QUE É UM NÚCLEO DE BASE.
Núcleo de base é um espaço político de militância dos filiados e simpatizantes do PDT na base.
O núcleo de base constitui a base política real do PDT, é a sua militância organizada para o trabalho popular junto ao povo e na sua luta política.
O perfil dos membros de um núcleo de base são diversos: alguns já tem experiência e compromisso no PDT, nos sindicatos e movimentos populares, outros não possuem engajamento nenhum. Todos devem, de alguma forma, participar da vida do núcleo.
O núcleo de base é o instrumento orgânico, a forma de organização, capaz de criar condições de transformar o PDT em um partido de massas.
1.1 - O NÚCLEO DE BASE.
Organiza politicamente os trabalhadores em seu local de trabalho (núcleo de base de empresas).
Organiza politicamente a população em seu local de moradia (núcleo de base de bairro, rua, conjunto, etc...).
Organiza os estudantes politicamente em seus locais de estudo (núcleo de base estudantil).
Organiza politicamente os trabalhadores por setor profissional, na impossibilidade de sua organização por empresa (núcleo de base por categoria).
Organiza politicamente as pessoas por área de interesse (movimento ecológico e/ou meio ambiente, direitos humanos, solidariedade internacional, juventude, negro, mulher, etc...): são os núcleos por área de interesse.
Os núcleos de base são organizados como uma necessidade política, em função das reivindicações do povo, da necessidade de organização das lutas populares.
Os núcleos desenvolvem, permanentemente, um trabalho de conscientização política dos filiados ao PDT, dos simpatizantes e dos brizolistas em geral e um trabalho de agitação e propaganda junto a área de atuação.
2 - OS PRIMEIROS PASSOS.
Como encaminhar a construção de um núcleo de base?
Em linhas gerais, qual o caminho que o militante deve seguir para construir um núcleo em seu local de moradia, trabalho, estudo, etc.?
Cada núcleo tem suas características próprias, que estão relacionadas com a "área" onde é organizado, com os seus objetivos e com a sua militância. Não existem caminhos infalíveis e rígidos a seguir, e nem receitas prontas e acabadas, apenas contribuições.
2.1 - COMO INICIAR O NÚCLEO DE BASE.
O primeiro passo é aglutinar os militantes e simpatizantes do PDT de sua área, mostrando-lhes a importância da construção do núcleo. Desenvolver uma atividade mobilizadora (filmes, lazer, manifestações, festivais, distribuição do programa do PDT, informativos do partido, jornais, organizando-se debates sobre temas políticos atuais, etc...), ajuda a despertar e sensibilizar as pessoas para ingressarem no núcleo.
2.2 - ESTUDO DA REALIDADE.
A partir da constituição de um núcleo é indispensável que se domine o conhecimento da realidade. Sem estudo e conhecimento é impossível saber por onde começar e por onde conduzir o trabalho. É preciso impor-se este desafio.
É preciso "ver", coletivamente, com os companheiros, a realidade de onde está sendo construído o núcleo, conhecer o terreno onde se está pisando, arrancar da realidade as "questões", "problemas", "desafios" e "aspirações" da vida concreta. É se perguntar: "qual o problema?", "quais são os maiores desafios sentidos pelas pessoas do lugar?", "quais as lutas?", "qual o grau de organização do povo e do PDT?", "quais as debilidades?", etc... As respostas à estas perguntas permitirão que se passe à análise e à reflexão do que há "por trás" do que aparece nestas respostas, quais são as causas do que está acontecendo e, consequentemente, a definição dos objetivos e prioridades do núcleo.
Para ver-se através das aparências que escondem a realidade, necessitamos de consciência crítica, e esta não surge do nada e de repente, é fruto do conhecimento do programa e da linha política do PDT, do aprofundamento da formação política e da prática. Trata-se de ver e captar as causas ou raízes da situação e, para isto, não basta trocar idéias ou impor opiniões, é necessário aprender e estudar coletivamente, organizando grupos de estudo ou cursos de formação política.
2.3 - A CONVIVÊNCIA.
Do conhecimento da realidade deve provir a convivência. Não basta ler livros ou elaborar teses sobre o assunto, a organização também tem seu lado afetivo. Só é possível ganhar o reconhecimento e o respeito das pessoas se estivermos juntos delas. A convivência, que é o contato direto com o outro, pode se dar de diferentes formas, basta estarmos atentos e aproveitarmos as oportunidades que a própria pessoa oferece. É preciso criar as formas e buscar os meios para construir este relacionamento.
Estes contatos não podem ser esporádicos e oportunistas, que só favoreçam nossos interesses particulares ou eleitorais. Precisam ser permanentes, contínuos.
2.4 - A FORMULAÇÃO DOS OBJETIVOS.
O povo pode não ter consciência dos problemas que tem, mas sabe "de cor e salteado" as dificuldades que enfrenta. Ele sabe tudo o que falta, mas não sabe das causas e quem são os culpados por tudo isso. O povo se agrupa em torno de propostas concretas que visem resolver seus problemas imediatos, sejam econômicos, de saúde, educação, moradia, terra, etc...
Os dirigentes precisam saber formular propostas e ter capacidade de convencimento sobre quais são as melhores propostas. Para tanto, a proposta tem que ser:
a)concreta: ligada diretamente ao problema que o povo enfrenta;
b) compreensível: que esteja claro para todos o que está sendo proposto;
c)justa: que seja feita no momento certo, de acordo com a situação concreta. O convencimento não pode ser pela imposição da proposta, mas pela discussão e compreensão de que chegou o momento esperado.
3 - O PLANEJAMENTO
Precisamos, também, "pensar a ação", definir como levar a prática os nossos objetivos. É o momento de planejar a ação, organizar o trabalho. Significa saber destacar os objetivos principais dos secundários, escolhendo prioridades e aproveitando ampla e coerentemente os recursos e capacidades. Significa organizar todas as tarefas em uma programação e, principalmente, através da discussão coletiva e da responsabilidade individual, planejar o trabalho de base do núcleo.
Neste momento, temos que tomar cuidado para não darmos um passo maior do que as pernas. Não atingiremos os objetivos apenas com o esforço, a luta e o compromisso, "enfrentando", "botando prá quebrar", "na marra". É preciso avaliar as possibilidades de ação ou, então, o que se faz é "dar murros em ponta de faca". É o que se chama de voluntarismo. Nem tudo depende de boa vontade ou da força de vontade.
Planificar significa organizar o tempo, os recursos materiais e humanos, criar condições políticas e de infra-estrutura para se atingir os objetivos programados, dentro do período determinado, estabelecendo formas adequadas para isto.
Toda formulação e apresentação de proposta deve vir acompanhada do planejamento para sua execução. Do planejamento devem constar cinco partes fundamentais:
A)Definir os objetivos - Os objetivos são as determinações do que se quer alcançar. Por isso não podem ser tão "estreitos" que não visem resultados satisfatórios, nem tão amplos que jamais serão atingidos.
A definição dos objetivos e prioridades, coerentes com o conhecimento dos objetivos gerais do partido e da realidade, orientam a ação do núcleo, permitindo a avaliação dos resultados.
B)Definir atividades e buscar meios - As atividades devem ser definidas de acordo com os objetivos, visando sua realização. Não basta definir as atividades, é preciso buscar os meios necessários, tendo o entendimento de que todas as atividades são importantes.
C)Definir tarefas e responsáveis - Para cada atividade devem ser definidas as tarefas e os responsáveis para executá-las. Existem tarefas para todos. Na distribuição das mesmas deve-se levar em consideração a capacidade dos militantes para que sejam realizadas de forma completa.
D)Definir as metas e o tempo - O planejamento deve prever metas a curto, médio e longo prazos, baseadas nos objetivos anteriormente definidos. Para cada meta deve haver a previsão de tempo necessário para ser atingida. Um militante nunca deve ficar ocioso. Caso sua tarefa seja realizada antes do tempo determinado deve-se buscar outra para que ele permaneça em constante atividade.
E)Avaliações constantes - As avaliações não devem ser efetuadas somente no final do tempo previsto. Elas devem ser constantes e permanentes, para corrigir os erros, retificar a prática e avaliar o desempenho dos militantes.
4 - A AÇÃO.O último passo é a ação concreta; é levar à prática o que foi discutido. É nessa articulação entre a cabeça ( analisar, refletir e pensar a ação ) e as mãos ( agir ) que se realiza o trabalho popular.
A união da prática ( ação ) com a teoria ( análise, reflexão e planejamento da ação ) é que orienta o trabalho popular do núcleo. Uma prática sem teoria é uma prática cega ou, no máximo, míope, fazendo com que o núcleo não enxergue bem ou não enxergue longe.
Todo trabalho popular necessita dessas duas coisas ligadas entre si: a teoria e a prática. A teoria existe em função da prática, pois é a ação que nos permite transformar a realidade e aproximar-se cada vez mais de nossos objetivos. Depois da ação, analisa-se novamente a realidade transformada e se reinicia de novo o caminho. Esse "partir da realidade" tornar-se-a uma atividade permanente que tem relação com a avaliação e revisão permanente do trabalho do núcleo.
4.1 - O Trabalho Cotidiano do Núcleo.
Um núcleo de base não cai do céu prontinho. É o resultado de um trabalho longo e paciente dos militantes. Esse trabalho cotidiano tem aspectos que se complementam: a implantação, a ampliação ou influência, a estrutura e a direção. Conforme o momento se reforça um ou outro ponto.
A implantação é o trabalho paciente, o contato direto, a presença intensa e o enraizamento do núcleo. Nessa etapa conquistamos as pessoas. O militante ouve, aprende, ensina. É aí que a gente convence o povo das propostas do PDT, trazendo-os para o núcleo. A implantação é uma espécie de sementeira, de matriz. Por isso é uma etapa que nunca termina. Há sempre gente a conquistar.
Na implantação, a tarefa é contatar, esclarecer, organizar e encaminhar para a luta a ação política, constantemente. Estamos reunindo gente e aumentando forças para o núcleo.
A ampliação é tão importante e necessária quanto implantação. É espalharmos nossa experiência, é contribuir, dar idéias e sugestões àqueles companheiros que estão procurando se organizar. É aprender com eles idéias e respostas para reforçar o trabalho popular do núcleo. Para se ampliar o trabalho do núcleo sobe-se em palanques, entrevistas são dadas, jornais são feitos, etc.
Não adianta, porém, o núcleo juntar apenas pessoas com boas intenções e belos discursos. Toda articulação ampla só dá certo se houver trabalho. O núcleo se constrói na ação. É preciso avançar, multiplicar-se. Núcleo que não se amplia, morre. Existe uma profunda união entre militantes e ação. Um militante conquista outros militantes.Juntos, alcançam a vitória. E a vitória traz novos militantes para realizações cada vez maiores. Assim, o núcleo se fortalece, não "incha"; Ele se multiplica com fundamento e alicerces sólidos.
A direção é necessária para fazer andar a nossa proposta. A direção coordena e controla o trabalho planejado A direção define coletivamente, junto aos militantes do núcleo, as linhas políticas, as condutas, atividades e tarefas, controlando sua aplicação para ajustar a prática aos objetivos propostos. Nenhum núcleo funciona se não tiver uma coordenação das diversas fases do trabalho político, das inúmeras tarefas. Assim, todo trabalho exige companheiros competentes para orientar e dar rumo ao núcleo. A direção orienta a luta. O militante assume a tarefa de direção por sua capacidade de organizar, de defender as propostas e dar rumo no momento certo.
A avaliação é necessária para comprovar se as diretrizes traçadas estão sendo aplicadas, e de que forma. As decisões precisam ser postas em prática. A avaliação faz o núcleo perceber se as decisões tomadas estão atingindo os objetivos, se devem ser modificadas, se surgiram aspectos inesperados, etc. A avaliação crítica e autocrítica nos permite fazer mudanças no trabalho, corrigir falhas e aproveitar os momentos que surgem para o avanço do trabalho.
A articulação das lutas é outro ponto importante. O núcleo não deve se fixar apenas em uma forma de luta e de pressão. Deve-se buscar a combinação de diferentes formas de luta, atuando em diferentes frentes para atingir seus objetivos.
Para tornar um núcleo amplo e duradouro, temos de procurar um equilíbrio permanente entre implantação, ampliação e direção. Um aspecto serve ao outro e os três conduzem a um trabalho sólido. Acentuar somente a ampliação conduz ao descrédito e ao discurso vazio.Acentuar só a direção termina em imobilismo e carreirismo político. Acentuar unicamente a implantação pode levar ao desperdício de energias em tarefas desnecessárias para nossos objetivos. Porém, é preciso assegurar sempre a prioridade da implantação permanente.
Essas orientações não são uma proposta pronta e acabada. Deve-se aproveitar o que fizer o trabalho popular do núcleo avançar, o que fizer o núcleo crescer com garra e criatividade.Boa sorte, companheiros