A Capacitação Política nas Instâncias Partidárias
IntroduçãoA Capacitação Política e as Instâncias PartidáriasIntrodução
Processo Educativo - Estratégia Organizativa
Níveis e Ritmos dos Processos Organizativos
O Confronto das Idéias: Processo de Teorização
O Sentido e a Metodologia da Capacitação Política
A Aplicação da Concepção Metodológica Dialética nos Processos Organizativos
O Dirigente como Responsável Pela Capacitação Política
A Sistematização com Dirigentes e Instâncias
O Papel da FAP: Seu Caráter e Legitimidade
Formas e Níveis de Apoio Às Instâncias Partidárias
O efeito multiplicador A capacitação política nos partidos e movimentos sociais cada dia tem maior importância na construção e consolidação dos projetos históricos. O desafio da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI será desenvolver projetos educativos na perspectiva de fortalecer nossas instâncias partidárias e garantir a inserção, organizada e identificada na prática com o projeto histórico do PDT, no cotidiano das lutas e reivindicações do povo trabalhador, seja nos movimentos sociais ou junto aos setores desorganizados de nossa populaçãoNossas instâncias partidárias (diretórios e suas executivas, movimentos, núcleos de base e outras que a realidade nos irá impondo), requerem consolidar-se e dinamizar-se em função desta perspectiva histórica. Para responder efetivamente a estas necessidades a contribuição da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI deve assumir um sentido estratégico.
Um dos aspectos não resolvidos nesta busca pelas melhores formas de impulsionar o fortalecimento das instâncias partidárias é o da relação entre os processos organizativos (que tem seus ritmos, suas características, suas instâncias específicas), e os processos educativos.
O texto que se segue é resultado da compilação e sistematização de materiais de vários centros de apoio a luta popular em nosso continente e da tentativa de sistematização da experiência acumulada pelo Instituto Alberto Pasqualini até este momento.
A Capacitação Política e as Instâncias Partidárias
O trabalho de capacitação política se dá através de um processo no qual se articulam sistematicamente, um conjunto de ações dos dirigentes e militantes do PDT, orientadas para compreender coletivamente a vida e para transformá-la organizadamente em função de nosso projeto histórico.
Em nossa concepção isto implica necessariamente que para desenvolvermos um processo educativo com as instâncias partidárias este deve estar articulado ao processo organizativo das mesmas e não à sua margem ou paralelamente.
Quando falamos de processo organizativo partidário, estamos falando da relação entre: a situação atual e a conjuntura específica em que se vive e o projeto histórico em construção que se quer desenvolver, ou seja; entre as tarefas imediatas e o objetivo final. Cremos que em todo processo educativo, consciente ou inconscientemente, esta relação sempre se estabelece.
O desafio consiste em como estabelecer esta relação, como formular uma estratégia de maneira consciente, de tal modo que permita orientar o trabalho organizativo em nossa prática imediata. (Se o que queremos alcançar é um determinado projeto histórico, que passos devemos realizar para alcançá-lo, e portanto, o que devemos fazer agora, na situação em que estamos?).
Por isso, qualquer processo educativo, que pretenda contribuir com a transformação da situação atual, deve ter como eixo de articulação a dinâmica do processo e a estratégia organizativa na qual se insere.
Processo Educativo - Estratégia Organizativa:
Diferenciamos dois tipos de situações:
1. Quando a estratégia organizativa EXISTE CLARAMENTE, é reconhecida ou tem um certo perfil nítido. Aí o processo educativo estará subordinado a ela e a seu serviço, para qualificá-la em termos de consolidação, unificação e maiores níveis de qualidade.
2. Quando a estratégia organizativa NÃO ESTÁ DEFINIDA ou não tem perfil claro. Aqui o processo educativo deve propiciar o desenvolvimento de formas organizativas que possibilitem ou apoiem a definição clara da mesma.
Não se trata de que o processo de capacitação política seja o que vá definir a estratégia organizativo-política. Em qualquer destas situações o processo educativo sempre deve estar em função e articulado a estratégia organizativo-política, seja em sua implementação para potenciá-la, seja em sua definição, quando não está claramente definida.
Devemos distinguir: PROCESSOS ORGANIZATIVOS de FORMAS ORGANIZATIVAS.
Os processos referem-se a dinâmica interna das instâncias partidárias, que têm as suas próprias reinvindicacões, seu próprio ritmo, seu tipo específico de ação que mobiliza a determinado setor do partido.
As formas organizativas são instâncias através das quais determinado setor se organiza (diretórios e suas executivas, movimentos, núcleos de base e outras). Estas instâncias devem corresponder o desenvolvimento dos processos. Existem instâncias conjunturais e outras de caráter mais estratégico.
As instâncias organizativas não propiciam, sempre, necessariamente um processo organizativo (sobretudo quando cai no formalismo, no burocratismo, na falta de participação, etc.).
Também se dão casos de processos organizativos que não contam com as instituições adequadas para seu nível, seu ritmo ou suas exigências.
Por isso, os projetos de capacitação política, para ajudar e fortalecer as instâncias partidárias, deverão articular-se segundo os espaços de ação reais aos distintos PROCESSOS ORGANIZATIVOS PARTICULARES, implementando PROCESSOS EDUCATIVOS SISTEMÁTICOS e COERENTES, para potenciar as INSTÂNCIAS ORGANIZATIVAS a atingir processos AMPLOS, UNITÁRIOS e PERMANENTES, na função de construir e implementar nosso projeto histórico.
Níveis e Ritmos dos Processos Organizativos
Todo processo organizativo tem o seu "ritmo particular", isto é, sua dinâmica própria, seu movimento, suas contradições, de acordo com o setor social e o contexto em que se desenvolve. Por isso devemos situar os elementos que distinguem este ritmo particular. Por exemplo: ver o que faz com que as pessoas se mobilizem ou não em determinados momentos; o que dinamiza internamente uma organização. Os elementos que distinguem o ritmo de um processo organizativo se expressam no tipo de reivindicações, formas de luta, métodos de trabalho, estilos de condução, funcionamento das instâncias, etc., existentes em uma organização.
Esse "ritmo" ou "dinâmica" própria se dá em relação ao contexto em que cada processo se desenvolve em relação aos distintos níveis que podem abarcar: local, regional, nacional, internacional. (por exemplo: a luta pela soberania e a não intervenção; a luta contra o aumento do custo de vida; ou por transporte em uma comunidade).
Evidentemente que os diferentes processos organizativos têm relação entre eles em termos estruturais, mas não podemos generalizar e perder de vista suas particularidades. Parece-nos fundamental ver em cada caso particular o que o dinamiza e o que o desmobiliza, para encontrar as vias de articulação efetiva entre os processos.
A contribuição de um processo educativo dependerá de sua forma de relação com o processo organizativo e seu próprio ritmo. Não para manter-se só aí, mas para aprofundá-lo, sem violentar a sua própria dinâmica. Isto também dependerá de como a organização entende o ritmo e perspectivas de seu próprio processo. Isto requer uma retroalimentação de dupla via.
Podemos reconhecer três modalidades de inserção dos processos educativos, sem querer com isto afirmar que são as únicas possíveis:
O Confronto Das Idéias: Processo de Teorização
m um processo educativo inserido em um processo organizativo, a reflexão que se desenvolve muitas vezes vai nos levar à necessidade de promover um confronto das idéias distintas e contrapostas dos participantes.
É certo que se trata de promover processos amplos e unitários. Por isso, há que abordar, fundamentalmente, as coisas que nos unem. Também, é importante abordar diretamente as coisas que nos desunem, com o objetivo de clarificar nossas posições e avançarmos até à unidade.
Por isso, deveríamos questionar-nos sobre a forma como conduzimos nossas tarefas educativas, as discussões em plenários, e perguntar-nos sobre a forma como chegamos a "acordos" e "conclusões".
Muitas vezes caímos em generalizações, porque isto permite chegar a acordos rápidos e, assim, passar a outro tema; outras vezes, convertemos em consenso ou conclusões de plenário o que eram afirmações de alguns dos participantes. Desta maneira, podemos ter a ilusão de crer que o encontro ou a atividade acabou "bem" e não houve contradições, com o que supostamente se está fortalecendo uma linha unitária e uma concepção homogênea, quando, na realidade, as contradições se mantêm.
Pensamos que o adequado confronto ideológico e o confronto de posições é o único caminho para superar as contradições e divisões que muitas vezes encontramos nas instâncias partidárias e nos movimentos sociais. De outro modo, estagnaríamos na situação atual, onde os processos unitários permaneceriam apenas conjunturais ou chegaríamos a "consensos fáceis" dos discursos, que não serviriam para avançar na prática.
O consenso é entendido, às vezes, como "chegar a acordos em termos gerais". Isto cria um acordo fictício, sem bases, na medida que não se chegou a aprofundar nas distintas posições particulares, e se deixa à livre interpretação de cada um o significado concreto de tal acordo.
Pelo contrário, cremos que um consenso ou acordo DEVE EXPRESSAR O RESULTADO AO QUAL SE CHEGA DEPOIS DE TER CONFRONTADO AS CONTRADIÇÕES, AS DISCREPÂNCIAS OU DIFERENÇAS DE POSIÇÕES OU PROPOSTAS.
Um consenso desta natureza deve permitir-nos chegar realmente a acordos concretos e coletivos, não ao "triunfo" de uma das posições sobre as outras. Neste sentido, a partir da ótica de um processo educativo, é importante que se discutam a fundo as distintas maneiras de enfocar um tema ou um ponto, até chegar a encontrar a verdade coletiva, para então chegar a proposições de ações concretas frente a situações particulares.
Isto não significa que há que se "gerar" contradições que não existem, ou radicalizar afirmações para fazê-las contraditórias com outras, a fim de suscitar um debate "quente". Trata-se de aprofundar o nível de discussão existente com o fim de poder atingir um consenso real e efetivo.
O confronto ideológico é também parte de um processo. Não podemos entrar promovendo confrontações. Temos que situá-las na globalidade do processo educativo e organizativo. Por isso, é importante detectar ONDE, QUANDO e COMO suscitá-la em cada grupo, de tal maneira que seja um elemento de maior clareza e não um elemento para confundir um grupo.
Por esta razão, só é possível levá-las adiante, com utilidade e confronto, se está PARTINDO- se DE UMA DETERMINADA PROBLEMÁTICA QUE É DE INTERESSE COMUM e da existência de um objetivo global a alcançar. O confronto permitirá precisar os posicionamentos, particularizar o sentido do objetivo global e portanto, afinar os métodos e ações comuns para conseguí-lo.
O debate ou confronto NÃO PODE SER DOUTRINÁRIO. Deve dar-se em torno de análises de fundo de situações concretas, a partir do qual se dará o confronto de diferentes opiniões, e assim estas se fundamentam, se enriquecem, variam e se concretizam.
Isto nos parece importante porque muitas vezes os dirigentes e militantes colocam propostas baseadas em posições ideológicas prévias, sem uma fundamentação objetiva, baseada na análise real das situações concretas. Isso obstaculiza um diálogo efetivo, que permita enfocar os problemas à luz de novas idéias e conceitos. Muitas vezes caímos em discussões "terminológicas" e de definições, sem aprofundar o que se entende por elas. Se, neste caso, o confronto se dá apenas para contrapor termos e definições, permanecendo em um nível doutrinário, não chegamos a nada.
É essencial levar o debate doutrinário ou terminológico à FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA DO QUE SE AFIRMA (com exemplos, aplicando-o à situações específicas, localizando-o em experiências vividas, etc.). Muitas vezes descobriremos que, sob os distintos termos, estávamos entendendo o mesmo, e o que era aparente contradição ou desacordo, na realidade, não era isso, pois a idéia principal estava encoberta por um véu terminológico ou doutrinário que ocultava o seu verdadeiro sentido.
TRATA-SE, PORTANTO, DE UM CONFRONTO FRATERNO, SÃO, AUTOCRÍTICO, NO QUAL A ASPIRAÇÃO SUBJACENTE É O DESCOBRIMENTO DA VERDADE, NÃO A IMPOSIÇÃO DE UMA INTERPRETAÇÃO DETERMINADA.
Este debate ideológico, este processo de confronto de posições e de propostas deve ser resumido COMO PARTE DE UM PROCESSO DE TEORIZAÇÃO, dentro de um processo de ensino-aprendizagem coletivo.
Trata-se de incorporá-lo ao PROCESSO DE CONSTRUÇÃO COLETIVA DE CONHECIMENTOS, PARA CHEGAR-SE A PRODUZIR UM CONHECIMENTO COLETIVO. O confronto, ao obrigar-nos a fundamentar as posições, ir a fundo nas argumentações que as sustentam, necessariamente nos leva à necessidade de aprofundar teoricamente.
Isto significa situar este confronto de idéias, pensamentos, opiniões, pontos de vista, posições, etc., nos distintos níveis de aplicação prática dos dirigentes e militantes com os quais estamos trabalhando.
Por outro lado, na condução destes debates, há a necessidade de confrontar o que os participantes do grupo colocam, com novos elementos de análise e informação que permitam avançar no processo de conhecimento. Claro que não se trata de chegar a "verdade" definitiva ou "a" documento totalmente clarificador, que contenha todas as respostas, mas a novos elementos que ajudem a confrontar as posições em um novo nível, mais profundo e complexo.
Para que os monitores da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI possam conduzir acertadamente um processo desta natureza, devem:
Trata-se, pois, de chegar à unidade, o que não exclui a luta interna de posições, ao contrário, a exige. O avanço do processo unitário estará na dependência da superação efetiva das contradições NA PRÁTICA UNITÁRIA, NO ENFRENTAMENTO COMUM ANTE UMA PROBLEMÁTICA COMUM. Portanto, não cremos que a unidade se alcance ao chegar à conclusão ou acordo comum em um encontro ou evento educativo, mas ao COLOCÁ-LA EM PRÁTICA.
Se construir um processo unitário fosse algo fácil, há tempos teríamos alcançado a unidade dos setores populares em nossa sociedade, ou as discussões e encaminhamentos definidos em nossas instâncias não deixariam tantos "ressentimentos" em muitos dirigentes e militantes.
Seria importante analisar, em cada caso, que fatores e elementos entram em jogo para favorecer ou dificultar os processos unitários (se a falta de clareza sobre o projeto estratégico, se o doutrinarismo, se a não existência de canais de diálogo, debate ou comunicação, se o irreconciliável de determinadas posições, etc...).
Portanto, para avançar neste terreno, devemos estar conscientes das dificuldades que isto implica. Requer, também, a criação de condições que tornem possível um ponto de partida comum; requer impulsionar um estilo de trabalho no qual se GARANTA UM ESPAÇO AMPLO, no qual os dirigentes e os militantes possam debater com abertura, fraternidade e capacidade autocrítica.
Pensamos em levar adiante um processo educativo inserido na dinâmica de um processo organizativo concreto, no qual se possibilite um confronto não doutrinário, poderá ser uma contribuição muito importante para o avanço qualitativo das instâncias partidárias.
Isto, todavia, é um desafio que temos que assumir com clareza, simplicidade e audácia.
O Sentido e a Metodologia da Capacitação Política
s processos educativos têm como objetivo o fortalecimento e a consolidação das instâncias partidárias. Isto supõe realizar um esforço ativo, ordenado e sistemático de análise, estudo e reflexão sobre a prática, para transformá-la.
O objetivo de fortalecer a consciência de nossos dirigentes e militantes em relação ao projeto histórico do PDT, não pode significar outra coisa senão impulsionar uma ação educativa libertadora, dentro da própria prática política libertadora, como uma dimensão necessária da atividade organizada do PDT. A capacitação política não busca conhecer ou contemplar a realidade social de fora, pois pretende decifrar, no interior do movimento histórico, seu sentido, intervindo ativa e conscientemente em sua transformação, fazendo da ação dos militantes e dirigentes uma atividade transformadora, revolucionária, isto é, uma atividade teórico-prática.
Por isso, a capacitação política cumprirá os seus objetivos na medida que seja efetivada e praticada em um processo que permita aos dirigentes e militantes assumir, organizadamente, com lucidez e paixão, seu papel de sujeitos ativos e criadores na construção da história do PDT e do Brasil.
Por tudo isso, o desafio que devemos enfrentar é o de CONSEGUIR IMPLEMENTAR UMA ESTRATÉGIA POLÍTICO-PEDAGÓGICA. Planejar e pôr em prática processos educativos, ordenados e coerentes, que tenham seqüência, perspectiva, e que nos permitam chegar a apropriar criticamente da realidade, para transformá-la, organizadamente.
A capacitação política é um processo teórico-prático de criação e recriação de conhecimentos; é por em prática uma teoria do conhecimento através de uma metodologia educativa e organizativa em função de uma prática política.
A metodologia não pode reduzir-se a uma técnica ou a um conjunto de técnicas; metodologia significa definir COMO ESTRUTURAR TODA A LÓGICA DO PROCESSO DE CONHECIMENTO, QUE IRÁ DESENVOLVER-SE ATRAVÉS DE UMA ESTRATÉGIA POLÍTICO-PEDAGÓGICA; deve ser a visão global que oriente todo o processo, que dê unidade e coerência a TODOS os elementos que intervêm nele, em TODOS os elementos e em todos os passos desse processo.
Por esta razão, preferimos falar de uma CONCEPÇÃO METODOLÓGICA, para enfatizar o sentido mais profundo que deve ter essa busca de como orientar e organizar estrategicamente nossas práticas de educação e organização.
Nós orientamos nosso trabalho de acordo com a CONCEPÇÃO METODOLÓGICA DIALÉTICA, fundamentada na teoria dialética do conhecimento. Afirmamos que o processo de conhecimento tem como ponto de partida a prática social, que esta é a base para a elaboração da teoria e que a teoria deve servir para transformar a prática.
Afirmamos que a prática social é contraditória, que a teoria nos permite descobrir as contradições e orientar uma nova prática para superá-las.
A concepção metodológica dialética, ao orientar e dar unidade a todos os elementos do processo educativo-organizativo, permite-nos:
A Aplicação da Concepção Metodológica Dialética nos Processos Organizativos
concepção metodológica dialética busca dinamizar os processos organizativos, gerando um estilo de trabalho, uma visão de mundo e a apropriação de novos valores e conhecimentos teóricos que se expressam em uma nova forma de ser.
A concepção metodológica dialética se aplica em todo o processo global de transformação social, isto é, não se restringe aos processos estritamente educativos (estratégias, métodos ou técnicas pedagógicas).
Em muitas ocasiões, o fato de ter trabalhado essa proposta metodológica em eventos educativos ( seminários, jornadas, etc.) pode ter propiciado a idéia de que o que desenvolvemos é uma proposta pedagógica a ser aplicada apenas em eventos educativos. Isto tem levado a que outras dimensões do trabalho organizativo sejam trabalhadas com métodos, enfoques, estilos e técnicas não dialéticas nem participativas.
Isto pode levar a que muitos dos participantes de nossos eventos, ao regressar à suas organizações, sigam enfrentando estilos e concepções individualistas, verticais, formais e burocráticas, tal como estas instâncias vão conduzindo-os.
Alguns aspectos importantes. como a agitação, a propaganda, a forma de realizar reuniões e assembléias, planos de trabalho, plataformas de luta, congressos, avaliações, etc., devem ser incorporadas dentro do quadro e projeção estratégica dos processos educativos, porque são elementos práticos que determinam a possibilidade de aplicação cotidiana de uma estratégia político-pedagógica.
O Dirigente como Responsável Pela Capacitação Política
ma conclusão básica da proposta que temos desenvolvido, é considerar o dirigente como alguém que desempenha uma proposta político-pedagógica. Consideramos que o principal responsável pela capacitação política não pode ser o monitor da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI; o principal responsável pela capacitação política deve ser o dirigente da instância partidária.
O impulso de uma estratégia educativa-organizativa, e o desenvolvimento de processos de formação de dirigentes, devem permitir a apropriação da concepção dialética para ser aplicada em todos os elementos do processo organizativo.
Certamente o fator principal que garante a formação de um dirigente, com uma nova concepção de organização e um novo estilo de condução, não é o seminário, não é o evento de capacitação, mas o próprio processo educativo.
A principal dificuldade que encontramos não está nos próprios dirigentes, mas na forma como tradicionalmente trabalham muitas instâncias partidárias: carência de programas adequados de formação, desconhecimento de métodos e técnicas de trabalho que incentivem e canalizem para o manejo de reuniões e assembléias, concepções e estilos de trabalho verticalistas, autoritários, etc.
É necessário contribuir para a formação de novos dirigentes e de um novo estilo de dirigentes que propiciem uma direção coletiva, que incentive a crítica e a criatividade das bases, que saibam canalizar e orientar as tendências e ritmos espontâneos de suas instâncias, que construam solidamente uma dinâmica organizativa integral, não só ativista, imediatista, nem puramente ideologizante, enfim, que concebam seu papel de dirigentes como condutores, educadores e formadores de gente consciente.
Isto supõe a assimilação e formulação não só de novos métodos e técnicas, mas de uma concepção e estilo de vida. Tudo isto não se faz em um passe de mágica, nem por obra de uma detalhada planificação; supõe um processo de formação no qual todos os que nele intervenham sejam conseqüentes em seu pensar e em seu agir, conforme os valores que propomos: a simplicidade, a autocrítica, a disposição para aprender permanentemente, a capacidade de trabalhar coletivamente.
Um processo assim tem que se dar, necessariamente, de forma coletiva, com uma prática política comprometida e organizada; dar-se-á de forma paulatina e exigirá de todos nós uma disponibilidade e uma abertura para a nossa própria transformação e a do grupo. Por isso, a condução desse processo deve ser feita conscientemente pelos próprios dirigentes das instâncias partidárias; supõe uma relação de confiança entre as instâncias partidárias e a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI; e entre os dirigentes - monitores de suas bases e os monitores da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI.
Não se trata, portanto, que nós tenhamos uma resposta ou um modelo pronto que a organização deve adotar. Trata-se de implementar um conjunto de ações educativas; as quais todos nós iremos construindo. Por isso, nossa contribuição deve estar em função da disponibilidade que têm os dirigentes, com os quais trabalhamos, para que sua função como dirigentes vá emergindo, ativando e situando-se.
Temos o caso de dirigentes naturais, por exemplo, que ganharam esta atitude por sua experiência e conseqüência, e as instâncias os identificam como seus dirigentes, porque estão participando na mesma luta de libertação e demonstrando firmeza e conseqüência.
Se, dentro desta dinâmica, se dá um processo de formação, que supõe abertura a toda uma concepção da vida, da organização, do papel do dirigente, esse processo irá explicitando e reformulando os valores e formas de relação com a base, que são o produto da própria experiência, mas conduzidos a um nível superior.
Em todo o processo de formação desta natureza, no qual a reflexão coletiva se faz no interior das instâncias e de seus desafios, vai criando-se um novo estilo, na medida em que a própria luta e a realidade concreta enfrentadas vão obrigando a buscar novas formas de participação, levando a construir, na prática, um novo estilo de direção coletiva e participativa. Isto é, o processo de formação não se dá porque alguém propõe esta temática para "formá-los" desta maneira. Se dá pela experiência na luta, pela constatação da validade de determinadas formas e estilos de trabalho, pela aceitação crítica de novos valores e de uma dimensão de vida.
Quando um dirigente, ou grupo de dirigentes, vai assumindo este tipo de posições e realmente é capaz de incentivar uma participação dinâmica das bases, vai definindo com mais clareza o seu próprio papel, e é nesse processo que se vai definindo, também, com maior clareza, o papel do monitor da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI, na medida em que ambos vão partilhando e descobrindo juntos estes elementos, estes novos valores, que refletem não só um estilo de trabalho, mas um estilo de vida e compromisso.
Em nossa experiência conseguimos, muitas vezes, isto ao iniciar coletivamente um trabalho específico, mesmo sem que estes objetivos tenham sido colocados explicitamente. Por exemplo, ao envolver os dirigentes na elaboração do plano de um evento educativo, ao envolvê-los na direção e coordenação das atividades, ao respeitar e remarcar o seu papel enquanto definição de linhas orientadoras para os participantes, ao participar na avaliação e elaboração de memórias e sistematização das experiências educativas.
Por meio dessas experiências uma relação diferente entre a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI e esta dirigência é gerada. O trabalho conjunto é mais assumido, dando a possibilidade de refletir-se, explicitamente, sobre o papel que cada um desempenha e as implicações de tal estilo de trabalho educativo na própria dinâmica de organização; a importância da reflexão coletiva, da participação de todos, de levar em conta o nível dos membros da base, de envolver-se em uma relação de amizade e fraternidade; a importância de planejar os passos de um processo, a necessidade de pôr em prática os acordos, de modo conseqüente, a importância de aplicar critérios pedagógicos no processo organizativo direto, etc. Gera-se, então, uma relação fraterna, crítica, de confiança e politicamente definida.
Por isso, se considerarmos que em um processo organizativo, o principal responsável pela capacitação política deve ser o dirigente, nossa contribuição deve centrar-se em apoiar a formação dos dirigentes como monitores, pois são eles que impulsionarão a participação consciente e organizada das bases, assim como estilos de trabalho coletivos, críticos e criadores, para dinamizar a instância partidária e fazê-la avançar.
A Sistematização com Dirigentes e Instâncias
sistematização deve ser uma dimensão permanente de nosso trabalho e um elemento de aprendizagem conjunta sobre a base dos processos organizativos nos quais estamos inseridos.
Nos processos educativos com as instâncias partidárias é muito importante, também, que sejam os próprios dirigentes a sistematizar os resultados, fazendo uma reflexão crítica do processo vivido, utilizando a sua própria lógica e sua própria experiência como dirigentes. Isto lhes permitirá apropriar-se, no próprio processo educativo, com o objetivo, articulando-o com a dinâmica do processo organizativo.
A sistematização constitui um elemento de aprendizagem, e é, também, um fator educativo. Permite descobrir, na prática vivida, uma série de elementos muito ricos para o futuro; permite à descoberta de novos elementos, pistas de trabalho, conceituar a experiência para fazê-la avançar em novos níveis. Por isso deve desenvolver-se de maneira conjunta, para que permita não só dinamizar as instâncias, mas, também, localizar o melhor processo educativo que a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI pode desenvolver com elas.
A sistematização é UMA REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE O PROCESSO DE UMA OU VÁRIAS EXPERIÊNCIAS, COM O FIM DE DESCOBRIR OU EXPLICITAR A LÓGICA DESTE PROCESSO.
Sistematizar permite reconhecer as etapas ou momentos deste processo, situar as características que definem cada uma delas e explicar por que foi possível passar de uma etapa a outra. Permite explicitar ou descobrir que elementos intervieram em cada etapa, qual foi a relação entre eles e quais foram os mais determinantes.
A sistematização possibilita localizar em que momento ou etapa nos encontramos, com o fim de orientar, conscientemente, a perspectiva de continuidade que queremos dar ao processo no futuro.
Desta maneira, a sistematização serve de base para um processo de teorização, porque nos permite abstrair, a partir do que estamos fazendo, e encontrar vias de interpretação de validade mais geral. Leva-nos portanto, a obter conclusões e propostas teóricas, metodológicas e práticas.
Por isso, a sistematização não deve ser confundida com avaliação, na qual se medem os acertos, os erros, o cumprimento ou não dos objetivos propostos.
A sistematização tampouco é a descrição de experiências na qual se recolhe e transmite anedota ou narrativamente, o que se fez.
A sistematização se situa no caminho intermediário entre a descrição de experiências e a conclusão teórica. Se baseia na primeira para elaborar a segunda.
Por isso, para sistematizar, é necessário:
O Papel da FAP: Seu Caráter e Legitimidade
FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI não é uma instância partidária, é PARTE DO PDT. Cumprimos uma função distinta à de uma instância. Nosso papel é o de apoiar as instâncias partidárias no processo de construção de uma alternativa histórica para nosso povo.
Isto significa que não podemos confundir nossas funções com a das instâncias partidárias, nem pretender substituir a estas na condução dos processos organizativos.
Entretanto, na medida em que todos fazemos parte do PDT e temos uma meta comum, a relação entre a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI e as instâncias deve ser crítica, criativa, questionadora e autoquestionadora. As formas que esta relação pode assumir são muito variáveis dependendo do tipo de instâncias, do tipo de organização, do contexto sócio-político e do momento conjuntural em que se esteja.
A legitimidade da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI está baseada na confiança que as instâncias partidárias nela depositam. Esta confiança é produto de uma relação de respeito e trabalho mútuos. Esta legitimidade deve ir se ampliando na medida em que o trabalho se desenvolve corretamente com as diferentes instâncias.
A legitimidade da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI se baseia, também, na forma que se incorpora na construção de ações políticas do projeto histórico partidário comum, na forma como contribui, ou não, com processos organizativos.
A legitimidade não se alcança de modo espontâneo, ganha-se por meio de seriedade no trabalho e pela conseqüência com as exigências das ações do PDT. As instâncias vão aceitar a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI se esta demonstrar que seu trabalho é consistente, seus posicionamentos corretos e lhes serve efetivamente para o trabalho organizativo. Isto para nós é fundamental, porque é a essência de nosso trabalho. De nada valeria o prestígio formal de nossa instituição, se nosso trabalho não está contribuindo realmente para o fortalecimento das instâncias partidárias.
Por isso tudo, o desafio é chegar a níveis de relação realmente orgânica com as instâncias partidárias: ir ganhando um papel e uma legitimidade permanente no PDT, por meio da contribuição real que se dá através de distintos níveis e formas de participação, na tarefa comum de construir uma alternativa histórica.
Formas e Níveis de Apoio Às Instâncias Partidárias
apoio às instâncias partidárias constitui o fundamento e o sentido da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI. Isto refere-se a uma estratégia de trabalho a longo prazo, na qual a participação da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI dependerá do espaço conjuntural, das necessidades objetivas do PDT e dos níveis de relação com as instâncias partidárias.
Poderíamos distinguir três formas principais de apoio às instâncias, sem que sejam as únicas possíveis:
Todo tipo de apoio busca realizar uma contribuição aos processos organizativos, com distintos níveis de profundidade, de acordo com a relação que se estabelece, as prioridades que se determinaram e a situação particular de cada instância com a qual se trabalha.
Enfim, buscamos que a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI se insira na dinâmica organizativa particular de cada instância. Esta inserção significa, conjunturalmente, participar e impulsionar o trabalho educativo, desde de dentro das instâncias e em função de seus critérios e perspectivas organizativas. Isto significa reafirmar o papel de condução do PDT sobre a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI.
Significa, pois, construir uma relação de unidade orgânica entre um processo de apoio contínuo e as necessidades das instâncias partidárias. Esta relação se vai produzindo e concretizando no processo de trabalho comum, que muitas vezes se inicia através de um contato, uma assessoria, um apoio pontual e depois a própria prática vai exigindo estabelecer um processo que marca a transição até níveis de articulação mais estreita.
ossa concepção de trabalho implica gerar novos níveis de organização nas instâncias partidárias. Isto significa fortalecer as instâncias organizativas existentes e chegar à instâncias não organizadas para promover a sua organização.
O sentido mais profundo de nosso trabalho estará na capacidade que tivermos de impulsionar processos que proponham como objetivo alcançar a autonomia das instâncias no terreno da capacitação política; que as instâncias possam criar e manter as suas seções da FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI, sem necessidade de depender de uma "FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI central" para levar adiante seus programas de capacitação política.
Esta linha de trabalho é fundamental, devido ao fato de a FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI nacional não poder cobrir todas as instâncias e lugares que quisermos e necessitamos cobrir. Muitas vezes nos deparamos com a opção de trabalhar em uma instância com maior profundidade ou abarcar várias instâncias para conseguir maior alcance para nossas atividades. Essa realidade nos leva muitas vezes a contrapor qualidade à quantidade.
É comum encontrar em nossos centros uma tendência forte à dispersão, devido à multiplicidade e diversidade de demandas que recebemos. Esta tendência se expressa muitas vezes na realização de uma grande quantidade de intensas atividades, mas que ao final conseguem pouco efeito transformador real.
A única forma de lidar com este problema é estabelecer UMA ESTRATÉGIA DE FORMAÇÃO, que possibilite incidir de modo gradual na maior quantidade de instâncias, sem descuidar da profundidade das ações, e que garanta a capacidade autônoma das instâncias, para poder abrir novos trabalhos.
Esta estratégia supõe não somente formular uma linha de continuidade para as atividades formativas, mas também, a racionalizar e articular os recursos e áreas de trabalho internos. A diversidade de temas a trabalhar, somada à diversidade de setores com os quais se trabalha, pode levar à divisão de equipes ou à impossibilidade de que só uma equipe possa desenvolver com seriedade tal variedade de aspectos.
Um último aspecto a assinalar neste ponto seria o de reafirmar a importância da formação metodológica, para garantir a reprodução dos processos de formação a todos os níveis do PDT.
Em geral, quando uma instância solicita à FUNDAÇÃO ALBERTO PASQUALINI o tratamento de algum tema, o faz porque requer um "especialista" no assunto para trabalhá-lo. Se a contribuição de conteúdo do especialista não se acrescenta uma contribuição metodológica, que permita aos participantes reproduzirem o tema com outros companheiros, os únicos beneficiados seriam os participantes diretos na atividade. Se, além disso, a contribuição se dá através de mera exposição de informação, sem seguir um processo pedagógico, o conteúdo dificilmente poderá ser apropriado ou assimilado pelos próprios participantes, e pouca utilidade terá para que estes possam aplicá-lo em sua vida.