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Brizola faz discurso histórico na Convenção Nacional do PDT

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Ciro na Convenção do PDT

Brizola aos jornalistas

Composição da Direção Nacional

Brasília - 19/04/01 - Com a abertura dos trabalhos a cargo do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, iniciou-se às 9h a Convenção Nacional, destinada à eleição do novo diretório e comissão executiva nacionais, e a definir os novos rumos do partido. Também compuseram a Mesa de abertura dos trabalhos da Convenção, o deputado federal Neiva Moreira, o Secretário-Geral Manuel Dias, o presidente do Diretório Regional do PDT/RJ, Carlos Lupi, o ex-secretário de Estado de Segurança no governo Brizola, Carlos Alberto Siqueira, os líderes do PDT na Câmara dos Deputados e no Senado, Miro Teixeira e Sebastião Rocha e o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), convidado por Miro.

Contando com a presença de mais de 1.000 convencionais representando todos os Estados Brasileiros na platéia, Brizola defendeu a unidade de todas as correntes de oposição ao atual  modelo econômico, com uma frase sintomática: "Precisamos unir a todos, não só nós da esquerda. Precisamos compreender a atual complexidade do momento histórico. Todo o grande Poder Econômico ocupa o Poder de Estado hoje, ao contrário do passado, quando quem ocupava o Poder eram os militares. E precisamos ter a compreensão deste momento histórico, e percebermos que já não faz mais sentido uma candidatura minha, nem uma candidatura Lula, e por enquanto não faz sentido uma candidatura do Cristovam Buarque. Dentro desta visão, nós temos condições de somar a maioria de nosso povo. Há uma insatisfação generalizada dos setores da sociedade brasileira contra o presidente Fernando Henrique. Os pequenos proprietários agrícolas estão insatisfeitos com Fernando Henrique, os pequenos proprietários nas cidades estão insatisfeitos com Fernando Henrique, assim como os setores universitários, trabalhadores, desempregados e até mesmo os grandes industriais paulistas estão insatisfeitos com Fernando Henrique. Conversei com o governador Itamar Franco nesta manhã, e ele me disse que não poderia estar fisicamente presente na nossa Convenção por estar com inúmeras tarefas no Governo de Minas, mas que estaria presente espiritualmente. E é neste momento que eu faço uma colocação: eu deveria ter sido o candidato da unidade em 1989, e Lula meu vice. Hoje ele seria o Presidente. Então eu digo, estamos numa situação em que precisamos nos unir, e não só nós da esquerda. Creio que Itamar Franco governa um Estado muito importante. E enquanto Minas resistir, resistirá o Brasil. Quando o Rio Grande do Sul ocupou o Poder, caiu ou foi derrubado. Em resumo, o que estou dizendo é que nós precisamos reditar a Aliança que sustentou Juscelino", concluiu Brizola, sob aplausos.

Ciro na Convenção do PDT

O tom, ontem, na Convenção do PDT, em Brasília, foi de união das oposições. O tema fez parte dos discursos de Leonel Brizola, Miro Teixeira, do petista Cristovam Buarque, do candidato do PPS, Ciro Gomes, e de Roberto Freire, presidente do PPS. Itamar Franco não foi, mas telefonou reforçando a mesma tese.

Opiniões - A convenção contou com a presença de Ciro Gomes, acompanhado do presidente de seu partido, o PPS, senador Roberto Freire. O convite já havia sido feito por Brizola e reforçado pelo líder na Câmara, Miro Teixeira, num encontro realizado entre Ciro e o deputado, no dia 17.

Suas primeiras palavras aos convencionais, seguidas ao discurso de acolhimento de Leonel Brizola, foram de uma profunda preocupação em relação aos rumos da atual administração de FHC. Citou como exemplo a farsa do ingresso do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas – ALCA, "que é convidado para escancarar seu mercado, em detrimento ao desenvolvimento brasileiro e como política rentista e imperialista ao reino do norte" e prosseguiu: "não sejamos ingênuos em pensar que não sofreremos severas retaliações internacionais por querermos um modelo independente." Fez questão de reafirmar o discurso de Brizola que prevê a necessidade de imediato estanque na sangria realizada pelo atual modelo e que só será possível com uma ampla união de setores de centro-esquerda.

Sobre as possíveis resistências que as esquerdas possam ter por seu nome, esclareceu que reconhece suas diferenças e não chega a esta luta levando as medalhas que Brizola e outros companheiros ostentam, mas que este projeto maior não deve despertar preconceitos. Se coloca como um dos "novos militantes" disposto a lutar pelo Brasil.

Logo em seguida, Ciro e Brizola concederam entrevista coletiva aos jornalistas. Ciro insistiu na necessidade da construção de uma aliança e não quis citar nomes que a encabecem. Sobre a declaração de Itamar de que não tem "compulsão por ser cabeça de chapa da aliança" e que poderia ser vice de Ciro, interpretou como um gesto de modéstia mas que não vê importância na definição prévia de nomes, mas na discussão de idéias.

Sobre o líder pedetista, Leonel Brizola, Ciro diz avaliar de extrema importância as críticas por ele feitas. Afirmou: "ouço cada palavra que ele me dirige e todas as críticas me são bem vindas."

Definiu a aliança, que deverá ser costurada, preponderantemente de transição e confessou-se emociado pela grandeza do momento histórico que experienciava ao lado de Brizola, na conveção do PDT.

Brizola aos jornalistas

Brizola se dirigiu aos jornalistas dizendo que estas são "as primeiras escaramuças de costuras de um projeto que caracterize a vontade majoritária do povo brasileiro" e prosseguiu afirmando que a partir dalí este processo seria aprofundado.

"A visão estratégica que devemos ter é de que precisamos construir uma visão mais ampla, que vá além de nosso partido." disse Brizola sobre o espírito que deve permear o processo de aliança. "Ultrapassamos a fase de postulações individuais em nossos partidos. O PDT já faz sua reflexão e espera que os demais partidos, principalmente o PT, a façam."

Sobre as eleições Brizola disse que o 1º turno deve ser pebliscitário. "Uma forma de dizer sim ou não ao atual sistema" definiu. Finalizou afirmando que "a Convenção Nacional ainda não é o forúm adequado para a definição desses rumos conjuntos, ela cumpre um papel administrativo, de renovação de nossos quadros dirigentes, mas que principia o importante processo vindouro."    


 

Composição da Direção Nacional definida pelo Convenção Nacional de 19/04/01

Presidente Leonel Brizola
1º Vice Presidente Deputado Neiva Moreira
2º Vice Presidente Carlos Lupi
Secretário-Geral Manoel Dias
Secretária Carmem Cynira
Consultor Jurídico Carlos Roberto Siqueira Castro
Líder na Câmara Deputado Miro Teixeira
Líder no Senado Senador Sebastião Rocha
Rel. Internacionais Hésio Cordeiro

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