Vidas monitoradas pela diplomacia


Agentes do Centro de Informações do Exterior (Ciex) fizeram devassa na vida pessoal dos principais líderes comunistas no exílio. Registro cronológico traz informações inéditas sobre trajetória dos perseguidos


Reprodução de internet/21/07/07

Carlos Lamarca – Ex-militar, integrou VPR e MR-8 Morto

Um dos principais defensores da revolução armada, Lamarca foi desde cedo acompanhado pelos serviços de informação do regime militar. E o Ciex não ficou de fora. Já em 13 de junho de 1969, o ex-capitão surge no informe 257 sobre sua presença no Rio de Janeiro, “atuando integrado no esquema de Carlos Marighella”. Mais do que isso, traça um histórico das atividades do “subversivo”, que atuou como “membro secreto da organização de Marighella”, para a qual executava “pequenos desvios de armas”. “Ao serem presos em São Paulo alguns elementos de Marighela, os quais tinham tido contacto com Lamarca, este, temendo ser delatado, decidiu-se a desertar, levando consigo todo o armamento que pôde”, escreve o agente do Ciex, que se refere a “dificuldades” que Marighela teve “para ocultar Lamarca”.

Tal fato fez com que ele buscasse o exílio ainda em 1969, como atesta o informe 354, de 30 de setembro. Essa informação contradiz o senso de que Lamarca permaneceu clandestino em São Paulo até meados de 70. “Carlos Lamarca viajaria, no correr dos próximos dias, com destino à cidade de Montevidéu e daquela capital seguiria viagem para Cuba, via Santiago do Chile e Praga”. O informe 412, de 10 de novembro de 1969, diz que “em fins de out/69”. “O ex-capitão Carlos Lamarca teria chegado clandestinamente a Montevidéu, procedente de Livramento (RS), via Rivera (ROU). Da capital uruguaia, Lamarca viajaria – ainda de forma clandestina e, portanto, com documentação falsa – com destino a Santiago do Chile e, daquela capital, para Praga e Havana, onde se encontraria com sua esposa”, informa o Ciex.

O informe 304, de 9 de setembro de 1970, também revela fato inédito na trajetória de Lamarca. Segundo o documento entre 20 e 28 de julho de 1970, “um emissário dos Tupamaros” teria entrado em contato com Lamarca, vivendo no Acre, “em zona entre Rio Branco e a fronteira boliviana”. E o informe 483, de 8 de dezembro de 1970, fala da sugestão de Cuba de realizar um Congresso no Chile, que seria dirigido pelo ex-capitão, numa espécie de balanço da luta guerrilheira e com o intuito de propor a unificação de todos os movimentos como estratégia para a revolução. O apoio de Cuba a Lamarca fez, segundo os informes, com que elementos da ALN, descontentes, passassem a VPR.

Enquanto esteve clandestino, Lamarca manteve forte atividade política. Reuniu-se certa vez, no final dos 70, com Joaquim Cerveira e Apolonio de Carvalho. O encontro, mediado por Onofre Pinto, pode ter ocorrido no Chile, na Bolívia ou mesmo em Cuba. Outra reunião secreta teria ocorrido em meados de 71, pouco antes de ser morto. O informe 136, de 25 de maio, se refere à presença no Chile de um ex-militar identificado como o ex-major de cavalaria Hancho Trench, cassado em 64. “Ele seria o responsável por organizar visita a Santiago de Miguel Arraes e Carlos Lamarca”. O Informe 466 registraria ainda a “inusitada calma instalada entre os refugiados brasileiros depois da morte de Lamarca”.
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Aderval Alves Coqueiro – Operário, integrou PCB, PCdoB e MRT Morto

A morte de Coqueiro em fevereiro de 1971 foi episódio marcante no meio dos asilados, pois instaurou a desconfiança e troca de acusações. O relatório 177/72, por exemplo, mostra que o ex-coronel Joaquim Alves Cerveira chegou a ser responsabilizado pela baixa. O agente do Ciex garante que “Cerveira nada tem a ver com a morte de Coqueiro, já que o entregara no Uruguai com toda segurança”. Em reação, Cerveira exige da Val-Palmares “explicações” sobre a execução de Coqueiro. Relata que se encarregou pessoalmente de levar Coqueiro até a Argentina, “onde ficou seis dias sob cobertura dos Motoneros”. Depois o levou ao Uruguai, entregando-o a Luis Heron Paixão de Araújo, que se incumbiu de levar Coqueiro a Porto Alegre, de onde seria transferido ao Rio de Janeiro. Ali deveria ser escondido num aparelho nas Laranjeiras. O relatório de sua morte consta que ele teria voltado para seu apartamento no Cosme Velho, onde seria morto 20 dias depois.
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Ângelo Pezzuti da Silva – Psiquiatra, integrou VPR, Colina e Polop Morto

Pezzuti foi dirigente da VPR e, por isso, teve sua vida pessoal devassada pelo Ciex. Sua presença é registrada no Chile em 1971, depois de ser monitorado em sua passagem por Cuba e Argélia. “Chegou a Santiago, o terrorista brasileiro Ângelo Pezzuti da Silva, em companhia da também terrorista brasileira Maria do Carmo Brito (Sara, Lia), ex-esposa de Aldo Sá Brito. Os marginados pertencem aos quadros subversivos da VPR-Palmares e, viajaram ao Chile, para contatos com João Lopes Salgado (Dino), José Araújo da Nóbrega (Alberto) e Joaquim Pires Cerveira (conhecido em Santiago pelo codinome de Walter)”.

O informante avalia que a presença dos citados terroristas “é pouco conhecida no meio de asilados brasileiros radicados na capital chilena”. E detalha a vida pessoal de Pezzuti. “Aproveitando sua estada em Santiago, Pezzuti e Maria do Carmo se casaram em 27 de outubro de 1971”. Uma das últimas menções a Pezzuti, em vida, ocorre no informe 538/73, relação dos asilados brasileiros que, depois do golpe de 11 de setembro, receberam salvo-conduto para diversos países. Pezzuti está na relação do Panamá.
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James Allen da Luz – Estudante, Integrou VAR-Palmares Desaparecido

Allen da Luz, segundo o documentos do Ciex, teve uma trajetória bastante polêmica. Recrutado por Joaquim Cerveira e Apolônio de Carvalho, e um dos líderes do seqüestro do avião da Cruzeiro do Sul, desviado para Cuba. Com movimentação intensa no meio asilado, desapareceu deixando para trás muitas dúvidas. Foi identificado como elemento perigoso desde 1969, quando estava refugiado no Chile. Pressões do Itamaraty, inclusive, levaram o governo chileno a suspender seu asilo em 11 de junho daquele ano, como consta no Informe 262. O informe 85, de 19 de abril de 1971, é farto em detalhes sobre a entrada de Allen Luz no Brasil. Estando no Chile, ele foi escoltado por um representante de Carlos Figueiredo de Sá, de Santiago e Buenos Aires, via Mendoza, e depois a Montevidéu. Esse representante poderia ser Daniel de Carvalho ou Jasse Jane. Lá foi encaminhado a Cerveira, responsável por um esquema para colocar asilados brasileiros clandestinamente no Brasil “com apoio da embaixada de Cuba em Santiago e seu embaixador Inschaustegui”.

“O representante de Sá teria sido instado por Cerveira a não demorar-se mais que 48 horas em Santiago, havendo partido da capital chilena em 10 de março de 1971, acompanhado de James Allen Luz, que ostentava então um frondoso bigode, viajando primeiramente em ‘limousine’ até a fronteira com a Argentina, e da capital argentina de aliscafo até Montevidéu, onde Allen Luz foi entregue a Carlos Sá que, por sua vez, o encaminhou a Luiz Heron de Araújo. Allen Luz teria viajado do Uruguai para o Brasil em 15/Mar/71, seguindo o itinerário: Montevidéu-Livramento, Rio Grande do Sul até a localidade de São Pedrito, onde permaneceu 24 horas, prosseguindo viagem para Porto Alegre e da capital gaúcha diretamente para São Paulo e posteriormente para o Rio de Janeiro, onde deveria ter chegado a 19/mar/71.” A tarefa de Allen da Luz no Brasil seria a contatar elementos da VPR e fazer “levantamento” para um próximo seqüestro. Em março de 1973, o informe 114 levanta a hipótese inédita de que Allen tenha sido justiçado por companheiros ou desmobilizado pelos militares, recebendo nova identidade. “Não existem mais dúvida, entre os asilados brasileiros em Santiago, de que o Cabo Anselmo e James Allen Luz sejam agentes policiais, havendo contra Anselmo ‘ordem de execução’”.
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Reprodução de internet/21/07/07

Joaquim Pires Cerveira – Ex-militar, integrou FLN e MR-8 Desaparecido

Até agora pouco se sabe da atuação do ex-coronel Joaquim Cerveira, relegado a um papel menor na memória da resistência armada. Ele é identificado como uma espécie de braço-direito de Brizola na Frente de Libertação Nacional, dissolvida em 1970, data de sua primeira prisão. Ele foi banido naquele ano, e depois disso passaria a integrar as filas do MR8, informação inédita, que se soma ao fato de que Cerveira chegou a ser eleito pelo regime cubano para liderar nova tentativa de uma guerrilha rural. De fato, os informes do Ciex dão conta de uma movimentação incessante de Cerveira, com colaboração da esposa Lourdes, na estruturação de uma ação contra o regime militar, especialmente a partir dos anos 70.

Cerveira é citado no Informe 483, de 8 de dezembro de 1970, tendo convencido o presidente cubano, Fidel Castro, a permitir que todos os brasileiros de Cuba fossem escoados para o Chile, onde se reuniriam com outros provenientes da Argélia. O plano de ataque incluiria levantamento de todos os quartéis de fronteira, do Acre até a Bolívia. “Já se encontraria em Cuba o levantamento da base da Marinha brasileira localizada em Corumbá”, informa. Também haveria levantamento sobre a vida privada do general Ernesto Geisel.

O informe 85, de 19 de abril de 1971, confirma como Cerveira se tornou importante para o regime de Cuba, “que não ajudou Jefferson por não confiar nele”. “Cerveira recebeu recursos financeiros e autorização para recrutar gente em Cuba”, relata. “Como é do conhecimento da comunidade, Cerveira tem sido apontado como o ‘líder militar’ escolhido pela DGI cubana para chefiar a guerrilha rural no Brasil. Nessa qualidade, receberia ‘assistência técnica’ de elementos cubanos – notadamente Fermin Ravello – e possivelmente de brasileiros treinados em Cuba – como Thalles Fleury. O círculo de Cerveira em Santiago é bastante fechado, não permitindo fácil infiltração”, avalia o Ciex.

Há vários informes com detalhes sobre atividades de Cerveira ao longo de 1972, inclusive amontagem de uma base em Arica. O informe 033/72 traz balanço geral dos movimentos subversivos no Chile e classifica, segundo sua força e capacidade de influência no Brasil, em primeiro o de Cerveira – constituído por elementos do MRT, FLN, Ex-Colina, VPR e Val-Palmares. O informe 657/72, mostra que o Ciex tinha o endereço de Cerveira em Santiago. A última referência a ele com vida está no informe 635, sobre encontro com Cândido Aragão em Buenos Aires. Lá, Cerveira desapareceu após ser preso.
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Vítor Luiz Papandreu – Ex-militar, integrou grupo cerveira
Desaparecido

Há dezenas de referências a Papandreu no arquivo secreto do Ciex. Na maior parte delas, ele aparece junto a Joaquim Pires Cerveira. Identificado como perigoso por ter sido um dos seqüestradores do vôo do México que foi desviado a Cuba, Papandreu foi extenuamente monitorado. O informe 483 de 1970, por exemplo, registra sua presença em Montevidéu e traça seus passos anteriores por Cuba, Techoslováquia, Argélia, Paris, Chile e Buenos Aires. “O percurso Chile/Buenos Aires teria sido feito em avião da BUA; o percurso Buenos Aires/Montevidéu em avião da Arolíneas Argentinas, no dia 28/nov/70; na capital argentina, o marginado teria apenas se deslocado do aeroporto de Ezeiza para o Aeroparque, onde teve sua passagem da BUA endossada para Aerolineas – manobra que visaria a fazer crer que o marginado procedia originalmente de Buenos Aires. Estaria Papandreu viajando muito de passaporte estrangeiro falso, provavelmente espanhol”, escreveu o agente.

Papandreu, segundo os informes, “faria parte do esquema de escoamento de brasileiros de Cuba para o Brasil, junto a Onofre Pinto”. O informe 020, de 20 de janeiro de 1971, registra a viagem de Papandreu ao Brasil. Ele teria “ingressado em território brasileiro, procedente do Uruguai, via Rivera, em 30 de dez/70”. “O marginado teria contado em Rivera com o apoio e a cobertura de Breno Burman, refugiado brasileiro que reside naquela cidade fronteiriça, à calle Molles, no. 58.” Ele é citado ainda no informe 190, de 23 de junho de 1971, sobre contato com Amarilio Vasconcellos em dezembro de 70.
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Wânio José de Mattos – Ex-policial, integrou VPR. Morto

O professor universitário Wânio José de Mattos caiu na malha do Ciex em maio de 1971, quando seu nome foi incluído na lista de brasileiros aos quais o governo Salvador Allende concedeu, por sua conta, passaportes para que deixassem o Chile, uma vez que o Itamaraty não quis fazê-lo. Embora Wânio fosse considerado por muitos asilados como um sujeito de confiança, no informe 100, de fevereiro de 1973, ele é arrolado entre os “suspeitos”, por parte da direção da VPR, por supostamente dar cobertura ao Cabo Anselmo. De fato, Wânio foi preso pela polícia chilena logo depois do golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet. Por muito tempo se pensou que ele teria sido fuzilado no Estádio Nacional, como registra o informe 33, de 1976. No documento, há alusão a um esquema que envolveria suposto apoio dos militares brasileiros naquele golpe, e que o tenente-coronel Cyro Etchegoyen teria inclusive ordenado a execução de Wânio ao lado de Takao Amano e Onofre Pinto.

O informe 656, de 31 de dezembro de 1973, é um dos mais importantes da coletânea, pois revela que o Itamaraty foi informado da morte de Wânio meses depois de sua prisão. Mesmo assim, esse fato foi ocultado por quase duas décadas até que o próprio governo chileno o confirmasse. A íntegra do texto: “Em anexo, fotocópia de nota do Ministério das Relações Exteriores do Chile e de ‘certificado médico de defunción’, que informam sobre o falecimento do asilado brasileiro Wanio José de Mattos, ocorrido em 16 de outubro de 1973”. Não foi possível localizar o anexo, que continua guardado no arquivo secreto do ministério.

Há ainda outros informes que demonstram como o Ciex perseguiu Wânio, e que essas informações facilitaram sua prisão por parte das autoridades chilenas. O informe 159, de 27 de março de 1973, mostra que o agente teve acesso a “apontamentos” de Wânio, nos quais encontra endereços de dois apartamentos, um na praça Julio de Mesquita, em São Paulo, e outro na Avenida Copacabana, no Rio, acompanhado de um número de telefone. “Os referidos endereços podem ser quentes. No catálogo do Rio, figura sob o mesmo endereço o nome de Mario Rogério Antonelli”, ressalta o informe.
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Onofre Pinto – Ex-militar, integrou VPR. Desaparecido

Onofre foi um dos participantes do grupo dos 15, responsável pelo famoso seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick. Banido do país, ele perambulou por Cuba e Praga, antes de se estabelecer em Montevidéu, com intenções de voltar ao Brasil. Polêmico, os documentos do Ciex mostram que ele chegou a ser homem de confiança de Carlos Lamarca e fez importantes contatos na Bolívia para a implantação de um foco de guerrilheiros brasileiros lá. Apesar de sua excelente reputação, Onofre seria expulso da VPR acusado de “acobertar um policial infiltrado”, no caso, ninguém menos que o José Anselmo dos Santos (o cabo Anselmo).

O informe 100, de 16 de fevereiro de 1973, registra com detalhes o episódio. “A queda de elementos da VPR em Pernambuco (janeiro/73) e a notícia de que José Anselmo dos Santos é elemento infiltrado lançaram os refugiados brasileiros no Chile ligados àquela organização terrorista em grande desorganização, estabelecendo entre os mesmos um clima de desconfiança e suspeita. Em conseqüência do clima criado, o grupo de Maria do Carmo Brito e Angelo Pezzuti expulsou Onofre Pinto sob a acusação de que este acobertava um policial infiltrado (Anselmo) e elementos suspeitos”, diz o texto. Onofre era então o representante da VPR no Uruguai, em substituição a Luiz Heron da Paixão, segundo o informe 163/72.

Algumas curiosidades: O informe 292, de 16 de agosto de 1971, registra a presença em Santiago da esposa do ex-deputado comunista Lício Hauer e de Onofre Pinto, regressando ao Peru. “Onofre já teria em seu poder cerca de 15 a 20 mil dólares e viajaria para La Paz entre 12 e 30/ago/71”, informa o agente. No informe 496 o informante do Ciex obtém de Onofre revelação de que o seqüestro do embaixador suíço Giovanni Bucher teria sido motivado principalmente pela prisão “de um estudante que sabe tudo acerca da nova escola de guerrilhas montada por Carlos Lamarca no Paraná”. O informe 162, de 27 de março de 1973, registra viagem de Onofre para a argentina no dia 20 de março. É a última referência direta a ele, antes de seu desaparecimento.
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Reprodução de internet/21/07/07

Aluísio Palhano Pedreira Silveira – Advogado, VPR
Desaparecido

Palhano foi importante elo de ligação entre Leonel Brizola e Fidel Castro. O relatório 427, de 17 de outubro de 1966, mostra que cartas, trocadas entre eles, foram interceptadas pelos agentes do Ciex ou tiveram seu conteúdo revelado por terceiros. “Na carta de Fidel, este aconselha Brizola a desencadear a revolução armada em território brasileiro, como etapa inicial para a expulsão do imperialismo americano do Brasil”, diz uma delas. Em outra, consta que Palhano, a pedido de Fidel, solicita a Brizola “o envio a Cuba de dois elementos da inteira confiança, para coordenar, em Havana, o I Congresso dos Povos da América Latina”.

Palhano é identificado em Havana no informe 329 de 21 de setembro de 1970, acompanhado de ninguém menos que José Dirceu e Cabo Anselmo. “Entre 10 e 20 de julho, registrou-se a presença em Havana de Jefferson Cardin de Alencar Osório, procedente da Argélia, onde entrou em contato com Joaquim Pires Cerveira”. Segundo o informe, Cardin teria entrado em contato com “Wladimir Palmeira e esposa, José Dirceu de Oliveira, Victor Papandreu, Cabo Anselmo, Aloísio Palhano, Aldezito Bezerra, James Allen Luz, Tânia Rodrigues Fernandes.” Os registros históricos até agora dão conta de que Palhano foi preso e morto em maio de 1971, ao retornar clandestinamente ao Brasil.
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Reprodução de internet/21/07/07

Carlos Marighella – Ex-deputado, ALN. Morto

Marighella foi um dos “subversivos” preferidos do Ciex. A primeira referência a ele, disponível no arquivo secreto, se refere à expansão da ALN no Uruguai. Uma ‘célula’ seria montada para treinar elementos provenientes do sul do Brasil. “Treinamento que incluiria programa de preparação política e breve curso sobre explosivos”, relata o informe 676, de 19 de novembro de 1968. Consta ainda que os irmãos FRANCK e outro elemento, indicado como Leandro, também este com curso feito em Cuba, estariam atualmente ligados ao deputado Ariel Collazo, que, por sua vez, apoiaria o esquema de Marighella, na base da estratégia recomendada pela OLAS. Os agentes do Ciex antecipam os planos de Marighella de lançar, “antes do fim de 1968, a execução de um amplo plano de sabotagem das linhas férreas brasileiras, bem como de setores vitais para o comércio exterior do Brasil”.

Já o informe 32, de 6 de fevereiro de 1969, descreve plano de Marighella de trazer ao Brasil elementos treinados em Cuba e no Uruguai. “De Cuba viriam 20 brasileiros, pertencentes ao movimento de Leonel Brizola. Paulo de Mello Bastos estaria integrado nesse esquema, mantendo contatos com o elemento José Francisco dos Santos, atualmente em Montevidéu e que estaria para ingressar em território brasileiro”. Collazo seria o contato de Marighella em Montevidéu, segundo o documento, e prepararia os brasileiros para ir a Cuba fazer treinamento de guerrilha.

Curioso o informe 469, de 23 de dezembro de 1969, a respeito de outra versão para o assassinato de Marighella. Para o agente do Ciex, tratou-se de “versão tendenciosa” sobre a atuação da polícia e serviços de inteligência brasileiros, “que são acusados de torturar prisioneiros políticos e de haver morto Marighella enquanto este caminhava, montando posteriormente o episódio do VW para inculpar religiosos dominicanos de ‘traição’. Estes teriam comparecido normalmente ao encontro com Marighella, sendo presos ao tentar escapar”. Mesmo depois de sua morte, pessoas ligadas a Marighella continuaram sendo monitoradas. O informe 353/76, denuncia que a ex-mulher montara na Itália, “juntamente com outros latino-americanos”, uma “fábrica de documentos e passaportes falsos”. “No futuro, pretende falsificar também dólares americanos”, aposta o agente. (CDS)
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Mortos e desaparecidos

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