"Trabalhismo é a saída para a crise"

Brizola Neto quer combater crise econômica com Trabalhismo

Em entrevista à Agência Câmara, o líder do PDT, deputado Brizola Neto(RJ) , defendeu  a necessidade de se debater projetos que regulamentam o fluxo de capitais e que limitam a remessa de lucros para o exterior. Na sua opinião o atual modelo econômico está esgotado.

por Gilberto Nascimento

Brizola Neto: o atual modelo econômico está esgotado 

O novo líder do PDT, deputado Brizola Neto (RJ), tem apenas 30 anos, mas lança mão de conceitos antigos do trabalhismo em seu discurso de combate à crise econômica mundial. O parlamentar quer, neste ano, debater projetos que regulamentam o fluxo de capitais e que limitam a remessa de lucros para o exterior.

Para o neto de Leonel Brizola, o modelo econômico em vigor no mundo apenas aprofundou desigualdades sociais e problemas ambientais e está esgotado. Em vez de liberalismo, o líder defende a participação do Estado na economia.

Em seu primeiro mandato como deputado federal, Brizola Neto já foi vereador no Rio de Janeiro e líder do PDT na Câmara Municipal do Rio. Nascido em Porto Alegre (RS) e estudante de Direito, o deputado já participou, na Câmara, das comissões de Turismo e Desporto; e da Lei do Gás (PL 6666/06).

Brizola Neto concedeu a seguinte entrevista à Agência Câmara:

Agência Câmara – Quais são os temas prioritários para o partido neste ano?

Brizola Neto – O modelo econômico que vigorou nas últimas duas décadas está esgotado. Aprofundou as desigualdades e agravou os problemas ambientais. Agora o próprio sistema econômico se socorre de velhas teses defendidas pelo trabalhismo: a intervenção estatal, a necessidade de o Estado criar regulamentações para a economia e para o fluxo de capitais e, principalmente, a sua preocupação com o bem-estar, que pode garantir realmente o desenvolvimento e a distribuição de renda.

Agência Câmara – Alguma proposta em especial?

Brizola Neto – É preciso criar mecanismos de regulamentação do fluxo de capitais. Há um projeto do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) que prevê quarentena de 18 meses para capitais especulativos, como ocorre na Argentina. Outra questão é buscar um mecanismo que limite a remessa de lucro ao exterior. A gente tem informações do Banco Central de que, no último mês do ano passado, essas remessas atingiram quase R$ 20 bilhões. A economia brasileira continua sangrando por meio desses mecanismos que já eram denunciados há 50 anos por Getúlio Vargas.

Agência Câmara – Como o PDT avalia as reformas política e tributária, que estão em análise na Câmara, e também a PEC que muda o rito de tramitação das medidas provisórias (511/06)?

Brizola Neto – É fundamental que o Estado brasileiro desonere o custo da produção. O PDT acredita que a melhor via é a da reforma tributária porque, do contrário, o que se propõe é uma pauta que o PDT rechaça, uma pauta que considera qualquer tipo de reforma trabalhista ou reforma previdenciária para desonerar a produção. A reforma política também é fundamental. O PDT apoia a reforma política, principalmente nos pontos ligados ao financiamento público de campanha e à fidelidade partidária. Já a PEC das MPs é fundamental em razão do resgate do protagonismo parlamentar, que vem sendo sufocado pelo excesso de medidas provisórias.

Agência Câmara – Qual a posição do PDT em relação ao governo neste ano?

Brizola Neto – Nós apoiamos o Governo Lula porque acreditamos, nesse momento de crise, na aliança de defesa do emprego, dos direitos e garantias do trabalho. Quando o PDT ingressou no Governo Lula, ele deixou claro que ingressou para inverter uma pauta que pedia reformas trabalhistas e previdenciárias. O partido tem exercido um papel muito importante no Poder Executivo e a gente tem verificado a intensidade com que o ministro [Carlos] Lupi [do Trabalho, filiado ao PDT] tem defendido o emprego dos trabalhadores brasileiros.

Agência Câmara