São Borja (RS) inaugura hoje às 17h Memorial João Goulart


O Presidente João Goulart retornou do exílio e está de volta a sua terra natal. Quantos brasileiros gostariam de ter lido esta notícia, após a promulgação da Lei de anistia em 1979? Lamentavelmente, esta manchete jamais foi redigida por nenhum jornal do País. Jango só retornou a São Borja dentro de um caixão, e, mesmo assim, com muita resistência por parte do Governo do General Geisel, que sequer autorizava o ingresso do féretro por terra. Mas hoje, passados 32 anos de seu assassinato na solidão do exílio, passados 45 anos de um golpe de Estado contra seu projeto de Nação, amparado na aplicação efetiva de justiça social, tenho orgulho de compartilhar com os Gaúchos uma grande conquista.


Meu avô está de volta na cidade de São Borja. Na casa onde ele viveu por muito tempo junto à família, no endereço da Av. Presidente Vargas n° 2033, o povo poderá se reencontrar com seu líder e amigo de sempre. Neste endereço, os cidadãos mais experientes recordarão a trajetória de um estancieiro visionário, que ousou um dia reformar as estruturas políticas, sociais e econômicas do Brasil. Os mais jovens poderão conhecer mais sobre o carisma e simplicidade cativante deste Presidente, que com 36 anos já era Ministro do Trabalho do Dr. Getúlio Vargas.


A partir do dia 01 de outubro, às 17 horas, a alma de meu avô estará presente no Memorial Casa João Goulart. Muitos poderão agora compreender o que representou sua luta em defesa da soberania nacional, em defesa da emancipação econômica autêntica do povo brasileiro. Outros tantos conhecerão as verdades sobre o golpe militar de 1964, que aniquilou com o ideal republicano de inserção das massas carentes no processo de desenvolvimento, e sacramentou o fato de termos no Brasil, uma das maiores concentração de renda do mundo. Somos hoje um país de violentas desigualdades sociais.


A história vem fazendo justiça com a biografia política de João Goulart. Ano passado, através da anistia concedida em ato público, o Estado brasileiro pediu perdão ao Presidente pela sua deposição inconstitucional, que gerou irreparável atentado contra a democracia. E a partir de outubro de 2009, com a inauguração do Memorial, os brasileiros vão assimilar com exatidão, o próspero futuro arrancado pela força das armas em 1° de abril de 1964. Mais do que isso. Através do exemplo do legado reformista de Jango, os cidadãos terão a oportunidade de refletir sobre um conceito perdido que devemos retomar: o verdadeiro significado de amor à Pátria.


Christopher Goulart
 Advogado, Neto de Jango e Diretor do Instituto João Goulart