Quatros anos sem Oscar Niemeyer, o arquiteto dos Cieps

Wellington Penalva

Há quatro anos, o mundo perdia um dos seus maiores arquitetos modernistas, o Brasil perdia uma referência e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) dava adeus a um amigo. Oscar Niemeyer faleceu no dia 5 de dezembro de 2012, aos 104, deixando sua arte espalhada pelo mundo e um desejo de justiça social para a humanidade.

O Complexo Arquitetônico da Pampulha, Brasília e a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, identificam Niemeyer em qualquer lugar do mundo. Já a militância esquerdista e a visão de igualdade social do gênio – componentes indissociáveis do seu trabalho –, figuram na subjetividade do legado concreto.

Darcy Ribeiro e Leonel Brizola conheciam bem a ideologia de Niemeyer. Os três enfrentaram o exílio durante a ditadura militar por idealizar uma nação verdadeiramente democrática que amparasse o povo brasileiro. O desejo comum se traduziria na construção dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps).

No primeiro governo de Brizola no Rio de Janeiro (1983 – 1987), Darcy concebeu um projeto educacional que previa o ensino público de qualidade em período integral, os Cieps. Oscar Niemeyer, então, foi convidado para desenvolver o projeto arquitetônico.

Em 1985 estava pronto o primeiro Ciep. As curvas saídas da prancheta de Niemeyer, hoje são uma referência no Estado. O projeto educacional, no entanto, foi abandonado após os governos de Brizola. Da pretensão de uma educação pública qualificada, ficaram apenas os prédios como lembrança.

A essência do Ciesps morreu e seus idealizadores, também, não estão mais entre nós. Por isso, nesta data, o PDT saúda a existência do homem a imortalizar no concreto a aspiração trabalhista de construir um país justo para cada um dos seus cidadãos.

“Prefiro pensar que um dia a vida será mais justa, que os homens não se olharão a procurar defeitos uns nos outros. Que haverá sempre a ideia de que em todos há um lado bom. Nesse dia, será com prazer que um procurará ajudar o outro.” Oscar Niemeyer