Péres diz que entrega relatório do caso Renan até 15/11

Senador é relator da representação número três.
Já relator aliado de Renan não estabelece prazo para concluir a investigação.
O senador Jefferson Péres (PDT-AM) anunciou nesta quarta-feira (17) em reunião do Conselho de Ética que deve entregar o parecer sobre a representação número três contra Renan Calheiros (PMDB-AL) no próximo dia 15 de novembro. O prazo estabelecido pelos senadores de oposição para que houvesse o julgamento do caso era dois de novembro. “Devo terminar até o dia 15 de novembro. O prazo para que o Renan apresente a sua defesa termina na quarta-feira”, anunciou o relator.

Péres investiga o episódio em que Renan Calheiros é acusado de manter sociedade por meio de “laranjas” em duas emissoras de rádio e em um jornal no estado de Alagoas. O protagonista da denúncia é o usineiro João Lyra, que recebeu um questionário para responder algumas perguntas relativas à investigação. “Tem vários documentos… Nenhum assinado pelo Renan, mas tem recibo e promissórias assinadas pelo Lyra”, informou o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP).

Cronograma
As informações sobre a representação número três foram repassadas em reunião do Conselho de Ética para definir um plano de trabalho dos três relatores que trabalham nos processos contra Renan Calheiros. Ainda tramitam no órgão disciplinar as representações número dois, relatada por João Pedro (PT-AM), e a número quatro, que tem como relator o senador Almeida Lima (PMDB-SE).

A representação número cinco, que acusa Renan de espionagem contra senadores de oposição, ainda não tem relator. “Já fiz o convite e aguardo uma resposta até esta quinta. Este senador ainda não relatou nenhum dos processos”, revelou o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Na relatoria do senador João Pedro, Renan Calheiros é acusado de tráfico de influência. Ele teria, conforme a denúncia apresentada pelo PSOL, intercedido junto ao INSS para que a cervejaria Schincariol tivesse o perdão de uma dívida de R$100 milhões com a Previdência Social. “Fiz duas diligências. Uma na Policia Federal, para ter acesso ao relatório da operação cevada [de sonegação de impostos]. Na segunda, fiz um conjunto de perguntas à direção da Schincariol. A empresa ainda não me deu resposta. De posse do resultado dessas duas diligências eu vou aferir. Olhar as respostas e poderemos ter um trabalho junto ao INSS e a Receita Federal”, explicou o senador.

Ele acredita que pode concluir a investigação e apresentar relatório até o dia cinco de novembro, ou seja, também após o prazo estabelecido pela oposição. “Esse prazo era porque a oposição havia manifestado o seu desconforto com a presença do presidente Renan. Com a licença [de 45 dias] acaba essa preocupação”, avalia o presidente do Conselho de Ética.

Até um ano
Já o senador Almeida Lima, integrante da tropa de choque de Renan, foi o único que não estabeleceu prazo para concluir os trabalhos. “Pode levar oito, dez dias. Mas também pode levar um ano”, advertiu.

Lima investiga o suposto envolvimento do presidente licenciado da Casa em esquema de arrecadação ilícita de recursos em ministérios comandados pelo PMDB. “A minha situação é bem diferente da do João Pedro. O senador Jefferson Péres já está com os autos do processo há oito dias. Eu não tenho 24 horas ainda. De antemão já estou garantindo: processo nenhum ficou comigo sem tramitação. Se me pedem um prazo… eu estou sendo até mais generoso com os companheiros do que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO)”, ironizou.

Ele se refere à relatora da proposta de prorrogação da CPMF até 2011, Kátia Abreu. Ela já antecipou que fará um parecer contrário à manutenção do tributo, mas que vai utilizar o prazo regimental de 30 dias para apresentar o relatório. O governo teme que a obstrução oposicionista impeça a apreciação da matéria ainda este ano. Caso contrário, o Ministério da Fazenda calcula que possa perder cerca de R$ 15 bilhões em 2008.

G1