Operação Navalha”: Governador Jackson Lago vai afastar envolvido no Maranhão, seja quem for


Navalha”: Jackson Lago promete afastar envolvidos, sejam quem for


“Eles pensaram que poderiam pegar um homem como eu e dizer que mandei
dois sobrinhos pedirem dinheiro para empreiteira”
Jackson Lago



Mais de 2 mil pessoas estiveram nesta quinta-feira (24/5) no aeroporto Marechal Cunha Machado, de São Luis, para receber o Governador Jackson Lago em ato de desagravo liderado por dirigentes do PDT com a presença de representantes dos nove partidos que o elegeram ano passado. Jackson Lago seguiu em carreata até o Centro histórico, revivendo em parte o clima que antecedeu as eleições, com manifestantes portando bandeiras, faixas e adesivos com a frase “Golpe não, Sarney nunca mais!”.

Um outro grupo, reunido na Praça Maria Aragão, dirigiu-se em passeata até o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, onde se reuniram aproximadamente 6 mil pessoas que, antes, desfilaram pelo Centro comercial. Desde o início do escândalo da “Operação Navalha” da Polícia Federal, quinta-feira da semana passada, e o envolvimento do governador nas denúncias, Lago esteve fora do Estado. Primeiro em Brasília, quando começaram as denúncias, depois na Argentina, para onde tinha viagem programada e depois, novamente, em Brasília. Só nesta quinta, Lago voltou ao Maranhão.

Antes de Jackson Lago se dirigir à multidão concentrada em frente ao palácio do governo, foram lidos dois manifestos – um da coligação de partidos que o elegeu; outro da Juventude do PDT. O primeiro pedia a Polícia Federal uma investigação profunda e detalhada de todos os casos de corrupção no Maranhão, inclusive irregularidades cometidas no governo de Roseana Sarney – foram citados o “Caso Lunus” e a venda do Banco do Estado do Maranhão, entre outros casos.

O manifesto da coligação “Frente de Libertação” alerta também para “o possível golpe” que estaria sendo articulado pelo grupo do ex-presidente Sarney para destituir o governador Jackson Lago “eleito democraticamente pelo povo”. O manifesto destaca ainda que “as viúvas do Sarney tentam construir um golpe no governo que ousou tocarnos super-salários da oligarquia e que, no cotidiano de seus atos, busca inverter o caótico quadro de desmandos que levou o Maranhão a ter os piores índices sociais do país”.

O segundo manifesto, este assinado pela Juventude Socialista do PDT, mais contundente, presta solidariedade a Jackson Lago definido como “companheiro de lutas”, mas critica o governo pelo fato dele ser “verdadeira colcha de retalhos” devido aos diferentes interesses políticos reunidos em torno de sua candidatura. Os jovens do PDT afirmam que infelizmente há no governo “forças de vários matizes, de várias ideologias, algumas delas com práticas que sempre combatemos”. Mas ao final reitera confiança nas ações e nas intenções de Jackson Lago e o incentiva a continuar a luta “pela libertação do Maranhão”.

Jackson Lago, em fala carregada de emoção, disse que determinou que todos os órgãos da administração estadual colaborem com a investigação da Polícia Federal, fornecendo todas as informações capazes de esclarecer “qualquer deslize ou apontar pessoas que estiverem comprovadamente envolvidas”. Lago reafirmou que envolvidos “sejam quem for”, serão afastados para o julgamento da Justiça.

Anunciou também que suspendeu os dois contratos em vigor entre o governo do Maranhão e a empresa Gautama, um firmado em 2002, pela então governadora Roseana Sarney; e outro assinado pelo seu antecessor, em 2004.

— A dignidade do povo maranhense é a minha dignidade porque represento o povo. As calúnias não me atingirão. Serão quatro anos de governo digno, honrado e com participação popular – garantiu Jackson Lago no discurso.

E concluiu:

— Nunca poderíamos imaginar que eles iriam aproveitar essa operação para dizer que Jackson Lago também está na corrupção. Eles pensaram que poderiam pegar um homem como eu e dizer que mandei dois sobrinhos pedirem dinheiro para a empreiteira. Empresa essa que foi trazida ao Maranhão, em 2000, pela governadora Roseana Sarney.