“O resultado das urnas reflete a aprovação da nossa administração” – Carlos Eduardo, prefeito reeleito em Natal (RN)

Ascom PDT do Rio Grande do Norte/ Kallyana Kelly15/10/2016

A capital potiguar escreve nova página em sua história política e o seu protagonista é o prefeito reeleito Carlos Eduardo Alves (PDT-RN). Ele venceu as eleições deste ano já no primeiro turno com 63,42% – uma inédita e expressiva maioria sobre os seus adversários, cuja “performance” do segundo colocado não passou dos 13,37%. “O resultado das urnas reflete a aprovação da nossa administração”, afirma Carlos Eduardo.

Mas o líder pedetista prefere falar de gestão. Ele, que cumprirá de 2017 a 2020 o seu quarto mandato no comando da capital do Rio Grande do Norte, bate um papo conosco, prestando contas do muito que já realizou em Natal e de seus projetos e metas para a gestão vindoura.

Nesta entrevista, Carlos Eduardo fala do resultado expressivo que lhe deu a vitória no primeiro turno, destaca áreas prioritárias para sua nova gestão como educação e saúde, bem como ações importantes nas áreas de mobilidade, urbanização, cultura e turismo.

 

PDT – O senhor foi reeleito no primeiro turno com 63,42%, representando uma maioria expressiva sobre seus adversários, algo jamais visto na história de Natal. Como o senhor avalia esse resultado, justamente quando a classe política vive um momento de tamanho desgaste?

 Carlos Eduardo – Acredito que o resultado das urnas reflete a aprovação da nossa administração. Fizemos uma campanha propositiva, sem atacar adversários, e sem promessas mirabolantes ou inexequíveis, e a população entendeu que nesse momento difícil que o país atravessa com recessão e a consequente queda de receitas, é preciso experiência e uma administração austera. Foi isso o que fizemos nos últimos três anos e meio e mostramos que apesar de termos recebido uma prefeitura destroçada, em virtude de uma administração irresponsável, que nos antecedeu e colocou Natal negativamente no noticiário nacional, conseguimos resgatar a cidade e, mesmo com a queda de receitas, temos conseguido fazer muito pela cidade. Ainda há muito por fazer e, com pés no chão, nos propusemos a fazer isso. Seguir em frente, usando a experiência que temos em três mandatos e buscando avançar, sem prometer o impossível. Além disso, temos, e disso me orgulho, uma vida pública limpa, respeitada pela população, sem escândalos e que prima pela seriedade e probidade, daí não termos enfrentado tanto assim o desgaste da classe política.

 

PDT – Quais as suas prioridades para essa nova gestão?

Carlos Eduardo – Como disse na campanha, nossa prioridade é continuar avançando principalmente na Saúde e na Educação. Fizemos muito nessas duas áreas. Em 2015, a Educação ficou com 30% das receitas do município e a Saúde com 26%, portanto, bem acima do limite constitucional. Vamos ampliar a oferta de vagas na educação infantil, concluir e colocar para funcionar a quarta UPA do município e promover o concurso para profissionais da saúde, especialmente médicos. Ainda este ano queremos lançar o edital de licitação dos transportes e dar seguimento às obras de proteção de encosta nas praias centrais da cidade que tem sofrido com o avanço do mar.

 

PDT – Existe alguma obra que o senhor gostaria de destacar que, por razão da crise financeira, não teria sido possível concluir ou realizar, mas que será realizada nessa próxima gestão?

Carlos Eduardo – Sim, eu destacaria, especialmente, as obras do Projeto de Urbanização Integrada do Lagoa Azul, que abrange vários conjuntos da zona Norte de Natal. Colocamos pioneiramente em funcionamento o conceito de urbanização integrada, quando na outra gestão fizemos as obras no bairro de Nossa Senhora da Apresentação e em comunidades carentes como África e Passo da Pátria. Tínhamos já na época o projeto do bairro Lagoa Azul, mas não deu tempo de iniciarmos. Nesta gestão, enfrentamos a crise financeira e tivemos muitas dificuldades em liberar recursos para essa obra junto ao governo federal, o que só aconteceu no primeiro semestre deste ano. Ainda enfrentamos, contudo, entraves de ordem financeira, mas são obras que irão implicar em um importante salto de qualidade na infraestrutura da zona Norte, beneficiando diretamente cerca de 70 mil pessoas residentes nas localidades atendidas.

 

PDT – Para a área da educação, já mencionada pelo senhor como prioritária, há a previsão de avanços?

Carlos Eduardo – Muito investimos em educação já nessa gestão. Construímos 13 CMEIs (Centro Municipal de Educação Infantil) e recuperamos outros 14. Investimos não só em sua estrutura física, mas na estrutura pedagógica, na qualidade da merenda e do fardamento escolar que oferecemos a nossas crianças, na implantação do Passe Livre. Para os próximos quatro anos temos metas a perseguir, entre elas a construção de outros 22 CMEIs, dos quais já demos a ordem de serviço para a construção de três, e mais seis escolas de Ensino Fundamental, ampliando ainda mais a oferta de vagas na rede pública municipal.

 

PDT- E para a área da saúde?

Carlos Eduardo – A saúde é um desafio para todos os gestores públicos. Há um evidente subfinanciamento do setor. O gasto brasileiro com o SUS é de US$ 591 per capita, enquanto na Argentina chega a US$ 1.167. Isso sem falar na injustiça que se comete com os municípios que paulatinamente têm assumido mais e maiores atribuições, sem a efetiva contrapartida dos demais entes da federação. A Constituição obriga os municípios a destinarem 15% das receitas para a saúde, mas em Natal chegamos a 26% no ano passado. Construímos UPAs, implantamos o primeiro hospital municipal, renovamos a frota do SAMU, inauguramos duas maternidades e temos recebido uma contrapartida insuficiente para manter esses serviços, sem falar na grande quantidade de pacientes que vem do interior para serem atendidos na capital, mesmo sem a devida pactuação com o município de origem. Apesar desse quadro, queremos continuar investindo na manutenção e ampliação dos nossos serviços com a ampliação das equipes do Saúde da Família, a construção de nove novas Unidades de Saúde e a conclusão do concurso para a área, além da entrada em funcionamento ainda este ano de mais uma UPA. Enquanto isso, estamos tentando obter na Justiça os repasses devidos de outras esferas de governo dentro da gestão tripartite preceituada pelo SUS.

 

PDT – O trânsito e o transporte público têm sido um dos maiores problemas de gestão nas capitais brasileiras. Como o senhor tem tratado essa questão em Natal?

 Carlos Eduardo – A mobilidade urbana é uma área que nos traz novas demandas todos os dias. A cidade não para de crescer e por sermos a capital recebemos também um fluxo extra de pessoas em nosso trânsito que não residem na cidade, mas que circulam para trabalhar ou para usar os nossos serviços. Mas a nossa gestão está atenta a isso e já estamos pondo em prática algumas ações como a implantação de binários e corredores semiexclusivos para ônibus. O sistema de binários permite que o trânsito tenha maior equilíbrio de fluxo entre as vias da cidade, já os corredores de ônibus proporcionam mais rapidez e conforto no transporte de massa, que deve ser incentivado. Ainda sobre transporte público, podemos acrescentar que até o final da primeira quinzena de novembro deste ano estaremos publicando os editais da licitação do transporte público e bilhetagem eletrônica de Natal, o que trará melhorias significativas e há muito tempo esperadas pelo usuário do transporte público da capital.

 

PDT – Natal é uma cidade turística, nacionalmente conhecida por suas belezas naturais. Como a prefeitura explora esse potencial em prol da cidade e do cidadão?

 Carlos Eduardo – É, de fato Natal é a “Noiva do Sol”, como já dizia Câmara Cascudo. Mas Natal não é só praia e sol. O turismo é nossa principal atividade econômica e merece da Prefeitura a atenção e apoio. Nosso papel é acima de tudo cuidar da cidade, estamos promovendo a proteção costeira da praia e as obras de urbanização da orla, damos uma atenção especial a limpeza e a manutenção da infraestrutura da cidade porque tudo isso resulta em satisfação do turista que nos visita. Além disso, temos trabalhado com eventos que movimentam a economia e atraem os turistas. Os maiores exemplos são o Natal em Natal, uma série de atividades culturais que iniciam em novembro, quando a cidade fica toda iluminada para o final do ano, inclusive a maior e mais bonita árvore de Natal do Brasil, e segue até o réveillon. Também resgatamos o carnaval de Natal, uma tradição que estava esquecida e com isso trouxemos a família natalense de volta para as praças, para os blocos de rua, para assistir aos shows, e com isso trouxemos o turista também. Foram beneficiados o hoteleiro, o dono do restaurante, o taxista, o vendedor ambulante, enfim, toda uma cadeia produtiva. Tivemos uma circulação de pessoas em nossa cidade próxima de 400 mil. Vamos trabalhar para buscar mais parceiros e consolidar os já existentes, para que nos próximos quatro anos o nosso Carnaval Multicultural cresça ainda mais e se consolide como uma festa para o nosso povo, mas que também tenha capacidade de atrair mais visitantes e, quem sabe se consolidar como mais um pólo importante de carnaval no Nordeste.

 

PDT – Natal tem despontado nos meios culturais brasileiros como uma cidade que se interessa e incentiva a produção e a difusão cultural. Qual será a política municipal para o setor no novo mandato?

Carlos Eduardo – Nós decidimos dar um tratamento institucional para a cultura em nossa cidade. Criamos a secretaria Municipal de Cultura e aderimos ao Sistema Nacional de Cultura, com isso passamos a ter uma atuação sem personalismo, através de editais públicos e com a participação da classe, inclusive na formulação do Plano Municipal de Cultura que enviamos à Câmara Municipal e esperamos que seja votado ainda este ano. Nossa proposta é fortalecer o Fundo de Incentivo à Cultura para que possamos com isso firmar parcerias com a classe artística local como já fizemos até aqui. Além disso, temos a Lei municipal de incentivo a Cultura que tem tido crescentes disponibilização de recursos de renúncia fiscal. Claro que com a crise econômica tem sido mais difícil a captação de recursos tanto na esfera pública, através do FIC, como na iniciativa privada com a renúncia fiscal, mas são instrumentos que esperamos possam ser reforçados a partir da retomada da economia. Sem falar, nos eventos de projeção nacional, como citei anteriormente, especialmente o Natal em Natal e o Carnaval.