Movimento Indígena do PDT e FLB-AP repudiam ataque contra etnia Gamela no Maranhão

FLB-AP/Bruno Ribeiro Foto: Amazônia Real/Ana Mendes02/05/2017

O Movimento Indígena do PDT (MoviPDT) e a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) repudiaram o atentado promovido, no último domingo (30), por fazendeiros às aldeias Gamela, que ficam localizadas no povoado das Bahias, no município de Viana (MA). Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o massacre feriu mais de 15 índios, sendo cinco baleados, com dois apresentando graves ferimentos nas mãos, além de 13 feridos a golpes de facão e pauladas.

A área, que conta com fazendas e sítios, é motivo de tensão com ruralistas após as ações de reintegração da posse, desde 2013, de mais 14 mil hectares no interior do estado pelas etnias originárias. A situação segue indefinida pois a Fundação Nacional do Índio (Funai) não avança no processo de demarcação do território, apesar de entidades sociais afirmarem que a concessão já tinha sido sacramentada, desde 1759, pela Coroa portuguesa.

Para o presidente do MoviPDT, Rafael Weree, o cenário mostrou o retorno dos verdadeiros donos que foram expulsos após o avanço da colonização, invasões e grilagem, porém enfrenta o descaso do governo Temer. “Estamos indignados com o ataque aos índios no Maranhão. O governo, como sempre, é omisso. Criou um ministério da Injustiça e conta com um ministro que não faz nada. Só senta com os ruralistas para planejar não só contra os povos indígenas, mas também sobre as minorias de todo o Brasil”, comentou.

 

Ao ratificar o apoio à causa do movimento pedetista, o presidente da FLB-AP, Manoel Dias, ressaltou que o governo precisa promover uma investigação eficaz e rigorosa. “Nós, da Fundação Leonel Brizola, trazemos o mais veemente protesto pela falta de ação do governo na proteção das terras indígenas. O que aconteceu agora, no Maranhão, representa bem como o governo pensa e trata os nossos irmãos índios”, afirmou, ao completar: “É preciso apurar de verdade, e não como as investigações tradicionais, que não dão em nada.”

Histórico

O Cimi relata que não é a primeira ofensiva sofrida pelos índios na região. Em 2015, um ataque a tiros foi realizado contra uma área retomada. Em 26 de agosto de 2016, três homens armados e trajando coletes à prova de bala invadiram outra área e foram expulsos pelos Gamela que mesmo sob a mira de armas de fogo os afastaram da comunidade.