Mídia protege Chevron com cortina de silêncio

Embora a grande mídia praticamente esconda o vazamento de petróleo que está ocorrendo há quase uma semana no campo do Frade, em Campos, operado pela multinacional Chevron, o jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaco.com, do deputado Brizola Neto, revela que o site Skytruth.com, especializado em observação de imagens de satélite, acaba de publicar a seu pedido imagem e uma avaliação sobre a mancha causada pelo vazamento de petróleo do poço da Chevron, no Campo de Frade, ao largo do Rio de Janeiro.

E a conclusão do geógrafo John Amos, um ativista ambiental que mantém o site há dez anos é de que:

“A  imagem de satélite  MODIS / Aqua da NASA, acima, foi tirada há três dias. Ela mostra uma mancha de óleo aparente originária do local de perfuração e que se estende por 2.379 quilômetros quadrados (o extremo sul da mancha fica aprisionado em um redemoinho no sentido horário interessante nas correntes oceânicas). De 1 micron de espessura, representa um volume de 628 mil galões (14.954 barris) de petróleo.

Supondo que o vazamento começou ao meio-dia em 8 de novembro (24 horas antes de termos observá-lo em imagens de satélite), estimamos uma taxa de vazamento de pelo menos 157 mil galões (3.738 barris) por dia. Isso é mais de 10 vezes maior do que a estimativa da Chevron de 330 barris por dia.”

Ou seja, a opinião pública brasileira está sendo “aboiada” pela grande mídia, como se gado fosse, que está escondendo a gravidade da catástrofe ecológica e o próprio assunto, para prestar serviço aos seus patrões multinacionais, grandes anunciantes. Tanto que só ontem, em duas linhas de informação, pela primeira vez, a Rede Globo de Televisão tocou no assunto em seu principal noticiário – o “Jornal Nacional”.

A imprensa brasileira está escondendo esse desastre ecológico provocado pela Chevron porque é parceira dos  poderosos interesses econômicos envolvidos na questão. Os mesmos interesses que a fazem esconder da opinião publica as vantagens da nova lei de petróleo enviada pelo presidente Lula ao Congresso Nacional no final do seu governo; e que ainda está em discussão, que substitui o regime de concessões pelo de partilha – em defesa dos interesses do Brasil.

A nova lei do petróleo que está em discussão no Congresso acaba com o regime de concessões às multinacionais em vigor desde 1997, quando da entrada em vigor da lei de Fernando Henrique que quebrou o monopólio da Petrobras, criado por Vargas em 1954, e abriu nosso subsolo às petrolíferas internacionais através dos leilões entreguistas conduzidos pela Agência Nacional de Petróleo.

Foi desta forma que empresas petrolíferas como a Shell e a Chevron, para citar apenas dois exemplos, se tornaram “donas” de megajazidas brasileiras de petróleo em Campos e no litoral santista pagando por elas, nos leilões da ANP, direitos de exploração que hoje valem trilhões de dólares a preço, não de bananas, mas de automóveis Honda Civic – 80 mil reais ou menos.

A nova lei do petróleo está em discussão no Congresso, mas a mídia não trata do assunto abertamente – prefere criar uma espécie de cortina de fumaça, falando apenas de um detalhe da nova lei, a mudança na questão dos royalties, como este ponto, sim, fosse fundamental para o Brasil. Ela não fala nas concessões e no regime de partilha porque o assunto não interessa as multinacionais que, hoje, operam no Brasil graças ao entreguismo FHC.

A mídia tem preferido dar destaque a discussão sobre com quem fica com os royalties da extração do petróleo  (apenas 10% do valor do total do óleo extraído), sem abordar a questão principal, quem fica com a propriedade do petróleo extraído, exatamente para lançar cortina de fumaça sobre a questão e permitir que a nova Lei de Petróleo,  se possível, seja derrubada nas comissões e no seu andamento no Congresso – por conta da falsa discussão sobre quem fica com os royalties. Uma conversa para boi dormir.

Sonega também à opinião pública que alei original enviada por Lula ao Congresso foi enxertada, a pedido das multinacionais, com quatro emendas que garantem que os royalties que as multinacionais pagarem aos estados e municípios brasileiros – sejam devolvidos em petróleo, as multinacionais que operarem os campos do pré-sal – só para citar uma das aberrações que estão ocorrendo no Congresso e ninguém sabe.  Porque, como advertiram diplomatas americanos flagrados pelo Wileaks, é preciso ter cuidado para não despertar o patriotismo dos brasileiros sobre o assunto petróleo.

A lei de Lula que torna a União, portanto todos os brasileiros, novamente, donos do petróleo extraído do subsolo brasileiro que hoje pertence a quem extraí-lo, além da Petrobras, é assunto que não interessa.  O que vale hoje  é o entendimento – torto – do Supremo Tribunal, por ação do então presidente Nelson Jobim, de que o petróleo brasileiro só pertence à União quando está no subsolo, sem uso. Aflorou a superfície, foi retirado, pertence a quem o extraiu.

Uma excrescência jurídica sacramentada pelo STF com a ajuda de Nelson Jobim e outros entreguistas de toga. É isto que permite é o que permite que a mesma Chevron, que está tentando minimizar o acidente ecológico pelo qual é responsável hoje, já esteja enviando para o exterior, extraído da bacia de Campos, mais de 60 mil barris/dia de petróleo – em troca do irrisório pagamento de 21% do valor desse petróleo, em reais, ao Brasil.  E não é única nessa “sangria” de nosso petróleo, antes monopólio da Petrobras.

Que o acidente provocado pela Chevron sirva para os brasileiros abrirem os olhos sobre o que realmente está acontecendo em relação ao petróleo brasileiro.  É preciso o país decidir sobre questões estratégicas de defesa de seu território, por exemplo, agora que os Estados Unidos decidiram recriar, no Atlântico Sul, a sua IV Frota