Mídia e Chevron estão escondendo gravidade do vazamento de óleo em Campos
Data: 17 de novembro de 2011

A petrolífera Chevron, dos EUA, e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), com a conivência da mídia brasileira,  estão ocultando a gravidade do vazamento de petróleo provocado pelas atividades de exploração e produção da Chevron no campo de Frade, em alto mar, a 370 quilômetros de Campos, no Rio de Janeiro, em conseqüência de uma fenda no leito do Oceano Atlântico que teria entre 180 e 300 metros de extensão – segundo o delegado Fábio Scliar, da Delegacia do Meio Ambiente da Polícia Federal, que abriu inquérito nesta quinta-feira (16/11) para apurar responsabilidades.

O vazamento teria começado no dia8/11, mas só foi confirmado pela ANP anteontem, dia 15/11. Inicialmente a petrolífera norte-americana distribuiu press-release atribuindo o vazamento a “causas naturais”, uma irresponsabilidade, e o localizando entre o campo de Frade e um campo vizinho, operado pela Petrobras – querendo minorar sua responsabilidade no episódio e, se possível,dividi-la com a Petrobras.

 Ela também não divulgou uma foto ou vídeo sequer do local, preferindo distribuir uma única foto de dois navios de apoio tentando conter um ínfimo vazamento com barreiras flutuantes, que pode ter sido tirada em qualquer lugar do planeta.

De acordo com o delegado Scliar, técnicos da Polícia Federal estiveram na plataforma nesta quinta (15/11) para apurar responsabilidades e lá constataram divergências sobre o que foi informado pela Chevron e o que pode realmente estar acontecendo. Lá souberam que há uma fenda no fundo do mar, de 180 a 300 metros de extensão,  por onde saem bolhas de petróleo e constataram que a quantidade de navios que recolhem óleo no local  não bate: a empresa informou que são 17, mas os policiais encontraram apenas um.  O delegado assinalou também que  “eles estão dizendo que a mancha está diminuindo, mas ela está aumentando”.

A Polícia Federal instaurou inquérito e se for comprovada a culpa da Chevron, os operadores da plataforma poderão ser indiciados por crime de poluição, com pena prevista de até três anos de reclusão e multa.  

A informação do policial confirma em parte a constatação feita pelo site especializado em meio ambiente Sky Truth, um dos primeiros a constatar o brutal derramamento de petróleo no Golfo do México da British Petroleum, um dos mais graves já ocorridos na exploração de petróleo em alto mar.  O cálculo do blog SkyTruth, mantido pelo geógrafo John Amos, especializado em interpretação de fotos de satélite, indica que o derramamento pode ser até dez vezes maior e a mancha de óleo teria mais de 200 mil quilômetros quadrados de extensão, e não apenas os cerca de 160 quilômetros quadrados que a Chevron reconhece.

“Assumindo que o derramamento começou ao meio dia de 8 de novembro, 24 horas antes das primeiras imagens de satélite detectarem o vazamento, nós estimamos uma taxa de vazamento de 3,7 mil barris por dia”, avaliou o especialista John Amos.  Este número é dez vezes maior do que a estimativa da Chevron, de apenas 330 barris/dia.

Amos declarou ao jornal “The Washington Post” que o vazamento no Brasil levanta novas questões sobre os riscos da exploração de petróleo em águas profundas. O geógrafo foi um dos primeiros a analisar o tamanho do vazamento no Golfo do México em 2010. Embora seu cálculo não seja oficial, já que foi feito apenas com as fotos da Nasa, mas ele evidencia a falta de transparência de como o caso vem sendo tratado pela ANP.

Segundo a página na internet da revista “Época”, a Chevron acionou o seu Plano de Emergência e é inteiramente responsável pela contenção do vazamento. A principal hipótese para a causa do vazamento levantada pela concessionária é de que uma fratura provocada por procedimento estabilização do poço tenha liberado fluido que está escapando por uma falha geológica.

Essa situação preocupa ambientalistas, que alertam para o risco de morte dos animais.

Segundo a Chevron, a mancha, localizada a cerca de 120 km do litoral de Campos, está se afastando da costa na direção Sudeste, ou seja, em direção ao continente africano. O volume de óleo acumulado na área seria de 521 a 882 barris – até 140 mil litros, segundo a Chevron. De acordo com Aristides Sofiati, da UFF (Universidade Federal Fluminense) em Campos dos Goytacazes, o acidente serve de alerta para os riscos da corrida pelo pré-sal.

O biólogo Mário Moscatelli, do Rio de Janeiro, questiona a falta de informações de órgãos oficiais sobre o acidente. “Apenas a empresa responsável está divulgando as informações sobre o vazamento. É preciso ter o outro lado. Será que o vazamento é mesmo do tamanho que os responsáveis dizem que é? Os técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais) já estiveram no local?”

A Chevron informou que a situação está sob controle e que vai continuar monitorando a região, até a chamada selagem. A empresa assegurou que o trabalho de contenção foi mantido na quarta-feira, apesar do mau tempo que atinge o litoral fluminense.

Mas o professor Sofiati acredita que os reflexos do acidente serão sentidos por muito tempo.

– A área vai ficar marcada, independentemente do sucesso dos trabalhos de limpeza da empresa. Toda a cadeia alimentar está comprometida. Os animais que não morrerem em consequência direta do contato com o óleo, irão morrer de fome ou procurar alimento em outra área, deixando a região morta.

Moscatelli, por sua vez, lembrou que as baleias deverão ser as principais vítimas.

– Elas estão em período de migração para o Sul do país e, se a mancha de óleo estiver no caminho, podem adoecer com o contato ou ficar desorientadas. De qualquer maneira, elas serão afetadas.

Caso não seja identificado o culpado pelo vazamento, é possível indiciar uma equipe ou até mesmo a empresa, explicou o delegado Scliar, da Polícia Federal. Ele também  afirmou que ainda não há previsão para os términos da investigação porque há muitas pessoas para serem ouvidas. Procurada, a Chevron disse que têm cooperado com todas as informações solicitadas por todos os órgãos e entidades representativas do governo.

Na quinta-feira (10), a petroleira anunciou a suspensão temporária das atividades de perfuração no campo de Frade. O derramamento, segundo a companhia, não afetou a produção, que foi mantida. A empresa garante que o monitoramento indica uma significativa redução na quantidade de óleo vindo do vazamento no leito do oceano.

“Nos próximos dias, a empresa seguirá monitorando a situação durante o processo de selamento e abandono do poço, o que terminará na cimentação do mesmo”, afirma a Chevron, na nota.

Já o deputado federal Brizola Neto usou o seu blog para lançar várias perguntas para a petrolífera Chevron-Texaco sobre o vazamento de óleo de um de seus poços na Bacia de Campos, Rio de Janeiro. Eis algumas delas: 

A que profundidade (na lâmina d´água e no solo marinho) estava sendo feita a perfuração próxima ao vazamento? Esta perfuração já tinha registrado depósitos  de óleo? A que profundidade? Em caso positivo, houve injeção de fluidos pressurizados para testes de vazão?

Tem mais

Até que profundidade o poço seria perfurado? A perfuração era revestida e cimentada, como prevê o estudo de impacto ambiental apresentado pela companhia em seu plano de exploração? E também:

O mesmo estudo, elaborado pela consultoria Ecologus, refere-se à presença de muitas falhas geológicas no campo de Frade, inclusive ao fato de três poços perfurados pela Chevron-Texaco terem sofrido desvios por conta de existência de fraturas no subsolo. Havia falhas geológicas detectadas junto a este poço nos estudos sísmicos efetuados?

E por fim: o deputado e o Brasil querem saber: a frota alegadamente enviada para deter o vazamento é composta de que embarcações? Qual a sua finalidade, apenas espalhar boias de retenção? Aspergir diluidores sobre a mancha? Alguma delas tem equipamento para selar a fenda de onde brotaria o óleo? Em caso negativo, como a empresa espera que o vazamento cesse? Se ele pode parar naturalmente, isso tem relação com a paralisação dos trabalhos de perfuração?

Só que o que se viu até agora, desde o início do vazamento de óleo, o que menos a Chevron faz, na prática, é abrir o jogo e dar 

por Osvaldo Maneschy


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