Memória de Jango é exaltada no 31º ano de sua morte no exílio

    

Os 31 anos da morte no exílio do presidente João Goulart foram lembrados nesta quinta-feira (6/12) em vários pontos do país – dentre eles, o plenário do Congresso Nacional, onde discursou o deputado Barbosa Neto (PDT-PR) e a Igreja de São José, no Centro do Rio de Janeiro, onde Frei Milton Campos rezou missa para a viúva, filhos e netos do presidente deposto – Maria Thereza, João Vicente e Denise – além de amigos e ex-colaboradores.

 

Encomendada pelo PDT-RJ e pelo ex-assessor do Presidente Jango, Danilo Groff, a missa contou com a presença de militantes e dirigentes do PDT, entre eles o deputado Paulo Ramos, a Tesoureira Elma Cerqueira La Fuente e as presidentes do MAPI, Maria José Latgé e do Movimento Negro, Edialeda Salgado do Nascimento. Os ex-deputados Vivaldo Barbosa e Clemir Ramos também estiveram presentes.

 

Na pregação, Frei Milton Campos falou do trabalhismo, de Vargas, Darcy Ribeiro, Brizola e da atualidade das idéias do presidente João Goulart. Ele frisou: “Nada melhor do que estar na casa de São José, um santo operário, para homenagear o presidente João Belchior Marques Goulart no 31º aniversário de sua morte”.

 

Também leu trecho do discurso de Jango no dia 15 de março de 1964 para exemplificar a atualidade de suas idéias: “O Brasil dos nossos dias não admite que se prolongue o doloroso processo de espoliação que, durante mais de quatro séculos, reduziu e condenou milhões de brasileiros a condições sub-humanas de existência”.

 

Frei Milton Campos fez uma comparação dos homens públicos de antigamente e os de hoje que, em sua maioria, na opinião dele, não estão preocupados com o bem público. “A injustiça dos pobres clama aos céus e isto não ficará sem resposta porque o grito dos oprimidos atinge o céu”, afirmou, assinalando que este fato está previsto na Bíblia e não é invenção sua.

 

Segundo o padre, nunca os grupos financeiros foram tão fortes e poderosos na vida brasileira como são hoje, tão fortes que nem precisam de ordem judicial para mexer nas contas dos cidadãos comuns. Preocupado com o futuro, ele desejou “que nossos heróis trabalhistas nos inspirem e nos ajudem para não deixar morrer a chama da luta contra as injustiças sociais”.

 

Já o deputado Barbosa Neto, em Brasília, lembrou em discurso no plenário da Câmara que “João Goulart foi ministro do Trabalho e herdeiro político do presidente Vargas, representando com brilhantismo toda uma geração de políticos que contou também com brasileiros do porte de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Alberto Pasqualini e tantos outros valorosos exemplos de homens públicos que marcaram época em defesa de nosso país e dos brasileiros”.

 

Barbosa Neto, que é vice-líder da bancada, pediu também a transcrição nos anais da casa do texto subscrito por Cibilis Viana, testemunha ocular da história que integra o Diretório Nacional do PDT.


Ao finalizar, Barbosa Neto também prestou homenagem à família do presidente João Goulart, mencionando Maria Thereza e seus filhos, Denise e João Vicente: “Na condição de vice-líder desta Casa, estendemos nossas saudações a todos os demais descendentes e amigos do trabalhismo de Getúlio, Jango e Brizola que por este imenso Brasil haverão de concretizar as justas homenagens do Partido Democrático Trabalhista”.

 

No dia anterior (quarta-feira, 5/12) o parlamentar também discursou para cerca de 50 mil trabalhadores reunidos na capital federal pelas centrais sindicais, quando recordou “da inesquecível folha de serviços que foram prestados por Jango em defesa dos direitos do Brasil e de seu povo”.