Maria João: Carta do quase exílio

    

Prezados Companheiros da Rede PDT:

 

Depois de ler o artigo do colunista Luís Nassif “A maldição da Varig”, fica mais uma vez explícito que o que quiseram foi acabar com a Varig para alguns se darem bem. Nisso tudo, os únicos a sofrerem foram os seus funcionários, que durante tantos anos levaram a Varig a ser considerada uma empresa por “excelência”.

 

Fui funcionária da Varig por quase 25 anos, desses 22 no vôo como comissária de bordo. Fui demitida no dia 2 de Agosto de 2006, por um telegrama, sem receber o que me era de direito pela CLT, mas mesmo assim  continuando a lutar por nossos direitos (CPIs, manifestações e  apontando os irresponsáveis,etc.) Não consegui emprego, porque os cidadãos que ousam lutar no Brasil pelos seus direitos entram numa lista negra.

 

O que nos sobra? Sair, do país. Com isso quem sofre é a família e o país, que perde mão de obra capacitada. Eu hoje estou fora cumprindo um contrato de trabalho em Cabo Verde na Ilha do Sal, dando instrução para comissárias, pois no estrangeiro ainda sabem a escola que tivemos, a Varig. Mas o filho ficou sem uma mãe por perto em uma idade em que ela faz falta. Será que o meu filho um dia vai quer lutar por seus direitos como brasileiro que é? Espero que sim, só eles um dia poderão mudar.

 

As crianças são a esperança do Brasil – A Constituição Brasileira e a CLT têm que ser respeitadas e nós brasileiros devemos ter o direito de fazê-la cumprir, nós me incluo porque já faz 23 anos que voto, não obrigada como todos os brasileiros, mas por achar que todo o cidadão deve votar com a consciência de fazer o melhor, visto que sou estrangeira de nascimento.

 

Aproveito para agradecer ao PDT, a parlamentares e companheiros que foram até hoje amigos do Brasil, e brasileiros pela causa que abraçaram.

 

Saudações trabalhistas!

 

Maria João Matos, Cabo Verde, Ilha do Sal