Dilma: ‘Mantenham-se mobilizados pela democracia’

OM - Blog do Planalto / midia

A presidente Dilma Rousseff, no discurso que fez ao sair do Palácio do Planalto pela manhã pediu ao povo para se manter mobilizado em defesa da democracia. “Mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar. É luta permanente  e nós vamos vencer”, afirmou.

Ela também  classificou o processo de impeachment que o Senado abriu contra ela como uma “grande injustiça” no pronunciamento que fez em frente ao Planalto, de onde saiu pela porta da frente – e fez questão de cumprimentar a multidão que se reuniu no local para saudá-la.

Ao falar do impedimento ela relacionou o acontecimento com outras passagens de sua vida, como quando teve de lutar contra o câncer e a ditadura. Ela frisou  que a vida sempre reservou grandes desafios para ela e que continuará lutando “com todos os meios legais”.

“O destino sempre me reservou muitos desafios, muitos e grandes desafios. Alguns pareciam intransponíveis, mas eu consegui vencê-los”, afirmou a presidenta. “O que mais dói, neste momento, é a injustiça (…) é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política. Mas não esmoreço”, disse. “Aos brasileiros que se opõem ao golpe, independentemente de posições partidárias, faço um chamado: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar”.

Dilma afirmou que foi vítima de uma “intensa e incessante” sabotagem desde o início de seu segundo mandato, com o objetivo de criar um ambiente propício para o golpe, e classificou o impeachment como uma farsa jurídica.

Ela disse ainda que não cometeu qualquer crime de responsabilidade. “Esta farsa jurídica deve-se ao fato de que eu, como presidenta, nunca aceitei e nem aceitarei chantagem de qualquer natureza”.

Ela admitiu ter cometido erros e disse que, no entanto, que eles não são motivos para a abertura do processo.

“Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Estou sendo julgada injustamente por ter feito tudo o que a lei me autorizava a fazer.Os atos que pratiquei foram legais, corretos, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam”.

Antes de deixar o Palácio, Dilma disse que o fato de o próximo governo não ter sido eleito é um potencial risco para fazer com que a crise aumente no País, e acrescentou que o golpe não é contra seu mandato, e sim contra as conquistas sociais dos 13 anos de seu governo e do ex-presidente Lula.

“O meu Governo jamais reprimiu movimentos sociais, o meu Governo jamais reprimiu manifestações políticas, mesmo as que eram contra mim, o que é o risco que corremos agora”, disse Dilma Rousseff à população que a aguardava no exterior do Palácio do Planalto, em Brasília, depois de ter sido formalmente informada da suspensão do seu mandato.

“O que faz um governo ilegítimo diante de protestos, diante da divergência, diante de movimentos contrários? Sabem o que faz? Governos assim caem na tentação de reprimir os protestos, de reprimir as reivindicações”, sublinhou.

Dilma deixou o Palácio do Planalto acompanhada do ex-presidente Lula da Silva, ex-ministros e auxiliares diretos.

“Hoje para mim é um dia muito triste, mas vocês conseguem fazer com que a tristeza e que eu tenha que, junto com vocês, com o calor, a energia e o carinho que vocês me passam, eu tenha aqui um momento de alegria”, agradeceu.

Para Dilma Rousseff “traição e injustiça são talvez as mais terríveis palavras que recaem sobre uma pessoa”, e continuou: “este momento que nós estamos vivendo é um momento em que as forças da injustiça e da traição estão soltas por aí”, dirigindo-se diretamente a Temer e vários ex-ministros seus que votaram a favor do seu afastamento.

EQUIPE PESSOAL

O ‘Diário Oficial’ da União de ontem trouxe a nomeação da equipe que a acompanhará  no Palácio do Alvorada, que continuará sendo sua residência oficial, até a conclusão do processo.

Dilma permanecerá afastada da presidência por até 180 dias para se defender das acusações de crime de responsabilidade fiscal. Durante o afastamento, o Senado vai elaborar um novo parecer, com a ajuda de um ministro do Supremo Tribunal Federal,  sobre as denúncias contra a petista, debater o documento e votá-lo.

Ex-assessor especial de Dilma, Giles Azevedo foi exonerado da função para assumir a secretaria executiva do Gabinete Pessoal da presidenta. Sob seu comando estarão os 14 assessores especiais nomeados hoje (12) para auxiliar Dilma a montar sua defesa.

Sandra Márcia Chagas Brandão exercerá o cargo de chefe do gabinete adjunto de Gestão e Atendimento, no qual será assessorada por Cleonice Maria Campos Dorneles, também nomeada hoje.

A equipe também será integrada pelo ex-subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Jorge Rodrigo Araújo Messias, pelo jornalista Olímpio Antônio Brasil Cruz e pelo fotógrafo Ricardo Stuckert Filho.

Os outros assessores especiais nomeados são Daisy Aparecida Barretta, Elisa Smaneoto, Mario Marona e Paula Zagotta de Oliveira.

Katia Amorim Soares Lima ocupará o cargo de assistente no gabinete adjunto, no qual também estarão lotados Maria de Fátima Gouveia Maciel, Telma Rejane Lima Lopes, Michelle Ikeda Constantino da Silva e Wagner Caetano.