Brasil vai às ruas contra Michel Temer e mídia esconde o fato

OM - Ascom PDT / midia

A primeira manifestação de caráter nacional contra o governo do presidente em exercício Michel Temer foi realizada nesta sexta-feira (10/6) em pelo menos 24 Estados e no Distrito Federal por dezenas de organizações ligadas aos movimentos sociais, insatisfeitos com as primeiras medidas do vice-presidente Michel Temer e seu governo interino. As principais bandeiras dos protestos foram  “Fora Temer”, “Não ao golpe” e “Nenhum Direito a menos” e a maior de todas as manifestações, todas elas ignoradas e escondidas da opinião pública pela mídia, foi a que aconteceu na Avenida Paulista, em São Paulo, como registra a foto aérea de Igor Aronovich.

Refugiado em gabinetes, o presidente interino até agora ainda não teve nenhuma agenda pública, temendo riscos de vaias e escrachos; durante esse tempo, ele já desistiu de ir ao enterro de Cauby Peixoto, de inaugurar o VLT do Rio e de ir ao Nordeste. Além disso, fechou a rua da  casa onde mora em São Paulo. Enquanto isso, protestos contra o peemedebista se multiplicaram no país, chegando ao ápice nesta sexta-feira  quando manifestações pedindo “Fora Temer” ocorreram em 24 Estados e no Distrito Federal, como registrou o blog 247 e uns poucos veículos de comunicação.

Em São Paulo,  o discurso feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o ponto alto da manifestação onde cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores do ato, se concentraram ao longo de no mínimo quatro quarteirões fechados nos dois sentidos e tomados pelos manifestantes. Criminosamente os principais veículos de comunicação do país, deixando a claro o seu parcialismo ao não informar corretamente a população, ignoraram as manifestações contrárias ao governo que apoiam.

Na Avenida Paulista, Lula iniciou seu discurso fazendo críticas à extinção dos ministérios no governo interino de Temer. “Se a solução desse país fosse diminuir ministério, era melhor tirar o da Fazenda e o do Planejamento e deixar o dos pobres, o que cuida das pessoas”, disse o ex-presidente, emendando ataques ao atual ministro das Relações Exteriores, senador José Serra (PSDB-SP). Com Serra, disse Lula, o Brasil voltou a sofrer do “complexo de vira-lata”. “A gente voltou a ser serviçal”, afirmou o petista.

Lula classificou o afastamento da presidente Dilma Rousseff como um ato de “desfaçatez” do Congresso Nacional. “Deram um golpe na Dilma, mas só o povo que a elegeu é quem tinha o direito de tirá-la, e não os deputados”.

Veja a íntegra do discurso de Lula:

 Além dos movimentos sociais, participaram também representantes dos estudantes e da classe artística. As mensagens em faixas e cartazes pediam o retorno da presidente afastada Dilma Rousseff, a saída de Temer e também do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Já sobre a proposta de consulta popular para convocar novas eleições caso o Senado não aprove o impeachment de Dilma, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, afirmou que o coletivo não fechou questão sobre o tema.

foratemer3boa“O MTST está discutindo isso internamente. Ainda não tomamos decisão”, disse.

Para Boulos, o governo atual representa um retrocesso no país.

“É preciso entender a gravidade do momento que estamos vivendo. Está em curso no país um duplo golpe. Há um golpe por existir um presidente que não foi eleito por ninguém, que foi eleito por uma forma indireta, por um Parlamento desacreditado na sociedade, mas também é um golpe contra os direitos sociais. Estão querendo aplicar um programa que também não foi eleito por ninguém e que é um programa de retrocessos”, destacou.

POSIÇÃO DA CUT

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, em coletiva no local da manifestação pouco antes do seu início, frisou:

“O mais importante para os movimentos sociais aqui é impedir o impeachment, impedir o golpe”.

Acrescentou que pode haver greve geral caso reforma seja aprovada. “Se passar a pauta conservadora e a reforma da Previdência e trabalhista, vamos organizar a maior greve geral que esse País já viu”, ressaltou Freitas.

“Esse desgoverno, em um mês, causou mais transtorno para a classe trabalhadora do que podíamos imaginar. Não aceitaremos nenhuma mudança na Previdência que não seja discutida no foro dos trabalhadores e que apresente retirada de direitos. Não aceitamos idade mínima, não aceitamos igualar homens e mulheres e não aceitamos a ideia de acabar com o Ministério da Previdência”, concluiu.

SAO PAULO 10-06-2016  ATO FORA TEMER  MICHEL TEMER NACIONAL Manifestantes ligados à diversos movimentos sociais, culturais e centrais sindicais participam do ato 'Fora Temer, Não ao Golpe, Nenhum Direito a Menos!', na Avenida Paulista, centro de São Paulo, nesta sexta-feira. O protesto faz parte da mobilização nacional contra o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB). FOTO DANIEL TEIXEIRA / ESTADAO
Milhares de pessoas participaram do ato na Paulista

A presidente da UNE, Carina Vital, afirmou por sua vez no ato em São Paulo: 

“A manifestação teve como mote o Fora Temer porque entendemos que este é um governo ilegítimo. Não o reconhecemos principalmente porque ele é um governo de ataque aos movimentos sociais e ataque aos direitos sociais, além da criminalização dos movimentos sociais e a favor da repressão”.

No Rio de Janeiro, os manifestantes fizeram uma marcha que saiu da Candelária, no centro, e terminou nas escadarias da Câmara Municipal, com discursos e com milhares de pessoas presentes cantando uma adaptação de música que tinha por refrão principal “Fora Temer”.

No Sul, o frio de 9º C não impediu que cerca de mil manifestantes, segundo a Brigada Militar, protestassem contra o governo interino no centro de Porto Alegre. No Nordeste, o ex-ministro de Dilma Jaques Wagner (Casa Civil) e o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli participaram do ato que terminou na praça Castro Alves, em Salvador.

Em Teresina, os manifestantes se misturaram às pessoas que acompanhavam a tocha olímpica, tentando apagá-la, sob o grito de “Fora Temer” e “Por novas eleições”.

Manifestantes realizaram atos contra o presidente em exercício Michel Temer em 24 estados e no Distrito Federal ao longo desta sexta-feira (10). Atos ocorreram em Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.

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Palanque principal da Avenida Paulista, visto de cima.

Em Palmas, no Tocantins, protesto em frente à sede da TV Anhanguera deixou três feridos. Em Fortaleza, no Ceará, manifestantes entraram na recepção da TV Verdes Mares, afiliada da Globo, e gritaram palavras de ordem contra a emissora.