Lula, Obama e o pré-sal

Lula vai ter seu primeiro encontro com Barack Obama neste sábado, 14/3, na Casa Branca. O tema principal desse encontro, apesar das evasivas, vai ser o petróleo e gás. Esperamos que Lula defenda nossos interesses com altivez.

 

A Petrobrás, de forma pioneira, descobriu petróleo e gás em território brasileiro na camada conhecida como pré-sal, na ordem de 100 a 300 bilhões de barris. Esses são os números anunciados por Sergio Gabrielli, o presidente da estatal, de forma oficiosa internamente na companhia. Para reforçar esta informação, um dos mais antigos e importantes geólogos da Petrobrás , Celso Fernando Lucchesi, há cerca de um ano, já falava aos sindicalistas petroleiros nesses números.

 

Com essas reservas se confirmando, poderíamos até passar do 16º ao primeiro lugar no ranking mundial ultrapassando a Arábia Saudita que possui 261,8 bilhões de barris, lembrando que a Venezuela possui 77,7 bilhões de barris sendo a sexta colocada. Esses números colocam a Petrobrás como a mais importante petroleira do planeta.

 

Esse status não vem por acaso. A Petrobras desenvolveu, durante décadas, técnicas de custo altíssimo na prospecção de hidrocarboneto no mar e foi a primeira do mundo a atingir a região conhecida como o pré-sal. No momento em que as reservas mundiais de petróleo e gás estão em declínio e sem anúncios de novas descobertas, a Petrobrás consegue esse desempenho.

 

As reservas do pré-sal, mesmo considerando o preço internacional do barril a 40 dólares, o que os analistas consideram artificial, envolvem alguns trilhões de dólares. Esse petróleo é suficiente para estabelecer serviços públicos de qualidade para todos os brasileiros na área de saúde, educação e segurança pública.

 

Poderemos multiplicar o orçamento dessas áreas. Criar empregos de qualidade, fazer a reforma agrária, acabar com o déficit de moradias populares hoje em torno de sete milhões de unidades. Podemos também estender os royalties para todos os municípios brasileiros para melhorar a qualidade de vida de nosso povo.

 

Além disso, com o dinheiro gerado no pré-sal, investir em energias alternativas para combater o aquecimento global, diminuindo o uso do petróleo como combustível e investindo na indústria petroquímica que é muito mais lucrativa. Tudo isso sem abrir mão dessas reservas de petróleo e gás que além de estratégicas, pertencem aos brasileiros, às atuais e futuras gerações.

 

Também não precisamos ter pressa para produzir já que somos auto-suficientes na produção e a matriz energética mundial vai continuar a ser o petróleo pelo menos nos próximos cinqüenta anos. Agora o que Lula não pode fazer é, o que já se fala nos bastidores, alegando efeitos da crise financeira internacional, entregar o pré-sal aos EUA através de contratos de concessão para produção.

A principal motivação dessa proposta é que a Petrobrás não teria como financiar os investimentos necessários. Uma grande balela! Se a empresa teve dinheiro e ousadia para desenvolver tecnologia para descobrir o pré-sal, como admitir que não teria dinheiro para financiar a produção desse mesmo petróleo?

 

Uma decisão dessas acabaria com a crise nos EUA, já que os americanos consomem cerca de 25% da energia produzida no mundo o que inclui 20 milhões de barris de petróleo por dia. Até guerra financiam para sustentar essa demanda interna. O petróleo brasileiro seria a solução dos problemas deles.

 

Não podemos entregar o nosso ouro negro aos bandidos, como no passado fizemos com o ouro metal. E conseqüentemente continuarmos a ser uma nação em desenvolvimento. Preocupados com isso, brasileiros que constituem o Fórum Nacional Contra a Privatização de Nosso Petróleo e Gás estão discutindo a criação do prêmio Tiradentes, patrono de nossa independência. Essa reverência será entregue em alto estilo às personalidades que mais se destacarem na geopolítica do petróleo. Além do prêmio Joaquim Silvério dos Reis, àqueles que traem os interesses do nosso povo.

 

O que os brasileiros não podem fazer é se calarem diante da ameaça de entrega de nosso ouro negro. Ainda mais depois de toda luta do povo nas décadas de 40 e 50 no movimento “O petróleo é nosso!”. Uma batalha longa e dura, que resultou na Petrobrás e instituiu o extinto monopólio estatal do petróleo. Ambos foram a base fundamental para a evolução da indústria petrolífera nacional!

 

(*) Emanuel Cancella é Secretário Geral do Sindipetro-RJ, técnico da Petrobrás, funcionário há 34 anos, advogado e também ex-diretor sindical e nacional do Dieese.