Jango ganhará memorial em Brasília em 2009

 Quarenta e cinco anos depois de se tornar o primeiro (e único) presidente da República a morrer no exílio, João Belchior Marques Goulart (1919-1976), o Jango, vai ter os restos mortais retirados do Rio Grande do Sul e levados para Brasília, cidade que, como vice-presidente, ajudou Juscelino Kubitschek (JK) a construir na década de 1950.

Em uma operação inédita na história política recente do país, o corpo do ex-presidente brasileiro será transportado da cidade gaúcha de São Borja, onde Jango nasceu e está sepultado, para ser depositado em um memorial na Capital Federal. Ali, na obra concebida pelo arquiteto Oscar Niemeyer, 99 anos, cujo projeto o DC teve acesso com exclusividade, Jango será recebido com todas as honras de chefe de Estado que a ditadura nunca permitiu.

Considerado um dos mais renomados arquitetos do mundo, Niemeyer planejou uma cúpula ao estilo do Congresso Nacional, cercada por um espelho dágua e atingida por uma grande flecha vermelha que traz a inscrição 1964, ano do golpe que tirou Jango do poder e mergulhou o país em duas décadas de ditadura.

A previsão de inauguração é agosto de 2009. O terreno para construção já está garantido, através de uma doação feita pelo ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e referendada pelo atual, José Roberto Arruda. A área fica em frente ao Memorial JK, no entorno da Praça dos Três Poderes, coração de Brasília.
– Nosso objetivo é fazer, principalmente para as novas gerações, um grande resgate das lutas sociais e da figura de Jango, de um estadista que sempre renunciou aos próprios objetivos em defesa da pacificação do Brasil, sua maior preocupação, sempre – afirmou João Vicente Fontella Goulart, filho do ex-presidente e idealizador do Instituto Presidente Goulart (IPG), criado em 2004.

Além de promover o resgate da memória do ex-presidente, o IPG, cujo conselho é composto por 17 senadores de vários partidos, também pretende recolocar na pauta nacional todas as suas bandeiras, reunidas no historicamente conhecido Programa de Reformas de Base.

Instituto vai firmar convênio com universidades brasileiras

Recém-chegado de Cuba, onde foi visitar o filho que cursa Medicina, João Vicente contou, com um misto de tristeza e inquietação, que o pai é mais conhecido no país de Fidel Castro do que no Brasil, realidade que ele deseja ver mudada. Para isso, além da construção do Memorial, o IPG também vai firmar convênios com universidades brasileiras. O objetivo é levar às salas de aula a discussão sobre o período histórico mais conturbado do país e os ideais do ex-presidente. Para que a obra saia do papel são necessários R$ 5 milhões. Uma parte deste valor já foi angariada. O governo federal, por meio da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), está apoiando a captação do restante, salientou João Vicente. 

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