Jackson Lago afirma em entrevista que quer ser útil a São Luís

Entrevista Exclusiva – Jackson Lago

GOVERNADOR JACKSON AFIRMA: ‘Quero sempre ser útil a São Luís’

Por conta da passagem do aniversário de 395 anos de fundação de São Luís, comemorado ontem, o governador Jackson Lago (PDT) concedeu uma longa entrevista ao Jornal Pequeno, na qual ele fala de sua relação com a cidade, como entrou para a política, da experiência de ter sido por três vezes prefeito e do que pretende fazer como chefe do Executivo estadual para ajudar a administração do prefeito Tadeu Palácio.

Sobre o período em que foi prefeito, Jackson disse que “o mais gratificante foi ter restabelecido a confiança da população no serviço público”.

O governador contou que já assinou convênios com a Prefeitura da capital, nas áreas de infra-estrutura e para recuperar a Barragem do Bacanga, mas que pretende intensificar a parceria. “A contribuição maior que daremos a São Luís, na área da saúde, será fazermos no interior do Estado, como estamos fazendo, grandes unidades de saúde, com capacidade resolutiva igual à dos Socorrões da capital, para acabar com a procissão de ambulâncias para São Luís e Teresina”.


Para o governador, “essa cidade, de aspecto melhor e com melhor visual e a auto-estima crescente de sua população, muito se deve ao crescimento do setor educacional”.

A seguir os principais trechos da entrevista, na qual Jackson fala ainda das obras que vem realizando no interior, como estradas e escolas, e reafirma que como governador quer continuar sendo “útil a São Luís”.

JORNAL PEQUENO – Como nasceu essa relação do senhor, que é pedreirense, com São Luís?

GOVERNADOR JACKSON LAGO – Nasci em Pedreiras, mas vim para São Luís com dez anos de idade, onde passei parte da minha infância, a adolescência e a juventude. Depois saí para me formar e fazer pós-graduação, e voltei para exercer minha profissão de médico. Foi aí que começou a minha relação profissional com a cidade. Num grande desafio e muita determinação, implantei a cirurgia torácica aqui, quando ela não existia no Maranhão, Piauí, Ceará e Pará. A profissão de médico nos aproxima da realidade, sobretudo da dureza da realidade. Como médico do Inamps, do Hospital Geral e do Sanatório de Tuberculose comecei a conviver com essa realidade e fui me integrando cada vez mais com a população e com a vida da cidade. Quando me dei conta a população já tinha me colocado como seu representante na Assembléia, aqui tive quase todos os votos necessários para ser deputado.

JP – Qual o momento que poderia destacar como o mais importante que o senhor teve à frente da Prefeitura?

GOVERNADOR – O momento de muita alegria foi quando concluímos o nosso primeiro mandato e entregamos a prefeitura para a nossa sucessora. Naquele momento, com aprovação da população, elegemos quem indicamos. Foi um momento de alegria e realização pessoal. Sentimos que é possível aplicar o dinheiro público e exercer o poder público com correção e seriedade, e continuar a nossa vida exatamente como era antes: nosso patrimônio era o mesmo, aliás, é o mesmo com os três mandatos de prefeito e vai ser o mesmo quando terminar o mandato de governador. Minha alegria foi constatar que é possível dar respostas a muitos problemas, a população compreendeu isso, tanto que nosso partido tem recebido um sim dela de 88 para cá, em todas as cinco eleições municipais o nosso partido teve a aprovação popular.

JP – Quais as áreas o senhor priorizava quando foi prefeito?

GOVERNADOR – Quando fui chamado para a vida pública pela população de São Luís, passei a dar prioridade aos bairros, áreas periféricas e zona rural, pelas carências. Para se ter idéia, no primeiro ano do primeiro mandato, do investimento que fizemos em infra-estrutura, 86 por cento foram na periferia, porque lá não tinha drenagem, calçamento. Aquela São Luís, que não está tão distante assim, está muito deferente hoje. O bairro do Calhau, por exemplo, não tinha calçamento, eram belas casas, o bairro bem desenhado, mas com ruas de areia. Nós asfaltamos o Calhau ao mesmo momento em que asfaltávamos o Anjo da Guarda, um bairro considerado pobre e outro rico.

JP – O senhor como prefeito também construiu o Residencial Ana Jansen, retirando pessoas de palafitas e as levou para casas em terra firma, e agora como governador está à frente de um grande projeto de saneamento na margem do Rio Anil. Quais são as semelhanças entre os dois?

GOVERNADOR – Quando estávamos na prefeitura fizemos com recursos do município o Residencial Ana Jansen, que acomodou 256 famílias em terra firme e área nobre, o que desgostou muitos poderosos. A Ilhinha, que é perto do residencial, nessa época era um alagado, só lama. Lá substituímos 300 e tantos barracos por casas de alvenaria e com isso fizemos em torno de 30 ruas, reurbanizando totalmente o bairro. Perto de lá tem ainda o Basa, um bairro de classe média, que foi também asfaltado juntamente com a própria Ilhinha. O asfalto cortou toda Ilhinha enquanto seguimos com o asfaltamento do Basa, sem discriminação, fazendo a integração entre os dois bairros. No Irmãos Coragem fizemos também uma coisa fantástica, uma grande drenagem, substituindo muitas palafitas. Como prefeito fizemos cerca de três mil casas.

JP – Qual a diferença daquele projeto para o de agora?

GOVERNADOR – A diferença é que só na margem esquerda do rio Anil existem 3,5 mil palafitas e outros milhares de barracos. Naquela região toda, vamos construir 12 mil casas novas. Vamos conquistar grandes áreas ao mar e fazer uma avenida margeando, o que vai se construir num novo anel viário, terminando na antiga rodoviária da Alemanha. Serão casas de dois andares e com escadas laterais para permitir total independência das famílias. O projeto vai mudar totalmente a qualidade de vida de milhares de pessoas na região, uma vez que oito bairros serão beneficiados. Já assinamos o convênio com o Governo Federal, através do PAC, mas uma obra dessa dimensão precisa de projeto executivo, que já está bem adiantado. Quando ele terminar, vai ser feita a concorrência e as obras propriamente ditas começarão no próximo ano e durarão de três a quatro anos.

JP – Quais convênios foram assinados pelo Governo com a Prefeitura de São Luís?

GOVERNADOR – Primeiro, fizemos dezenas de convênios com municípios de diferentes regiões do Estado. Agora assinamos convênios com a Prefeitura de São Luís, que tornarão possível a drenagem e asfaltamento de cerca de 400 ruas e avenidas de dezenas de bairros de nossa capital. Um desses convênios é muito especial, porque vai permitir a recuperação total da Barragem do Bacanga. Já fizemos uma obra emergencial lá, substituindo seis pequenas guilhotinas e uma grande comporta, mas as outras comportas precisam ser trocadas. A Prefeitura tem um projeto para isso, com apoio do Banco Mundial, e o convênio é para que tenha condição de fazer a recuperação total da barragem. Esses convênios nos dão motivo de alegria para continuarmos sendo útil à brava Ilha Rebelde.

JP – Essa parceria vai se estender para outras áreas?

GOVERNADOR – A parceria será levada para outras áreas, mas já atinge os setores da educação e saúde. Iremos repassando mais escolas do ensino fundamental para o município e fazer novas parcerias para a conclusão de escolas, uma vez quando saímos da Prefeitura havia 20 e poucos colégios em construção. Vários foram concluídos pelo prefeito Tadeu Palácio, mas muitos ainda estão para ser finalizados, para que possam abrigar alunos do ensino fundamental e alunos do nível médio do Estado. Já demos os primeiros passos no sentido de destinar as áreas para a construção dos Socorrinhos, uma delas no São Francisco, e vamos apoiar o projeto de várias formas.

JP – O senhor como prefeito teve como marca investir em saúde. Como encontrou a área e o que pretende fazer no interior para desafogar os hospitais da capital?

GOVERNADOR – A contribuição maior que daremos a São Luís na área da saúde, além de ajudar com convênios para as unidades de saúde do município, será fazermos no interior grandes unidades de saúde, com capacidade resolutiva igual à dos Socorrões da capital. Já estamos adaptando o prédio do primeiro Socorrão no interior, em Presidente Dutra, para funcionar no início do próximo ano, quando queremos iniciar também a construção dos outros quatro. Um será em Pinheiro, na Baixada, outro em Pedreiras, no Médio Mearim, um em Balsas, Sul do Estado, e o último em Imperatriz, na região tocantina. Na medida em que eles funcionarem com alto poder de resolutividade sem dúvida São Luís vai ficar muito aliviada da sobrecarga atual, e se livrará da procissão de ambulâncias.

JP – Quando o senhor deixou a Prefeitura, os colégios do município tinham cerca de 80 mil alunos matriculados. Como vê a responsabilidade de levar esse modelo que implantou em São Luís para o restante do Estado?

GOVERNADOR – Quando assumimos só encontramos 16 mil alunos matriculados, em janeiro de 89, em escolinhas de péssima qualidade, com professorado desestimulado e baixos salários. Fomos trabalhando e deixamos o primeiro mandato já com 46 mil alunos, criando mais 30 mil vagas. No segundo mandato, subiram para 79 mil alunos. No começo do terceiro mandato, que exercemos por um ano e três meses, deixamos quase 30 escolas em construção. Criamos cerca de 70 mil vagas na nossa passagem pelo comando da Prefeitura e o prefeito Tadeu Palácio continuou o trabalho na área da educação, que é prioridade do nosso partido, e hoje São Luís tem em torno de 106 mil alunos.

JP – O padrão das escolas teve que ser mudado?

GOVERNADOR – Mudou. O professor Darcy Ribeiro estava com o seu programa especial de educação, no Rio de Janeiro, e recebemos técnicos do programa dele, que vinham com freqüência a São Luís nos ajudava a melhorar a qualidade da educação pública da capital. Houve um avanço extraordinário na educação. Agora mesmo, quando começarmos em outubro os seminários para discutir o modelo educacional que pretendemos adotar no Estado, vamos querer contar com o apoio de eminentes professores que participaram daquele fantástico programa educacional de Brizola e do professor Darcy.

JP – A urbanização da cidade também avançou, chegando até a zona rural. Quantos quilômetros de asfalto a cidade ganhou?

GOVERNADOR – Foram em torno de 600 quilômetros de asfalto só nos dois primeiros mandatos. Quando assumimos a prefeitura pela primeira vez e tentamos fazer um balanço dos primeiros cem dias de administração, o que não nos queria deixar fazer na televisão, a discussão, como era época das chuvas, era se botava ou não pedras nos buracos. As avenidas eram todas esburacadas. Na Rua Grande, quando chovia entrava água nas lojas. Tivemos que tirar todos os paralelepípedos e fazer drenagem de maior dimensão da rua, quando fizemos também a padronização das calçadas.

JP – O senhor foi por três vezes prefeito de São Luís, e nas três avaliado como o melhor do Brasil. Qual a obra que o senhor considera que tenha mais marcado a sua gestão e que tem o reconhecimento por parte da população?

GOVERNADOR – O mais gratificante foi ter restabelecido a confiança da população no serviço público. As pessoas passaram a ver que o dinheiro do serviço público era aplicado corretamente. O nosso slogan era Trabalho e Honestidade. Tem também a questão da participação da população, que resultou no orçamento participativo. Creio que a coisa mais forte foi minha presença nos bairros ouvindo a população, e aquilo foi muito importante para que São Luís mudasse sua zona rural, seus bairros, suas avenidas. Aconteceu a construção de estruturas importantes, como a grande drenagem da Avenida Kennedy. Quando chovia a entrava água nas lojas, mas com recursos exclusivamente do município fizemos, primeiro a drenagem da Kennedy e depois as drenagens do Bairro de Fátima, e 72 casas comprometidas foram restauradas. Tem ainda a grande drenagem de cinco quilômetros da Avenida São Luís Rei de França, do Retorno da Cohab ao do Olho D’Água. Daqueles cinco quilômetros um pouco mais de dois são imensos canais que recebem grande quantidade de água da Vicente Fialho, Rua do Aririzal e toda região. Grandes drenagens foram feitas também no Itaqui-Bacanga e no Canal do Caratatíua, que era só matagal.

JP – Como foi ver São Luís sair daquela cidadezinha acanhada até chegar a essa metrópole beirando um milhão de habitantes?

GOVERNADOR – Essa cidade, de aspecto melhor, com melhor visual e com alta estima crescente de sua população, muito se deve ao crescimento do setor educacional. As melhoras no setor educacional permitiram que as outras coisas acontecessem. Na minha maneira de avaliar, São Luís foi se tornando uma cidade bonita e mais agradável na medida em que o seu padrão de educação foi melhorando de qualidade.

JP – Qual desses exemplos de obras na capital que o senhor considera importante entender para todo Maranhão: educação e participação popular?

GOVERNADOR – Essas duas coisas vamos levar para todo o estado. Primeiro, vamos tentar suprir carências na área de educação e é com alegria que nesses primeiros oitos meses como governador já estamos entregando 54 escolas à população do Estado. Na área da participação popular, já tivemos o primeiro encontro do governo com o Fórum do Turi, e agora vamos ter o segundo grande encontro, que é o Fórum do Baixo Parnaíba, com todas suas dificuldades, seus desencontros, mas é assim que se começa. Acho que é um grande desafio democratizar a gestão estadual e para fazer isso temos que ouvir a sociedade através de suas organizações. Em algumas regiões, se constata que a população está muito bem organizada, na medida em que resolve sentar e discutir com o Estado, a partir daí a administração passa a ter muita chance de dar resposta a muitos dos problemas.

JP – Gostaria que o senhor falasse também do programa rodoviário que está sendo anunciado pelo Estado. Por que considera tão importante investir em estradas?

GOVERNADOR – Todos sabem que com o fechamento do DER o Maranhão perdeu massa crítica, perdeu engenheiros e técnicos que construíam ou que acompanhavam a construção, pelas empresas, das estradas, cuja qualidade caiu. Todo mundo sabe que as estradas no Maranhão, estaduais ou federais, se encontram numa situação desesperadora. Tivemos que logo no começo do governo dar prioridade ao setor, e estamos iniciando estradas fundamentais, como a grande rodovia da Baixada Maranhense, que liga Pinheiro a Vitória do Mearim, passando por Viana. São 166 quilômetros. Hoje estamos com três frentes de trabalho nela e ainda este ano vamos entregá-la asfaltada e sinalizada.

JP – Quais são as outras estradas anunciadas?

GOVERNADOR – Na Baixada, estamos recuperando também os 68 quilômetros da estrada que vai de Turilândia a Governador Nunes Freire e num ponto desse trecho tem um povoado, Bacabeira, de onde sai uma estrada rumo a Turiaçu, são 74 quilômetros que serão totalmente asfaltados. Já lançamos o edital para construção da estrada de Buriti Bravo a Colinas, vamos começar ainda no mês de setembro os 57 quilômetros de asfaltamento da rodovia que liga São Domingos do Azeitão a Benedito Leite, lançamos o edital da estrada que vai de Montes Altos a Sítio Novo, na região tocantina, e já lançamos o edital da MA que liga Pedreiras a Joselândia. E entregamos asfaltados os 38 quilômetros da MA que tira do isolamento São Félix de Balsas, iniciada no governo anterior e que concluímos.

JP – Qual a mensagem que senhor deixa para cada pessoa que sempre confiou no senhor como médico, político ou amigo, nessa relação tão pessoal que o senhor tem com a população?

GOVERNADOR – Quero que a população continue vendo que o Jackson é o mesmo médico que atendia as pessoas no serviço público com igualdade, e o cidadão que sempre deu prioridade à coisa pública, que não tem nenhum fascínio pelos encantos materiais, pela riqueza. Quero também agora, depois de organizada a parte administrativa, procurar ser útil a São Luís. Tenho certeza que é difícil para a população aceitar que o Jackson como governador não possa ser útil a São Luís, por isso quero também ser útil à nossa São Luís.

Jornal o Pequeno