FGTS será usado para financiar imóveis de até R$ 130mil

Trabalhador que contribuir por pelo menos 3 anos para o FGTS terá taxas de juros menores, de 7,66%


BRASÍLIA. O Conselho Curador do FGTS – que reúne governo, entidades empresariais e centrais sindicais – decidiu ontem facilitar o acesso das famílias de classe média aos recursos do Fundo. Foram ampliados o valor máximo dos imóveis a serem financiados com dinheiro do FGTS, assim como a renda das famílias que podem tomar os empréstimos. Nas regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo e em Brasília, o valor dos imóveis que podem ser financiados passou de R$100 mil para R$130 mil. Em outras capitais, o valor foi mantido em R$100 mil. Nas demais cidades, ele subiu de R$72 mil para R$80 mil.

A renda mensal exigida dos mutuários passou de R$3,9 mil para R$4,9 mil em todas as capitais. Para as demais cidades, ela ficou em R$3,9 mil. Outra novidade foi a redução dos juros para os empréstimos com recursos do FGTS. A partir de 2008, quem for cotista do Fundo e tiver contribuído para ele durante, no mínimo, três anos, terá direito a uma redução de 0,5 ponto percentual nas taxas pagas. Com isso, elas cairão de 8,16% ao ano para 7,66%.

– Aprovamos algo inédito, que é fazer um atendimento preferencial ao fundista. Houve um consenso. Afinal, eles são os donos do FGTS e merecem um tratamento diferenciado – afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Classe média será beneficiada com novo limite

O secretário-executivo do FGTS, Paulo Furtado, explicou que as correções das faixas de renda e dos valores dos imóveis foram feitas porque esses números estavam defasados. Além disso, a execução orçamentária dos financiamentos com recursos do FGTS para a classe média está aquém do desejado. Diante das restrições de acesso, ainda estão em caixa aguardando financiamento este ano R$4 bilhões. Já foram emprestados R$6,8 bilhões em 2007.

Furtado destacou ainda que os recursos do FGTS estavam muito concentrados nas faixas de renda baixa, onde o dinheiro é colocado a fundo perdido. Os financiamentos neste caso já somam R$2 bilhões este ano, quase a totalidade prevista para 2007.

O presidente do Sinduscon-RJ, Roberto Kauffmann, disse que a decisão do Conselho Curador do FGTS deve permitir que cerca de três milhões de famílias tenham acesso a financiamentos com recursos do Fundo de Garantia. Ele lembrou que o déficit habitacional do país está hoje concentrado na população de média e baixa renda, chegando a oito milhões de unidades em todo o país.

– A decisão vai aumentar a base de pessoas interessadas na compra de imóveis com o FGTS – afirmou ele.

Setor quer ampliar prazo para financiamento

Segundo Kauffmann, o setor da construção civil, que integra o Conselho Curador, vem trabalhando para aumentar também o prazo dos financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal, que hoje é de 20 anos. Ele disse que o ideal é que esse período subisse para 25 anos.

– Mas ainda não emplacamos essa proposta – disse.

O presidente do Sinduscon-RJ também ressaltou que a decisão deve estimular bancos particulares a concederem empréstimos habitacionais com recursos do FGTS. Ele lembrou que o Itaú deve anunciar uma decisão nesse sentido na próxima semana. 

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O Globo