Fernando Siqueira, presidente da Aepet, se filia ao PDT


Veja aqui o vídeo da filiação e entrevista com Fernando Siqueira

O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, uma das maiores autoridades do país no setor petróleo – um nacionalista convicto que, junto com Barbosa Lima Sobrinho, lutou contra as privatizações criminosas da Vale do Rio Doce, Sistema Telebrás e todas as demais – filiou-se nesta quarta-feira (30/9) ao PDT após rápida cerimônia de boas vindas na Liderança do PDT na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Fernando Siqueira vai disputar uma cadeira de deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro nas eleições de 2010 e sua filiação foi saudada pelo deputado Brizola Neto, presidente do PDT da Cidade do Rio de Janeiro, e também por Lupi e Manoel Dias, dirigentes nacionais da legenda.


 


Siqueira está há mais de um ano percorrendo todo o Brasil para, em palestras, alertar para a importância das descobertas das megajazidas petrolíferas do pré-sal, fruto do trabalho da Petrobras, e para a importância do Brasil mudar a atual lei do petróleo, a 9.478/97, sancionada no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, que além de transferir para empresas multinacionais a propriedade do petróleo brasileiro, quebrou o monopólio exercido desde 1953 pela Petrobras e permitiu os leilões entreguistas da Agência Nacional de Petróleo (ANP).


 


Nacionalista, Fernando Siqueira é antigo militante do Movimento em Defesa da Causa Nacional (Modecon), fundado por Barbosa Lima Sobrinho e atualmente presidido pela médica Maria Augusta Tibiriçá Miranda, ex-secretária geral da campanha “O Petróleo é Nosso” – e um dos quadros mais preparados da Aepet – com respeitabilidade internacional.


 


A solenidade de filiação, na Liderança do PDT na Câmara, aconteceu em Brasília porque Fernando estava lá participando, à tarde, de uma audiência pública no Congresso; que seria seguida, após a rápida cerimônia de filiação,  de viagem para palestra em Aracaju sobre o pré-sal e a importância do Brasil defender as suas jazidas das multinacionais. Antes ainda de voltar ao Rio, hoje (01/10), Fernando Siqueira falará em Porto Alegre sobre o mesmo assunto.


 


Segundo Paulo Metri, também engenheiro e outro lutador pela causa do petróleo para o Brasil, para atender a tantas solicitações que chegam de todo o Brasil, Siqueira praticamente está morando em aviões.


 


Para que os pedetistas conheçam um pouco melhor o pensamento de Siqueira, além de ida ao portal da Aepet na Internet, www.aepet.org.br , recomendamos a leitura da entrevista que Fernando Siqueira concedeu à revista especializada Porto Gente, deste mês, que transcrevemos:


  


Veja o vídeo da ULB sobre o pré-sal com Fernando Siqueira e Paulo Metri 



Leia também: O Pré-sal pode tornar o Brasil o país mais rico do planeta


 


da  Reportagem  PortoGente


 


O Brasil vive e sonha, nos últimos meses, a expectativa dos negócios com a exploração do petróleo da camada pré-sal. Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), com sede no Rio de Janeiro, vem participando de seminários e debates Brasil afora sobre o novo combustível. E alerta: “é preciso que [o pré-sal] seja bem administrado”.


 E o que é ser bem administrado? É o que Siqueira explica na entrevista a seguir.


 


PortoGente – O Brasil vive a expectativa do pré-sal, o que é verdade e o que é mentira sobre tudo o que se fala sobre a descoberta da Petrobrás na Bacia de Santos?


 


Fernando Siqueira – O que é verdade é que é uma reserva fantástica. Nós imaginamos, conservadoramente, em torno de 90 bilhões de barris e é um óleo de excelente qualidade. E é uma riqueza que pode fazer o Brasil deixar de ser o país do futuro, e ser o país do presente. Ou seja, o país mais viável e rico do planeta. É preciso que seja bem administrado.


 


PortoGente – O que é ser bem administrado?


 


Fernando Siqueira – Primeiro, o governo conseguir aprovar a mudança do contrato de concessão para partilha. Porque concessão dá propriedade a quem produzir. Segundo, elevar a participação da União para no mínimo 84% que é o que recebem os países produtores e exportadores mundiais. Terceiro, acabar com os leilões, porque eles são um ponto muito negativo. Temos três efeitos colaterais principais: primeiro que se você abre leilões, as empresas dos países desenvolvidos que têm tecnologia e dinheiro, mas não têm petróleo, virão para cá e vão querer explorar o mais rápido possível para resolver os seus problemas. E aí o pré-sal acaba em 13 anos. Ele poderia durar 40 [anos], dá tempo de desenvolver o substituto do petróleo, mas pode acabar precocemente em 13 anos justamente quando o petróleo estará em ascensão.


 


PortoGente – Qual o segundo?


 


Fernando Siqueira – O segundo ponto negativo é que uma entrada brusca de dólares gera uma sobrevalorização do Real e com isso faz com que todos os demais segmentos não envolvidos com o petróleo se inviabilizem, faz com que o Brasil fique dependente de um único setor que é petróleo, e isso é extremamente negativo para a economia, a chamada “doença holandesa”. E o terceiro perigo é que podemos ter a “doença nigeriana”, multinacionais foram para a Nigéria (África Ocidental), esgotaram as reservas de petróleo e a miséria nigeriana continuou. E um último efeito colateral é que o governo com essa entrada de dólares tem de aplicar esse dinheiro em títulos americanos, do Tesouro americano. E aí passa a receber juros negativos e aplicando numa moeda que está em decadência, que é o dólar. Nós defendemos que o governo tenha um percentual dentro da média mundial e que contrate a Petrobras para executar o pré-sal. Foi ela que pesquisou e que correu todos os riscos. E tem capacitação e crédito para ter o recurso necessário.


 


PortoGente – O senhor avalia que a ação do Governo Lula hoje afasta esse cenário de tantos efeitos colaterais?


 


Fernando Siqueira – A proposta do governo tem três pontos positivos: contrato de partilha, que retoma a propriedade para o governo; a Petrobras é executora de todos os blocos mesmo não sendo a ganhadora do consórcio; e, por último, ele cria um fundo soberano que cria uma poupança para o futuro. Mas o ponto negativo do governo é a continuidade dos leilões por todos esses efeitos colaterais que eu acabei de dizer. E criar uma estatal agora é meio que desnecessário, porque significa continuidade dos leilões.


 


PortoGente – Continuaria apenas com a Petrobras?


 


Fernando Siqueira – A idéia é que se tenha uma estrutura do Conselho Nacional de Política Energética para servir como o antigo Conselho Nacional do Petróleo e a Petrobras seja executora, e, gradativamente, o governo recompre as suas ações.


 


PortoGente – Como o pré-sal pode mudar a logística dos portos nacionais?


 


Fernando Siqueira – Eu acredito que o setor portuário vai ter de ser reforçado, porque haverá exportação de petróleo certamente, porque não tem como esse volume, que é sete vezes a reserva atual, ficar só restrito ao uso do Brasil. Com os 14 bilhões que a gente tinha a nossa auto-suficiência já estava para dez anos, com mais os 14 [bilhões] já comprovados essa auto-suficiência dobra. Se tivermos os 90 bilhões, a auto-suficiência fica enorme. E aí pode acontecer que depois de um certo tempo, o Brasil não tenha o que fazer com esse petróleo. E aí [o Brasil] pode exportar dentro de uma estratégia que atenda ao interesse nacional para dar tempo para ele gerar o substituto do petróleo. Mas não tem como não exportar, até porque a pressão vai ser enorme dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos. O Brasil pode e deve exportar, mas dentro de um entendimento a estratégia nacional. Uma relação reserva-produção, por exemplo para 45 anos e nesses 45 anos o País pode desenvolver a biomassa substituindo o petróleo.


 


PortoGente – Então os portos…


 


Fernando Siqueira – Os portos vão ter de ser aumentados, estrutural e infraestruturalmente revistos para exportação. Mas exporta muito via petroleiro, que pode ser abastecido no mar. Então o porto é afetado certamente, porque você vai ter navios fazendo filas para levar petróleo.


 


PortoGente – Quais os portos que terão de fazer essa revisão?


 


Fernando Siqueira – O Porto de São Sebastião (SP) é um deles que vai se movimentar. Tem o Porto de Paranaguá (PR), de Santos (SP), de Vitória (ES), todos esses devem ser fortalecidos. Nós já temos uma infraestrutura portuária bastante razoável, ela precisa ser remodelada, ampliada e preparada para essa exportação.