Ex-agente na ativa




Guilbaud, que hoje atua na embaixada de Guiné Conacri: trajetória no serviço secreto

Um intenso debate público no Senado em meados de 2006 quase custou a nomeação do embaixador Jacques Claude François Michel Fernandes Vieira Guilbaud para a chefia da embaixada em Guiné Conacri. Surgiram então denúncias de que ele teria sido um espião do regime militar. A polêmica provocou o adiamento da sabatina e deu início a uma série de gestões políticas nos bastidores. O diplomata alegou que teria sido vítima da ditadura, perseguido a ponto de ter de abandonar seu posto no Canadá, onde chegou a pedir asilo político no início dos anos 80. Essa versão garantiu sua anistia e reintegração ao quadro ativo do Itamaraty em 2001. E acabou funcionando no ano passado.

Depois de algumas semanas, as acusações contra Guilbaud foram consideradas inconsistentes e ele recebeu o aval dos parlamentares para representar o Brasil no país africano. Ao pesquisar no arquivo do Centro de Informações do Exterior, o Correio descobriu que Guilbaud não contou toda a verdade. Ele, de fato, foi um agente do serviço secreto diplomático por quatro anos. O informe 001/79 conta sua trajetória, bem como o recrutamento em 29 de março de 1974, e os motivos que levaram a seu desligamento do Ciex em 1978. Guilbaud, segundo o documento, chegou a chefiar a Base do Ciex em Santiago, Chile (1976/77), e a de Lisboa, Portugal (1977/1978).

Na opinião da chefia do Ciex, Guilbaud careceu de capacidade técnica para o exercício das últimas funções. “Revelou que submetido às tensões normais e inerentes ao exercício de funções de informações no exterior, não dispõe de condições mínimas de resistência e equilíbrio emocionais, o que lhe afeta o discernimento e a capacidade de julgamento e avaliação de fatos, pessoas e situações”, argumentou o chefe do serviço secreto. Segundo ele, essas características tornaram Guilbaud “um alvo disponível para a oposição ativa internacional”.

Já Guilbaud diz que seu afastamento teve a ver com a descoberta de um suposto caso de corrupção envolvendo a compra do imóvel que serve até hoje de residência oficial para os embaixadores do Brasil em Lisboa. Ele acusou, na época, o então chefe do posto, general Carlos Alberto da Fontoura — considerado um linha-dura entre os militares — de ter se beneficiado da transação. Questionado pelo Correio, Guilbaud afirmou que não tem mais as provas do desvio. (CDS)

Documento do Ciex critica o espião Guilbaud: “falta de qualificação para a função”


Correio Brasiliense