Escola sem partido – uma visão elitista e conservadora

Rodrigo Minotto14/09/2017

A Escola sem Partido é um projeto que tramita na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do estado sustentado na neutralidade do conhecimento. Vem para silenciar contradições em temas como religião, ideologia e política, contrariando o princípio constitucional do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas.

Reflete uma visão elitista e conservadora. É conflitante com políticas de afirmação de igualdade de gênero, com respeito às diferenças, à ética e à cidadania, que devem sustentar projetos pedagógicos emancipatórios.

Defensores do projeto acreditam que discutir feminismo, homofobia, violência contra mulher ou discriminação racial significa doutrinação, reprodutores que são da estética machista e conservadora que predomina no país desde os tempos coloniais.

Ora, a Escola é, essencialmente, o locus do debate e da formação do pensamento livre, da construção da consciência crítica e plural, para que o aluno possa ter autonomia e se torne capaz de fazer escolhas na vida.

Pretender uma escola sem partido é como querer uma igreja sem bíblias. É o mesmo que uma escola sem livros e sem projeto pedagógico.

Que outro espaço seria mais adequado para a formação integral dos alunos?

Se a família é o núcleo fundamental da sociedade, até que ponto os pais têm o direito de fazer escolhas pelos filhos em matéria de religião ou de orientação sexual?

Quando a escola debate temas tão controversos quer indicar aos alunos que o mundo é feito de diferenças, de raça, gênero ou cor e uma sociedade justa deve se reconhecer na diversidade.

Segundo a psicóloga Rosely Sayão, no livro “Educação sem blá-bla-blá”, “a relação escola-família é, por si só, conflitante porque a perspectiva da família sobre o mundo é privada e recheada de suas próprias convicções. Cabe à escola oferecer ao aluno a visão de mundo na perspectiva do conhecimento, porque educar é apresentar a vida e não dizer como viver”.

Tudo o que se passa no mundo é político, seja na escola, na igreja, no município, nas empresas, nos sindicatos ou nos governos, porque o homem é um ser essencialmente político.

 

*Rodrigo Minotto é bacharel em Direito e Administração, e deputado estadual pelo PDT em Santa Catarina .