Em 1985, Brizola já combatia a máfia dos transportes no Rio de Janeiro

FLB-AP/Bruno Ribeiro04/07/2017

Tarifa justa e serviço de qualidade. Com esse objetivo, o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, enfrentou, em 1985, a histórica máfia dos transportes no estado, ao encampar 1.817 ônibus e desapropriar 16 empresas, das quais cinco operam no município do Rio de Janeiro e duas na Região Metropolitana. Ontem (3), a série de prisões de representantes do setor fluminense ratificou a razão do incessante combate promovido pelo pedetista ao longo da sua gestão.

Na época, como foi noticiado pelo Jornal do Brasil, o governador indiciou que essas medidas, calculadas em Cr$ 205 bilhões (moeda vigente na época), serviram para proteger os cidadãos do cartel instalado e ressaltou que não pretendia acabar com a participação privada no sistema de ônibus.

“Não se tratou de estatizar por estatizar, mas de permitir um equilíbrio que atenda ás necessidades da população”, indicou, ao relatar que a decisão decorreu de “um demorado processo de amadurecimento das discussões sobre a questão”.

Ao lado do secretário estadual de Transportes, Brandão Monteiro, o governador prometeu maior controle, eficácia e poder de decisão do Estado na administração de uma concessão que apresentava um formato predatório e pleno direcionamento ao enriquecimento, deixando o bem-estar social em segundo plano.

“Afinal, tinham de manter todas estas mordomias” disse Brizola, indicando o luxo dos bens, que incluíam, ainda, pelo menos um avião, edifícios de apartamentos e carros Mercedes-Benz. Para ele, o lucro (com “éle minúsculo”) nesta atividade deve alentar para finalidade principal, que é a prestação de um serviço público a preço justo.

Com o controle dos principais corredores de transporte do Grande Rio, a partir da integração das novas empresas à Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro (CTC), o governo alcançou 20% da frota fluminense. No caso da Região Metropolitana, a participação se elevou para 25%, chegando a 27% na capital.

Investigação
Após décadas, diversos empresários de transporte público que atuavam em rotas do Rio de Janeiro foram presos durante a tarde desta segunda-feira (4) pela Polícia Federal. Acusados de fornecer propina para agentes públicos, os participantes do esquema, segundo as investigações organizadas pelo Ministério Público Federal (MPF), realizavam pagamentos em troca de benefícios fiscais e tarifários.