Dornelles critica Comissão de Ética Pública

    

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) criticou, nesta sexta-feira (30/11), recomendação feita pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República para que o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, deixe o cargo de presidente do PDT, sob o argumento de que ele não pode acumular as duas funções. A comissão deu prazo de dez dias para que Lupi tome as providências cabíveis e dirima o conflito de interesses. Na avaliação do senador, não há dispositivo legal que impeça o exercício simultâneo dessas duas atividades.

 

Como exemplo do que defendeu, Dornelles lembrou que ele mesmo, quando presidiu o PP, ocupava o cargo de ministro do Trabalho e Emprego na segunda administração de Fernando Henrique Cardoso. E lembrou ainda que houve outros casos de exercício simultâneo de funções, como ocorreu com Sérgio Motta, então ministro das Comunicações, que foi secretário-geral do PSDB, e com Jorge Bornhausen, Ricardo Fiúza e o atual senador Marco Maciel (DEM-PE), que foram titulares de ministérios enquanto presidiam suas agremiações partidárias.

 

– Eu não compreendo como é que um órgão do governo, sem qualquer representatividade, quer influenciar na vida política dos partidos, exigindo que o ministro deixe a presidência de um importante partido, por estar ocupando o Ministério do Trabalho (e Emprego) – disse Francisco Dornelles.

 

Dornelles argumentou que na última semana, o Senado viu “o importante trabalho político realizado pelo Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que mostrou e conseguiu que a área econômica destinasse maior volume de recursos para a educação, que é uma bandeira do seu partido, o que permitiu o entrosamento, a união da sua bancada em torno de projetos do seu governo”.

 

Acrescentou: “Lupi conseguiu também costurar um importante apoio nesta casa para a aprovação da medida que legalizou as centrais. O que aconteceu no dia seguinte? Uma comissão do governo, sem nenhuma base jurídica, decidiu que o ministro Lupi tem que largar a presidência do PDT, que não pode acumular, embora não exista qualquer dispositivo que impeça esta acumulação”.

 

Dornelles falou na sessão plenária do último dia 30/11, às 10 horas, no Senado federal.