Deputados do PDT impulsionam CPI dos Pedágios


Há quatro meses investigando os pedágios, a CPI presidida pelo deputado Gilmar Sossella na Assembléia Legislativa está desmontando aos poucos o forte bloco parlamentar montado para impedir a revelação da verdade sobre as concessões de estradas no Rio Grande do Sul.

Em minoria desde a sua instalação – manipulada e feita às escondidas pela presidência do Legislativo – a CPI trilhou os últimos 100 dias buscando descobrir detalhes do programa de concessão montado em 1996. Enfrentando um bloco parlamentar coeso e harmônico na defesa das concessões, os dois deputados do PDT que fazem parte da CPI – Gilmar Sossella e Paulo Azeredo – têm procurado aprofundar as investigações, furando o bloqueio imposto pela maioria (PMDB, PP, PPS, PTB e PSDB). Ao lado do PT, PSB e PCdoB, os representantes do PDT estão agindo no sentido de revelar aos gaúchos a verdade sobre os pedágios.

Na última segunda-feira, o deputado Paulo Azeredo entregou ao presidente da CPI, deputado Gilmar Sossella, cópia de CD gravado pela diretora de qualidade da Agergs, Denise Zaions, com diálogo travado entre ela e o ex-presidente da Agergs, Guilherme Villela, e o conselheiro Ricardo Pereira. Na conversa, Villela tenta convencê-la a não depor no dia 13 de agosto (os diálogos foram nos dias 24 e 25 de julho), além de oferecer a antecipação das perguntas do relator, deputado Berfran Rosado (PPS).

O assunto mudou os rumos da CPI, que se encaminhava para o encerramento, conforme a vontade dos deputados do PMDB, PP, PPS, PTB e PSDB, que formam a coalisão em favor dos pedágios na CPI. Embora ainda não tenha sido aprovado o requerimento que pede a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, o impacto da denúncia fez com que todos aprovassem requerimento para que o atual conselheiro da Agergs representando as concessionárias, Guilherme Socias Villela, preste depoimento na próxima segunda-feira, dia 3, na CPI.

Ontem, em mais uma demonstração do “zelo” da agência reguladora com a verdade, a diretora de qualidade, Denise Zaions, foi afastada da sua função. Funcionária concursada, tendo vencido em primeiro lugar a disputa, a economista foi afastada pela maioria do conselho da Agergs porque, segundo eles, “faltou com a ética”. Todos aguardam, agora, o julgmaento da “ética” do sr. Villela, que além de constranger uma funcionária pública no exercício de sua função, agiu como lobista ao se oferecer para interceptar as perguntas do seu amigo relator, o deputado Berfran Rosado (PPS).