Deputado Paulo Pereira da Silva se licencia do PDT-SP

NOTA DO PDT

 

A Executiva Nacional do Partido Democrático Trabalhista comunica, publicamente, o seguinte:

1. O Deputado Paulo Pereira da Silva solicitou hoje licenciamento da presidência do PDT em São Paulo e também, de comum acordo com a direção partidária, ficará afastado da condição de membro da Executiva Nacional enquanto estiverem em curso as investigações sobre irregularidades na liberação de empréstimos do BNDES.

2. A providência visa à preservação da sigla naquilo que a tem diferenciado ao longo dos seus 28 anos de história, qual seja, o inabalável compromisso do PDT com os princípios da moralidade pública e da probidade administrativa.

3. A atitude, porém, não significa condenação do deputado Paulo Pereira da Silva, o que seria inaceitável pré-julgamento.




4. O PDT espera que ao final do processo investigatório recém-autorizado pelo STF fique demonstrada a não-participação do parlamentar nos atos ilícitos apontados pela Polícia Federal, o que ensejará o recebimento do deputado Paulo Pereira da Silva de volta às funções de dirigente do partido das quais ora se afasta.

5. O Partido reafirma, por fim, sua identidade com a ética e o seu compromisso público e histórico de não compactuar com ilicitudes. O PDT nunca foi, não é e jamais será lugar para corruptos.

 

Brasília (DF), 11 de junho de 2008.

Deputado Vieira da Cunha,

Presidente.

Veja íntegra da carta do deputado Paulo Pereira da Silva ao presidente do PDT, deputado Vieira da Cunha.

À Direção Nacional do PDT
Exmo. Sr. Presidente Vieira da Cunha

Tenho sido alvo, nas últimas semanas, de uma implacável, insidiosa e perversa campanha de desmoralização pública, toda baseada em acusações e denúncias falsas e manipuladas. São denúncias extraídas de conversas entre pessoas que declaradamente, conforme já confessaram na justiça, usaram meu nome indevidamente.

Nego, terminantemente, e negarei sempre, ter qualquer relação com supostas ações de tráfico de influência para obter empréstimos do BNDES para empresas e prefeituras. É público o rigor com que esta instituição recebe, examina, enquadra e libera propostas de financiamento. Sobre estas acusações provarei minha inocência.

Vivemos em um Estado de Direito. Mas, infelizmente, invadem de forma arbitrária nossa vida e a vida de nossas famílias para nos acusar de crimes que não cometemos, e nos obrigam a provarmos nós mesmos a nossa inocência, numa absurda inversão de valores.

Nos anos 50, os conservadores, os inimigos do povo e dos trabalhadores tentaram manchar a honra do grande Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio. Em 1964, golpearam o presidente João Goulart e o grande líder Leonel Brizola, que passou a vida inteira, até a morte, perseguido por estas forças.

Recentemente, foi o presidente do PDT e ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi, obrigado a se defender de acusações absurdas e impertinentes, de tal forma que acabou sem necessidade a se licenciar do partido ao qual dava e dá todo o tempo de sua vida.

Agora, é comigo. Por quê? Porque querem tirar o protagonismo do movimento sindical do cenário político nacional. Querem atacar os direitos conquistados e evitar novas conquistas dos trabalhadores. Querem impedir a unidade dos trabalhadores através de suas centrais sindicais. Unidade da qual, sem falsa modéstia, sou defensor e fiador.

Com o meu mandato venho liderando lutas vitoriosas: apoio ao veto à Emenda 3 da Super Receita, legalização das centrais sindicais, política de valorização do salário mínimo, correção da tabela do imposto de renda, e tantas outras. Conquistas estas, contra a vontade e a campanha venenosa dos conservadores que preferem explorar os trabalhadores nas cidades e escravizá-los no campo, em suas fazendas medievais.

Num momento decisivo de nossa história, decidi, junto com a maioria de meus companheiros sindicalistas, apoiar o governo do presidente Lula, cuja política econômica sempre critiquei e ainda critico em alguns pontos, como os altos juros, mas cuja política social não tenho como não apoiar, porque é redentora e só não é maior porque nos faltam recursos que ainda vão para bancos e especuladores.

Enfrentei e continuarei enfrentando, no Congresso Nacional, nos setores econômicos, na sociedade, todos aqueles que não gostam do povo e não querem que existam sindicatos fortes, com poder para defender os mais fracos diante dos que, fortes, usam esta força não para a convivência democrática, mas contra os direitos da população menos favorecida.

Fui eleito pelos trabalhadores e tenho as responsabilidades assumidas na campanha eleitoral vitoriosa e nas batalhas e lutas do mundo do trabalho.

A verdade é uma só. E nela confio. Para me concentrar nas justas defesas de meu mandato e no desmascaramento das infundadas acusações, comunico à direção nacional do PDT o meu licenciamento da presidência estadual do PDT de São Paulo.

PAULO PEREIRA DA SILVA
(PAULINHO)
Deputado Federal (PDT-SP)
Presidente da Força Sindical

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