Delegação do PDT visita China à convite do PC

O último compromisso da delegação do PDT na província de Guizhou, a mais pobre da China, depois de visitar indústrias e uma aldeia camponesa na região de Quiandongnan – e antes de partir para Nanjing, a capital do Sul da China – foi conhecer a Escola de Formação Política e a Escola de Administração Pública de Ghizhou – um complexo de ensino administrativo e político que impressiona por suas instalações modernas e amplos parques e prédios. O vice-diretor da instituição, Han Weidang, recepcionou a delegação brasileirae e a acompanhou na rápida visita ao complexo de ensino.
 
A visita ocorreu na manhã da quinta-feira (18/12), pouco antes dos brasileiros embarcarem no aeroporto local com destino a Nanjing, a capital do Sul da China que já foi também a capital do país até a Segunda Guerra Mundial quando foi ocupada por tropas japonesas que, em represália pela dura reação militar dos chineses pela batalha de Xangai, promoveram um massacre não admitido até hoje pelo Japão e que azeda as relações entre os dois países asiáticos: o Massacre de Nanjing, onde foram mortos pelos soldados japoneses, em curtíssimo período de tempo,  300 mil chineses.
 
A Escola de Formação Política de Guizhou, instalada em área de aproximadamente 50 hectares, é responsável pela formação, em cursos diversos e com duração variadas, de cerca de 3 mil quadros do PC chinês local, anualmente. O corpo docente tem 100 professores – a maioria com doutorado – e 200 funcionários de apoio; e os cursos variam de uns poucos dias a meses, com conteúdos diversos, sendo matéria comum a todos o socialismo com características chinesas.
 
Segundo explico Han Weidang, ao receber a delegação do Brasil, a educação política dos quadros do governo objetiva aumentar a capacidade de trabalho e fortalecer ideologicamente os dirigentes da província, submetidos regularmente a cursos de atualização, em média de cinco em cinco anos.
 
A preparação política funciona, basicamente, a partir de três eixos específicos: aprendizado das teorias básicas do socialismo chinês; conhecimento das principais políticas públicas aplicadas na província de Guizhou pelos governos central e provincial e, ainda, o permanente alargarmento dos conhecimentos sobre as características culturais da região e da população de Guizhou.
 
Os cursos variam em forma e conteúdo e alguns, os à distancia, tem inclusive a colaboração do Banco Mundial. A maioria dos cursos é presencial, o que não invalida a existência dos cursos à distancia usando as mais modernas tecnologias disponíveis.  Os alunos são matriculados pelas respectivas instituições de governo a que pertencem e os cursos são pagos por essas instituições.
 
A Capital do Sul da China  – De Guiyang, capital da Província de Guizhou, a comitiva brasileira se deslocou à tarde por via aérea, ainda na quinta, para Nanjing, a capital da província de Jiangsu, onde vivem 6 milhões dos 85 milhões de habitantes de Jiangsu. Nanjing é uma cidade moderníssima, como Guiyang, que também impressiona os visitantes pela quantidade de grandes prédios em construção em suas ruas simpáticas, de comércio movimentado e avenidas plantadas com plátanos (tipo de árvore comum na região).
 
Na manhã de sexta (19/12) a delegação visitou a Panda Electronics Group, hoje a principal indústria do ramo eletro-eletrônico da China, estatal, que começou a funcionar em 1936 produzindo aparelhos de rádio. Hoje a Panda, também importante fornecedora de equipamentos de comunicação e aviônica para o programa espacial chinês e para as forças armadas – produz todos os tipos de modernos equipamentos eletrônicos – com tecnologia própria ou em parceira com grandes indústrias como a Sony, a Ericsson e a LG; além de produtos diversos para uso civil como aparelhos celulares, tevês de plasma e eletrodomésticos de todos os tipos – de liquidificadores a moderníssimas máquinas de lavar ou passar roupa.
 
A direção da empresa manifestou interesse em aprofundar os seus laços comerciais com o Brasil tornando os produtos da Panda – marca conhecida e tradicional na China pela qualidade e durabilidade de seus produtos, além do baixo preço, mais conhecidos no Brasil. O deputado Vieira da Cunha chefiou a visita e trocou presentes protocolares com o presidente da empresa (foto).
 
Da indústria Panda a delegação se dirigiu ao campus da Universidade de Nanjing, instituição com mais de 100 anos  onde estudam cerca de 13 mil alunos – muitos estrangeiros – onde foram recebidos pelo vice-reitor da instituição  e autoridades docentes que manifestaram sua grande satisfação pela visita. Explicaram que era a terceira delegação que recebiam do Brasil em 2008, visitas iniciadas pelo escritor Paulo Coelho e, posteriormente, desdobrada com a presença de uma delegação de docentes da , Universidade Federal do Rio de Janeiro, esta em setembro. A Universidade de Nanjing, explicaram, no ranking das 2 mil universidades da China, ocupa a 5ª. Posição entre as consideradas melhores e mais influentes – com grande atuação na área de pesquisa.
 
O corpo docente é integrado por 2 mil professores e os cursos da instituição são voltados principalmente para as áreas científica e social. Ainda segundo eles, 50% dos alunos são oriundos da província de Nanjing mesmo, a mais desenvolvida da China, e os demais 50% dos alunos procedem de outras províncias chinesas e, entre eles, uma pequena parte, procede do exterior. O acesso à Universidade de Nanjing, instituição com mais de 100 anos de vida, se dá por concurso aplicado nas escolas secundárias de toda a China.
 
Dos 13 mil alunos, cerca de 2 mil são estrangeiros – matriculados principalmente em cursos de mestrado e doutorado, já graduados nos seus países. A universidade tem parcerias com instituições de ensino de todo o mundo, especialmente Estados Unidos e Europa; e está nos seus planos intensificar contatos com o Brasil.
 
Após almoço no hotel, os brasileiros foram conhecer o recém inaugurado (há seis meses) Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing, quando 300 mil habitantes de Nanjing foram mortos no curto período de seis semanas, em 1937, por soldados japoneses, na Segunda Guerra Mundial – crime de guerra até hoje não admitido pelo governo japonês e motivo de atrito entre os dois países, ainda hoje.
 
O memorial foi construído exatamente no local onde ocorreu uma das chacinas, calcula-se que só naquele local foram mortas 50 mil pessoas, cujos restos mortais, enterrados em fossas comuns, foram localizados há poucos anos durante escavações para a construção de obras civis e as ossadas, depois de comprovada a sua origem, foram deixadas intactas no local onde foram encontradas e o memorial erguido sobre elas. As fossas comuns, com ossadas dispostas em camadas, abertas à visitação pública, são a parte mais chocante do memorial visitado por milhões de pessoas desde a sua inauguração, no período da recente Olimpíada. Também é permanente a presença nele, em visita, de milhares e milhares de estudantes dos níveis básico e secundário da própria Nanjing.
 
Dotado dos mais modernos equipamentos eletrônicos, o memorial conta a história da ocupação japonesa – a partir de documentos produzidos pelos próprios militares japoneses, como filmes e fotografias feitas por soldados – acervo reunidos ao longo dos anos, além de centenas de depoimentos de sobreviventes – gravados em vídeo – contando a história pouco conhecida e que os chineses fazem questão de que não caia no esquecimento.
 
A imponência do lugar, as fotos, os recortes de jornal, os filmes de época disponíveis, os depoimentos dos sobreviventes e as ossadas expostas – formam um conjunto de provas irrefutáveis sobre o que realmente aconteceu naqueles dias de massacre e que até hoje os japoneses não reconhecem como crime de guerra, apesar do julgamento e condenação dos militares responsáveis, pelos Estados Unidos, logo após a rendição incondicional do Japão depois dos bombardeios atômicos de Hiroxima e Nagasaki.
 
Uma das peças do acervo que chama a atenção é um recorte de notícia de jornal de época japonês, falando sobre a disputa entre dois soldados – mais tarde identificados e condenados pelos norte-americanos – para ver qual dos dois, em um único dia, decapitava mais chineses com espadas samurais. Venceu o que matou 110 chineses, contra a marca de 100 chineses, do que ficou em segundo lugar.
 
O Museu de Brocados de Nanjing – Ainda impactados pelas imagens das vítimas do massacre, a delegação foi levada ao Instituto de Borcados de Nanjing – o museu da seda – que fica praticamente ao lado do moderno memorial. A tapeçaria em seda é uma prática milenar chinesa e o museu reúne em seu acervo, além de brocados de seda com mais de mil anos de idade, roupões e mantos de antigas dinastias avaliados, a preços de hoje, em mais de 1 milhão de dólares pelo seu requinte e riqueza de bordados que exibem.
 
Além das peças em seda expostas, o visitante tem a oportunidade, em um dos setores do museu, de ver ao vivo e a cores artesãos chineses de hoje – trabalhando em teares originais, tecnologia desenvolvida há mais de mil anos – bordando em seda; trabalho especialíssimo que a China incentiva para que não desapareça – já que leva um ano  no mínimo para preparar um artesão no manejo do tear e mais três ou quatro anos de prática que se considere esse mesmo artesão apto para o trabalho em borcados de seda. Um artesão de primeira linha, segundo explicou o diretor da instituição, trabalhando o dia inteiro, sempre com a ajuda de um auxiliar, consegue tecer, no máximo, seis centímetros de borcado por dia – usando essa técnica quase extinta e que hoje tem sua prática estimulada e financiada pelo governo para que não desapareça.
 
À noite a delegação do PDT foi recepcionada com um jantar pelso dirigentes da província de Jaingsu, tendo à frente Chen Baotian, vice-presidente do comitê local da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Baotian estava acompanhado do subsecretário de Trabalho, Chen Liyang; do subsecretário de Educação, Ding Xaiochang; do subsecretário de Assuntos Internacionais; do subsecretário da Liga da Juventude; e do chefe de gabinete do Departamento de Relações Internacionais do PCC local.
 
No sábado (20/12), a comitiva do PDT deslocou-se de manhã para o mausoléu do fundador da República chinesa, em 1911, Sun Yat-sen, que acabou com a hegemonia dos imperadores e fundou o Partido Nacionalista Chinês, sendo posteriormente substituído, quando da sua morte, pelo general Chang Kai Shek que, junto com Mao Tsé Tung, lutou contra a invasão japonesa. Após a rendição incondicional do Japão em 1945, Mao e Chang Kai Shek lideraram forças opostas numa guerra civil que acabou com a vitória de Mao em 1949, quando passou a existir, efetivamente, a China de hoje.
 
Do monumento os visitantes brasileiros foram levados ao Museu de História Moderna de Nanjing, antiga sede do Império Chinês quando a capital era Najing, depois sede da República chinesa e onde trabalharam o médico Sun Yat-sen, fundador da República, e o seu sucessor, o general Chang Kai Shek, até a sua derrota para os comunistas liderados por Mao Tse Tung, em 1949, quando foi obrigado a partir para Taiwan.
 
Cercado hoje de arranha-céus, o antigo palácio que sediou o Império e a República não possui a suntuosidade da Cidade Proibida, também sede do Império, mas em Pequim, mas também possui lagos simpáticos, jardins acolhedores e prédios e salas austeras, iluminadas e ventiladas, onde trabalhavam os antigos dirigentes do povo chinês. A simplicidade é a marca registrada dos locais de trabalho, preservados, de Sun Yat-sem, fundador da República cujo mausoléu no centro de um parque bem próximo ao Centro de Nanjing chama a atenção pela suntuosidade; e o escritório onde trabalhou, até partir para Taiwan, Chang Kai Shek.
 
A comitiva deslocou-se depois do almoço, por terra, para Yangzhou, a Veneza chinesa, cidade com mais de 2.500 anos de história, nas margens do Yang Tse, o maior rio da China, que na antiguidade foi um dos principais portos da China e de onde partiam navios em rotas de navegação que percorriam todas as cidades asiáticas mais importantes e chegaram até o Iraque. Yangzhou foi a cidade onde viveu Marco Pólo, o viajante italiano de Veneza que ficou maravilhado com a China e levou para a Europa várias das invenções chinesas desconhecidas na Europa de então, como a pólvora.
 
Hoje Yangzhou divide-se hoje em duas cidades, a antiga e a moderna. A delegação foi direto para o Museu de História de Yangzhou, sendo recebidos  pelos diretores da instituição; e percorreram as principais galerias do museu onde estão expostos, em detalhes, peças de época mostrando importantes conquistas chinesas para a humanidade como a invenção da imprensa, da bússola, do papel e outras. Além de cerâmicas, armas antigas, jóias e utensílios domésticos diversos de antigas dinastias em bronze, ferro, jade, ouro, âmbar e madeira.
 
À noite os brasileiros foram recepcionados pelas autoridades locais com um jantar.
 
No domingo (21/12) a delegação do PDT, chefiada pelo Secretário Geral Manoel Dias depois que  Vieira da Cunha e senhora precisaram voltar ao Brasil com um dia de antecedência devido a questões familiares – fizeram passeio pelo Lago de Shouxi e conheceram a comunidade de Quionghuaguan, na parte mais antiga de Yangzhou, restaurada, antes de retornar a Nanjing por terra e, final do dia, voltar a Pequim.  
 
A visita ao lago, cercado de salgueiros-chorão e construções de época preservados ao longo dos séculos, foi feita após um café da manhã típico oferecido pelo governo comunal de Yangzhou em restaurante local. A comitiva embarcou em um barco apropriado e percorreu boa parte do lago, onde existem construções com séculos de existência, antes de visitar logo após, a comunidade de Quionghuaguan, na parte mais antiga da cidade, restaurada pelas autoridades para mostrar as construções originais da cidade onde funcionaram entrepostos comerciais, bancos e se concentravam as atividades mercantis que tornaram a China conhecida, através de seus intercâmbios comerciais e vias de navegação, em toda a Ásia.
 
De lá os brasileiros retornaram, por terra a Nanjing, diretamente para o aeroporto local onde embarcaram em vôo da Air China com destino a Pequim onde chegaram duas horas e meia depois, já de noite – com a temperatura local registrando cerca de 13 graus negativos. Do aeroporto os brasileiros foram diretamente para o hotel onde prepararam as malas antes do último dia da visita, 22 de dezembro, quando foram pela manhã a sede da Escola Nacional de Formação Política da China onde foram recebidos pelo vice-reitor e logo depois, direto, seguiram para o aeroporto de Pequim para o início da volta ao Brasil, pela Air France, com escala em Paris.
 
A delegação do PDT chegou ao Brasil na manhã desta terça-feira (23/12), por volta das 10 horas da manhã, depois de uma viagem de 35 horas direto de Pequim, com escala em Paris, que de vôo, efetivamente, sem incluir a espera em Paris, durou 22 horas.