Decisão de fazer congresso foi tomada em julho/2007

 

O IV Congresso Nacional do PDT deverá se realizar nos dias 19, 20 e 21 de abril de 2008 em Brasília ou Rio de Janeiro – segundo indicativo aprovado pelo grupo de trabalho da Executiva Nacional para organizar o evento que se reuniu em Brasília no último dia 17/7 sob a presidência de Manoel Dias, Secretário Geral do PDT. “Precisamos defender políticas e bandeiras de esquerda porque somos da geração que enfrentou a ditadura e hoje temos a obrigação de ser uma alternativa para a esquerda brasileira”, destacou Dias.

 

No encontro ficou decidido que o calendário para as convenções municipais e estaduais definido pelo Diretório Nacional em sua última reunião, no início do ano, precisa ser priorizado e cumprido até o final deste ano ainda. Para que as comissões provisórias existentes espalhadas pelo país sejam substituídas por executivas eleitas em convenções que também serão reuniões preparatórias para o IV Congresso em abril de 2008.

 

“É preciso evitar que o PDT se torne um partido cartorial. Para isto precisamos renovar as nossas bases e as nossas direções estaduais e municipais, desaguando tudo no IV Congresso”, destacou Dias, também presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini. As convenções a serem realizadas a este ano seguirão o seguinte calendário: até final de outubro as municipais, até final de novembro as estaduais.

 

Manoel Dias disse que por onde anda no país, tem cobrado políticas para tornar o PDT uma alternativa à esquerda. Esta proposta, segundo ele,  “vem sendo muito bem recebida nas bases, ao contrário das cúpulas, que estão acomodadas”. O Secretario Nacional do PDT defendeu a criação de núcleos de base, fórmula certa, no seu entender, para aprofundar a discussão e apontar caminhos. “O partido precisa avançar a partir dos núcleos”, frisou.

 

O PDT deve ultrapassar em outubro deste ano a marca de 1 milhão de filiados e isto precisa ser celebrado, no seu entender. “Nosso discurso precisa se diferenciar dos partidos conservadores e nossas bases, motivadas, têm condições de dobrar o número de prefeitos e vereadores ano nas eleições do ano que vem”, afirmou.

 

Depois de fazer um balanço das atividades relacionadas à Universidade aberta Leonel Brizola, que já conta com 5 mil matrículas e tem veiculado aulas para capacitação de quadros pela TV via satélite e via Internet;  Manoel Dias assinalou que se for possível alcançar pelo menos 10% dos atuais objetivos desse trabalho, “a cara do PDT muda”.

 

Participaram da reunião preparatória ao IV Congresso, em Brasília, entre outros, o vice-presidente nacional do partido, deputado Vieira da Cunha (RS), e os vice-presidentes regionais Severiano Alves (BA), Ronaldo Lessa (AL) e Sérgio Vidigal (ES), além do Secretário de Relações Internacionais, Senador Cristovam Buarque (DF). Também participaram o ex-deputado André Costa (RJ), a vice-presidente para Assuntos da Mulher, Michelina Vecchio, o presidente do PDT do Ceará, ex-deputado André Figueiredo, o presidente do PDT de Belo Horizonte, ex-deputado Sérgio Miranda (MG); a presidente do Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Mapi), Maria José Latgé (RJ), um representante do Movimento Sindical, Sérgio Luiz (RJ), o jornalista FC Leite Filho e o presidente da seção Rio de Janeiro da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.

 

Por designação dos presentes, foi formada uma subcomissão composta de Sérgio Miranda, André Figueiredo e Osvaldo Maneschy – para discutir e elaborar o temário do IV Congresso Nacional do PDT. E marcada nova reunião  –  dia 7 de agosto – para discutir a proposta de temário da subcomissão que trabalhou com base nas conclusões do III Congresso do PDT,  realizado no Riocentro, Rio de Janeiro, em 1992.

O deputado Vieira da Cunha (RS) ao defender a posição de que as questões internas do PDT precisam ser resolvidas democraticamente pelo  voto, “como faz o PDT do Rio Grande do Sul disputarão a convenção estadual”, manifestou seu integral apoio a decisão do grupo de trabalho de priorizar o calendário das convenções municipais e estaduais definido pelo Diretório Nacional. “Olhando para os lados vemos que o PDT, em relação aos demais partidos, ainda tem uma imagem pública positiva que permite que o nosso espaço seja recuperado”, observou.

 

Na mesma linha, Miguelina Vecchio, do PDT gaúcho, destacou que o que o Diretório Nacional determina é obrigação das seções estaduais do partido cumprir. “Congresso é para discutir e aprovar teses e a Executiva, executá-las. Se não é para cumprir decisões, então é melhor não fazer congresso. O Estatuto do partido é para ser cumprido sempre, e não só no momento que interessa”, destacou.

 

O presidente do PDT de Belo Horizonte, ex-deputado Sérgio Miranda, assinalou que “partido se faz com conteúdo” e pelo fato do PT ter ido para a direita, criou espaço à esquerda que o PDT deveria ocupar. “Precisamos nos reunir, precisamos discutir nossas questões. Precisamos reunir com o ministro, com nossa bancada federal. Quais são as linhas do PDT para o Ministério do Trabalho? Quais são as nossas políticas?”, cobrou.

 

O Senador Cristovam Buarque, ao destacar a importância de se definir um eixo central para o IV Congresso, disse que é preciso que o conteúdo deixe claro que, através do PDT, “todos terão chances iguais de construir o país”. Cristovam defendeu a idéia de que no Brasil a escola do pobre precisa ser igual a do rico, tornando a sociedade mais igual, mais eficiente. Acrescentou que o eixo do IV Congresso deveria girar em torno de idéias como Educação, eficiência, ética e estabilidade econômica.

 

O ex-deputado Sérgio Miranda, disse por sua vez, que “a campanha pela educação é boa, mas precisa de cabeça, tronco e membros. Não se faz política sem enfrentamentos: ela não é platitude”. Miranda disse que é preciso fazer um diagnóstico da realidade, saber exatamente qual é a pauta Brasil, antes de mais nada.

 

“Administrar é tomar decisões em torno de interesses. No IV Congresso deveríamos defender três princípios básicos: a soberania nacional, sendo a Amazônia subitem fundamental; a democracia – precisamos combater a desmoralização das instituições; e a questão social – abrangendo especialmente os itens educação e saúde”, afirmou.

 

E concluiu: “Ecologia e Educação não são nossos eixos. A questão central hoje é o domínio do país pela oligarquia financeira. Vivemos a ditadura da economia financeira. Quando estrangeiros não pagam tributos e brasileiros pagam, isto é uma questão de soberania. A elite que domina o Brasil não tem contato com a pobreza, por isso a criminaliza. Nossa sociedade mudou, não é mais aquela gente risonha e franca. Vivemos um drama social profundo e precisamos ter clareza disto”, insistiu Miranda. 

O PDT do Rio Grande do Sul já marcou a data de seu Congresso estadual: será de 31 de agosto a 2 de setembro

 

Já Ronaldo Lessa vê a realização do IV Congresso como oportunidade única do PDT dar um salto de qualidade. “Precisamos apresentar propostas e debater soluções. O partido é a ferramenta ideal para isto. Nosso Judiciário é ruim, o Legislativo também. Há uma casta na Esplanada dos Ministérios e o IV Congresso será uma oportunidade para aprofundar as discussões, abrir o peito”. Já Sérgio Vidigal, vice-presidente regional pelo Espírito Santo, observou que aquela reunião em Brasília não era a melhor para discutir questões relacionadas a atuação do PDT no Ministério do Trabalho, até porque o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, estava na Itália naquele momento, em viagem de serviço.

 

Antes de encerrar a reunião, Manoel Dias marcou o próximo encontro para discutir a realização do IV Congresso: dia 7 de agosto, às 14 horas, no Rio de Janeiro ou Brasília.