Cristovam propõe Dia Nacional de Luta em defesa do piso salarial do magistério

 Ao discursar na sessão plenária desta sexta-feira (8), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a necessidade de se garantir o piso salarial de R$ 950 para os professores a partir de 2010. E afirmou que, se a resistência à implantação da lei não cessar, pretende propor a realização de um Dia Nacional de Luta, para que os 2,6 milhões de professores de todo o país discutam nas escolas todas as implicações positivas dessa lei, e também os problemas que cercam a educação brasileira, tais como a repetência dos alunos e as faltas por doença dos professores. “Professores estão correndo uma maratona e tentam resistir ao cansaço imposto pela grande jornada de trabalho. E quem perde não é apenas ele, nem a família. É o aluno também”, disse.

A ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Jussara Maria Dutra Vieira, deu apoio irrestrito à proposta do senador Cristovam Buarque sobre a realização do Dia Nacional de Luta em defesa do piso salarial do magistério. A CNTE conta com 36 entidades filiadas em 26 estados, 5 municípios e no Distrito Federal. Essas entidades lutam pela valorização dos trabalhadores em educação, pautando-se pela mobilização, pela profissionalização, pela carreira, pelo piso salarial profissional nacional, pela garantia dos direitos sociais e pela ampliação dos espaços de cidadania.

Em seu discurso, Cristovam lembrou que, além de ter sido uma lei votada democraticamente no Congresso Nacional, foi sancionada pelo presidente Lula sem cortes. “Essa quantia representa cerca de dois salários mínimos. O que é até pouco para o grande trabalho social que os professores realizam, ao tirar as algemas intelectuais de nossas crianças para prepará-las para o futuro”, destacou.

O pedetista criticou a reação contrária ao piso salarial que estaria surgindo por parte de alguns governadores e prefeitos principalmente de estados como São Paulo e Rio Grande do Sul. O senador do DF lembrou que esses estados apresentam boa renda per capita, enquanto em Pernambuco, um estado mais pobre, o piso estaria sendo implantado sem problemas. “Lá em Pernambuco paga-se um 14º salário aos professores das escolas que se saem bem avaliações do MEC”.

Segundo Cristovam, existe um grande preconceito contra a educação no Brasil e há os que chegam a manipular os números para declarar que o piso terá um custo que o país não poderá pagar: cerca de R$ 10 bilhões por ano. “Vamos supor que as contas estejam certas e que o piso custará esse valor. Eu pergunto: o que representa esse montante diante do PIB brasileiro, de mais de R$ 2,5 trilhões? Será possível que as pessoas não entendam que o Brasil somente dará o salto de qualidade para seu futuro por meio da educação e, sem um professor minimamente remunerado, isso nunca acontecerá?”, perguntou.

Cristovam defendeu ainda um sistema em que o governo federal defina metas para a educação, oferecendo os recursos financeiros necessários e deixando que cada estado ou município escolha parâmetros locais adequados.