“Comissão de Ética não pode estar acima da Constituição”

    

“A Constituição garante a existência dos partidos políticos e determina também que qualquer pessoa para se eleger a cargos públicos pertença a um partido, de Presidente da República  à vereador;  portanto, se a Constituição me garante, como a comissão de ética pode estar acima da Constituição”, questionou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, também Ministro do Trabalho e Emprego,  ao comentar em São Gonçalo nesta quinta-feira (27/12) a decisão da Comissão de Ética Pública de pedir ao presidente Lula o seu imediato afastamento do Ministério ou da presidência do PDT – por “acúmulo incompatível”.


“Percebo claramente que a iniciativa da comissão é discriminatória e contrária ao PDT e a minha pessoa. Será por que defendo os direitos dos trabalhadores? Será que a comissão não criou esta interpretação de que presidente de partido não pode ser ministro especialmente para mim? Afinal, quando o presidente Lula me convidou para o Ministério, todos, o Brasil inteiro sabia que eu também era presidente do PDT.  Será que não posso ser ministro porque me chamo Carlos Lupi e nasci  dia 17 de março de 1957”, questionou  Lupi em coletiva após assinar convênio na Prefeitura de São Gonçalo para qualificar 7 mil jovens na presença da prefeita Aparecida Panisset e seus  secretários.


Indignado com o ex-ministro Marcilio Marques Moreira que pediu seu afastamento do governo por “quebra do código de ética” criado posteriormente à sua nomeação ao cargo, Lupi insistiu: “Acho que a comissão de ética precisa me punir por outros fatos também:  sou  kardecista, tricolor fanático e salgueirense”, ironizou.  


Lupi contra-atacou: “Considero a situação absurda, mais absurdo ainda é o conselheiro Marcílio ter tanto espaço na mídia. Que interesses estão por atrás da movimentação dele? Afinal, ele não é conselheiro apenas na comissão…  Quem, afinal, fere a ética? Eu que não pertenço a nenhum conselho particular a não ser a instituição pública registrada há 27 anos que é o PDT, ou ele?  Que ética eu feri?”


Lupi continuou:  “Por que nunca ninguém foi questionado por pertencer a um  partido? Por que outros presidentes de partido não foram questionados por estarem no governo? Será que o Sr. Marcílio não quer ter a função de demitir ou nomear ministros de Estado? Para mim, isto é que é ser anti-ético.  Também considero anti-ético ser vítima de linchamento público por ser presidente de partido político. A República foi instalada para garantir a democracia. E a democracia é feita através dos partidos políticos – por isso tenho muito orgulho de ser presidente do PDT. Será que só o PDT tem cargos no governo? Ou no governo de Fernando Henrique o PSDB não estava no poder? Na verdade estão querendo criminalizar a política, tornar crime ter uma opção partidária. É importante dizer  que isto é legítimo, é constitucional! Que corram atrás dos ladrões dos dinheiros públicos”, desabafou Lupi.


Em solidariedade a Lupi, o bloco de partidos de esquerda divulgou nota sobre a questão – posição também dos presidentes de cinco centrais sindicais que, também em nota pública, questionaram “a moralidade do presidente da Comissão de Ética Pública”, Marques Moreira. De acordo com a nota, assinada pelos presidentes da Força Sindical, da Nova Central Sindical, da UGT, da CGTB e da CNTM, “é insensatez” a atitude de Marcílio de que o acúmulo dos dois cargos por Lupi contraria a ética.