Ciro acha possível Dilma reverter o impeachment no Senado

OM - Ascom PDT / 247, com Enio Lourenço, do Cafezinho

O ex-ministro Ciro Gomes, ao participar do debate “O impeachment de 1992 e o golpe de 2016”, que encerrou o II Salão do Livro Político, em São Paulo, anteontem (02/6), disse que acredita que seja possível reverter o impeachment de Dilma no Senado, mas será preciso enfrentar “a ofensiva de suborno e esculhambação”  que deve estar acontecendo na tentativa de impedir que  senadores revertam o impeachment, no voto.

Tendo ao seu lado, também como debatedora, a presidente da UNE, Carina Vitral;  o economista Marcio Pochmann, ligado ao PT e o jurista Alysson Leandro Mascaro, Ciro analisou comparativamente  os dois processos de impedimento que aconteceram recentemente no Brasil, após a volta das eleições diretas para a presidência da República.

“O Collor conseguiu a proeza de fazer o consenso na sociedade contra ele, um consenso que alcançou a plutocracia brasileira. Tudo começou com uma entrevista do irmão dele, denunciando o esquema de centralização da corrupção. E tudo foi provado. Conseguimos fazer um link que indicou a sua culpabilidade individual. Mapeamos o dinheiro da corrupção e chegamos até a compra do Fiat Elba, estabelecendo o nexo doloso”, explicou Ciro.

Acrescentou que no caso de Dilma, foi completamente diferente porque não houve consenso da sociedade sobre a sua saída, pelo contrário,  ante as contradições do processo de impeachment, construiu-se um consenso no campo progressista contra o impeachment.

Mas há questões ainda a serem discutidas e amadurecidas.

 “Se a gente quer merecer de novo o respeito do conjunto da sociedade, precisamos entender porque nós, autorreferidos intérpretes do interesse popular, estamos sendo escorraçados do poder”, disse.

Sobre Michel Temer, foi enfático:

“ Temer é um sem voto, era o último deputado votado no Estado de São Paulo. Um pilantra desde sempre, enrolado com corrupção no porto de Santos, enrolado em todo o tipo de corrupção”, afirmou Ciro ao definir o presidente interino, com a experiência de ter sido

ex-ministro da Fazenda (Itamar Franco), da Integração Nacional (primeiro governo Lula),  ex-governador do Ceará, ex-prefeito de Fortaleza e deputado federal e estadual.

Ciro não poupou Dilma, disse que ela trocou a política pela ‘marquetagem’ e jamais poderia ter mentido para a sociedade na campanha eleitoral de 2014.

“Tem coisas que são trivialmente inteligíveis pelo povo. Em São Paulo, 32 dias após a posse de Dilma, houve um ‘tarifaço’ de 72% na energia elétrica. O mandato começa a ruir quando você o constrói em cima de uma coluna mentirosa”, argumentou.

Ciro também não poupou o “bom amigo e companheiro” Lula, a quem responsabilizou pelas péssimas alianças feitas pelo PT  a partir do segundo mandato presidencial que definiu como “a escalada do golpe”.

“Colocar o Michel Temer e o Eduardo Cunha na linha de sucessão do país em nome de medo de CPI, de tempo de televisão, é um crime de lesa pátria”, argumentou.

Como outros participantes dos debates do II Salão do Livro Político, Ciro enfatizou que a regra no Brasil não é a democracia, mas sim os golpes, o autoritarismo, destacando o fato de que somente três presidentes da República terminaram o mandato desde o pós-guerra: Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva.

“O golpe não foi feito para o Michel Temer. O golpe foi feito para produzir efeitos estratégicos, como gerar excedentes fiscais para honrar o serviço da dívida pública, que está na iminência de uma crise bancária. A razão central é essa.”

O fato de nenhum chefe de Estado ter feito comunicação com o presidente interino e a repercussão negativa da opinião pública internacional também foram ressaltadas como positivas para a manutenção da luta pelo mandato de Dilma dentro da institucionalidade.

“Eu penso que é possível reverter o quadro no Senado. Não é tarefa fácil porque, agora, o suborno e a esculhambação [vão acontecer]. Eu alimento essa esperança e luto por ela. Estou disposto a fazer qualquer sacrifício para ajudar a presidenta Dilma. Se a gente voltar para lá [presidência da República] e resolver a nossa relação com povo, teremos que fazer um mea-culpa e entender que o nosso lado não pode fazer esse tipo de coisa.”

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