Há cinco anos, Brasil perdia Neiva Moreira

Por Wellington Penalva10/05/2017

Hoje (10), o PDT recorda o amigo José Guimarães Neiva Moreira, um nordestino que acreditava na justiça social, na fraternidade dos povos, no resgate da população pobre e desassistida do Brasil. O eterno deputado trabalhista viveu convicto de que a política é o caminho para mudar sociedades e trazer esperança à gente desamparada. Falecido há cinco anos, Neiva deixou sua biografia como testemunho de que é possível lutar por um mundo mais justo.

Maranhense de Nova Iorque, Neiva Moreira nasceu em 10 de outubro de 1917. Tornou-se jornalista ainda muito jovem e atuou em veículos como o periódico Pacotilha, os jornais Diário da Noite e O Jornal, e a revista O Cruzeiro. Em 1950, José Guimarães entra para a política sendo eleito deputado à Assembleia Legislativa do Maranhão. Lá, mostra sua veia nacionalista defendendo a criação da Petrobrás e da Eletrobrás. Nascia então o político que brigaria, até a última instância, pelo desenvolvimento soberano nacional, pela melhoria de vida do povo brasileiro.

Após a morte de Getúlio Vargas, em um período de grande instabilidade política, o então deputado federal Neiva Moreira foi um dos fundadores da Frente Parlamentar Nacionalista. Quando Jango assumiu a presidência da República, o parlamentar defendeu conscientemente as Reformas de Base. Queria o bem do povo brasileiro; acabou arrastado pelo mesmo tsunami que destituiu o presidente.

Com o Golpe Militar, em 1964, Neiva Moreira foi deposto e exilado – não antes de amargar alguns meses como preso político. Passou 15 anos migrando entre países da America latina graças ao surgimento sucessivo de governos totalitaristas. Foi recebido e expulso da Bolívia, do Uruguai, da Argentina e do Peru. Seu último pouso foi no México, onde ficou de 1976 até a reabertura política no Brasil em 1979, quando retornou ao país.

De volta a sua pátria, aliou-se a Brizola e ajudou a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Neiva Moreira, enfim, retomou sua luta amparado por uma legenda que, assim como ele, é norteada pelo senso de justiça social. Em 1982, foi nomeado secretário de Comunicação Social do Estado do Rio e, em seguida, presidente do Banco de Desenvolvimento daquele Estado, pelo governador Leonel Brizola.

Na década seguinte, Neiva Moreira foi eleito para a Academia Maranhense de Letras e voltou a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Até o último momento, brigou pelo desenvolvimento do país acreditando na possibilidade da erradicação da miséria, da redistribuição de renda e no poder da educação como agente transformador da sociedade.

Em poucas palavras, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, descreveu José Guimarães Neiva Moreira: “O Neiva, como Brizola, Darcy, Jango e Getúlio, é a prova cabal de que vale a pena fazer política com sonhos, com ideias, com utopias”.