Carlos Chagas: Por que perseguem Lupi

De repente, a artilharia se concentra sobre o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Não se sabe exatamente de onde vem o fogo, porque é variado. A Comissão de Ética que funciona à sombra do Palácio do Planalto dispara seus obuses, mas há quem acredite que certos mísseis vêm da sede do Executivo. E da Esplanada dos Ministérios, para não falar do Congresso.

Passados tantos meses da nomeação do ministro, “descobriram” que ele continua a presidir o PDT. Ora, essa foi uma das condições que estabeleceu ao aceitar o convite de Lula. E nada existe na lei que impeça esse acúmulo de funções. Há, então, que procurar os verdadeiros motivos dessa blitz, já que marionetes não se movem sozinhos. Mãos costumam movimentá-los.

Lupi está sob fogo batido por constituir-se na única voz no governo que se insurge contra a reforma trabalhista, ao menos na forma como pretendem as elites, de retirar do trabalhador os direitos que restaram depois do massacre promovido na CLT pelo governo FHC. O grave é que falta, por parte de Lula, um desmentido em defesa das prerrogativas dos assalariados. Não basta dizer que eles não serão prejudicados.

O que a imensa maioria da população quer ouvir é que o governo não vai parcelar as férias remuneradas, nem o décimo-terceiro salário e nem extinguirá ou reduzirá a indenização por demissões imotivadas. É isso que se articula nos centros empresariais, sob pretexto de abusivos encargos sobre folhas de pagamento. Elas precisam ser desoneradas, claro, mas jamais à custa do trabalhador. Como Carlos Lupi sustenta essa linha de raciocínio, sofre o bombardeio das elites e de seus sabujos. É bom tomar cuidado.