Brasília: Michel, fundador do PDT, devolve medalha a Arruda

O vice-presidente do PDT de Brasília, Georges Michel, devolveu a medalha do Mérito Alvorada que recebeu das mãos do governador José Roberto Arruda no último dia 18, acompanhada de uma carta onde explica o seu gesto. A medalha foi instituída pelo Decreto 1.435, de 1970, para homenagear personalidades civis e militares que contribuem para o progresso da cidade.


 


 “Minha atitude não representa qualquer iniciativa partidária ou política, mas é fruto única e simplesmente de meus próprios princípios”, disse Georges Michel ao ser questionado pela imprensa, atenta a todos os movimentos em torno da crise no Distrito Federal. “Meu velho amigo Brizola com certeza teria sido menos polido”, comentou ainda, após o ato de “desomenagear-se”. Michel é fundador do PDT e um dos signatários da Carta de Lisboa, divulgada após o encontro organizado por Brizola na capital portuguesa em 1979, marco inicial da reorganização dos trabalhistas brasileiros.

Leia a íntegra da carta de Georges Michel, dirigida ao governador Arruda:


 


“Brasília, 18 de dezembro de 2009 – Sr. Governador do Distrito Federal:  Tomo a iniciativa de devolver a Medalha do MÉRITO ALVORADA que me foi concedida no ano passado. Vivo em Brasília desde 1964. Daqui só saí para a prisão e o exílio, justamente por lutar pelo Brasil, por independência e justiça para seu povo. Conheci a Brasília dos sonhos generosos de progresso de JK, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.


 


“Não posso, portanto, carregar como símbolo do amor que dedico a esta cidade e a seu povo algo que está manchado pela mais ignominiosa vergonha, que é se servir da confiança popular para praticar aquilo que todo o Brasil assiste nos vídeos, em que o senhor e seus auxiliares entregam-se a cenas deprimentes.


 


“Meu partido, o PDT, afastou-se do senhor, enojado. Eu, pessoalmente, tomo a mesma atitude. Meu amor por Brasília não depende de uma medalha conspurcada por quem a concedeu. Este amor prosseguirá em cada dia vivido de rosto erguido em que ainda andarei por suas avenidas. O senhor, no meu entender, não pode fazer o mesmo – GEORGES MICHEL”.