André Figueiredo defende redução da taxa de juros para retomada do crescimento

Ascom André Figueiredo

DSC_6934O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) criticou a manutenção das altas taxas de juros no Brasil e indicou o impacto dessas medidas na retração da economia nacional e no aumento da dívida pública. A análise foi feita durante a reunião de diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). O encontro, promovido no início da semana passada, na sede da instituição patronal, contou com a presença de dezenas de empresários cearenses de diversos setores.

O parlamentar fez duras críticas sobre o privilégio de crescimento dessa taxa desde a época do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levi, e relatou que enquanto o governo não atacar as causas, seguiremos pagando bilhões sobre o montante principal e seu serviço. “A Selic deve voltar a cair. O capital produtivo não pode conviver com a lógica do rentismo, pois precisa ser incentivado. O Brasil mantém em 14,25%, gerando uma grande ampliação da dívida pública. Ano passado amortizamos, aproximadamente, R$ 470 bilhões de principal e pagamos R$ 356 bilhões de juros”, pontou.

Promovendo um paralelo com a situação vivida há alguns anos na Grécia, o também vice-presidente nacional do partido afirmou que o impacto proporcional da dívida sobre o PIB mostra uma tendência de elevado comprometimento, o que afeta a manutenção dos investimentos. “Não prego calote, pois não seria irresponsável, mas esse país europeu, cuja dívida pública representa 170% do seu PIB, só compromete 5% com o pagamento desse montante. No Brasil, a dívida representa 66% do PIB e paga quase 10% anualmente”, argumentou.

Impeachment

Nos últimos meses, o deputado cearense lembrou que o país vivencia momentos de ampla instabilidade e a crise econômica acaba sendo retroalimentada pela política. “Confesso que não acho que vamos vivenciar dias melhores nos próximos tempos com esse governo interino. Se governar com alguns partidos não estava sendo fácil, agora, com membros da antiga base e mais alguns novos ainda, levará a muitas incertezas”, apontou.

“Nós temos um mercado consumidor interino muito forte, um segmento empresarial que consegue fazer a diferença e um sistema financeiro sólido, mas precisamos de uma economia com pressupostos perenes e que não gere insegurança”, completou.

Relações trabalhistas

“Sei que grande parte do empresariado pensa como eu, porque não queremos retirar direitos dos trabalhadores, e sim aperfeiçoá-los”, ponderou o deputado, ao falar do surgimento de propostas de aumento da carga horária, que, segundo ele, não é determinante para garantir a manutenção da competitividade brasileira. “Da mesma forma que não concordo, momentaneamente, com a diminuição para 40 horas, tenho certeza que aumentar para 60 horas seria um desastre”, indicou.

Para ele, diante das pautas existentes no Congresso, a reforma tributária precisa ser priorizada. “A carga tributária é muito mais grave para as classes laborais e patronais. Por isso, precisamos mudar a situação fiscal nacional com urgência”, avaliou.

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